Andreza Matais

Careca do INSS perderá acordo de delação se Camisotti delatar antes

Avaliação de autoridades é a de que eventual delação de Maurício Camisotti impediria a colaboração do Careca do INSS

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte Metropoles
Mauricio Camisotti e o Careca do INSS
1 de 1 Mauricio Camisotti e o Careca do INSS - Foto: Arte Metropoles

O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, precisa correr se quiser buscar um acordo de delação premiada com os investigadores do escândalo da Farra do INSS.

A avaliação de autoridades ouvidas pela coluna é a de que não há interesse em uma eventual delação do Careca caso o empresário Maurício Camisotti feche um acordo desse tipo antes.

Nesta segunda-feira (23/03), Camisotti foi transferido da Penitenciária II de Guarulhos (SP) para a Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo. O objetivo é facilitar as negociações de um eventual acordo de delação premiada por parte do empresário.

Como mostrou a coluna, o Careca do INSS prepara uma proposta de delação premiada desde fevereiro deste ano.

Preso desde o dia 12 de setembro de 2025, o Careca se convenceu da necessidade de delatar depois que as investigações alcançaram familiares dele, como seu filho, Romeu Carvalho Antunes.

Quem são o Careca do INSS e Maurício Camisotti

Segundo os investigadores, tanto Maurício Camisotti quanto o Careca do INSS integravam a cúpula do esquema de desvio de recursos das aposentadorias pagas pelo INSS, atuando em conjunto.

Ambos foram presos na mesma fase da operação Sem Desconto, em setembro passado.

Antônio Carlos Camilo Antunes trabalhava em Brasília como lobista e era também dono de algumas das entidades que faziam os descontos indevidos. O lobista acabou se tornando o personagem mais conhecido do escândalo.

Já Maurício Camisotti é um empresário da área de seguros e planos de saúde, baseado em São Paulo (SP). Ele também é “dono” de entidades fraudulentas que desviavam dinheiro das aposentadorias sem o consentimento dos pensionistas.

Segundo o advogado Eli Cohen, Camisotti controlava várias das entidades fraudulentas usadas no esquema.

As principais delas seriam a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap).

O filho de Maurício Camisotti, Paulo Camisotti, é o titular de cerca de 20 empresas. Algumas delas, como a Benfix, Brasil Dental Serviços Compartilhados e Rede Mais Saúde, receberam recursos das entidades fraudulentas.

Em fevereiro deste ano, o relator da CPMI do INSS, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse durante uma audiência que a família Camisotti chegou a movimentar R$ 800 milhões do esquema, sendo que R$ 350 milhões foram repassados às empresas dos familiares de Maurício Camisotti.

“Essa família, com mais de R$ 350 milhões dessas três entidades, é três vezes, quatro vezes — cinco vezes, melhor dizendo — mais forte do que o Careca do INSS”, disse Alfredo Gaspar.

“Botaram o nome do Careca do INSS e a gente ficou repetindo que ele era o maior operador financeiro. Mas lembrem deste nome: Camisotti. Nesta operação aqui, foi cinco vezes maior”, disse ele.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?