
Andreza MataisColunas

CEO da Azul vira réu na CVM por distorcer informações ao mercado
Investigação conclui que executivos mascararam dados financeiros meses antes de a empresa pedir recuperação judicial nos EUA
atualizado
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Processo aberto na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu que o CEO da Azul, John Peter Rodgerson, divulgou informações distorcidas sobre a saúde financeira da empresa.
Em outubro de 2024, o CEO concedeu entrevistas à imprensa nas quais informou uma receita esperada de R$ 20 bilhões em 2024 e a “possibilidade de geração de R$ 1 bilhão em receitas adicionais em 2025 por causa de um plano estratégico”.
Na ocasião, a Azul tentava convencer investidores de que estava saudável financeiramente e buscava uma fusão com a GOL. Meses depois, contudo, a companhia pediu recuperação judicial nos EUA. Desde então, abandonou 51 rotas nacionais alegando crise financeira, mas inaugurou três voos internacionais para Portugal a partir do Recife, base eleitoral do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
A coluna apurou que a fusão entre Azul e GOL não foi efetivada justamente porque a GOL encontrou inconsistências no balanço da Azul.
O vice-presidente de finanças, Alexandre Malfitani, também foi denunciado pela Superintendência de Relações com Empresas, que iniciou a investigação.
Procurada, a CVM disse que não comentar o caso. “O assunto objeto de sua demanda está sendo analisado no âmbito do processo 19957.015900/2025 – 47. A Autarquia não comenta casos específicos”, informou.
A Azul informa ter ciência do processo administrativo aberto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em outubro de 2025 para análise de informações da empresa fornecidas à imprensa em 2024. “A companhia reitera o compromisso com a transparência e com o cumprimento das legislações vigentes e permanece à disposição do Comissão para os esclarecimentos necessários”, diz em nota.
