
Andreza MataisColunas

A má notícia para Bolsonaro, vinda de seu ex-pesquisador eleitoral
Brasileiros que não veem perseguição de Alexandre de Moraes contra Bolsonaro são 46%. Outros 40% pensam o contrário
atualizado
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Atualmente, há mais brasileiros acreditando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não está sendo perseguido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), do que o contrário.
A conclusão é de uma pesquisa de opinião do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), empresa que realizou os levantamentos eleitorais para a campanha do ex-presidente em 2022.
Segundo o levantamento, 46% da população acreditam que não há perseguição por parte do ministro contra o ex-presidente. Outros 40% avaliam que há, sim, perseguição. Já 13,6% disseram não saber ou não responderam.
Alexandre de Moraes é o relator, no STF, da ação penal contra Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado. No dia 4 de agosto, o ministro determinou a prisão domiciliar do ex-presidente, no bairro Jardim Botânico de Brasília (DF). O julgamento de Bolsonaro pela Corte deve começar no dia 2 de setembro.
A pesquisa do Ibespe foi feita por telefone, com 1.003 entrevistas, entre os dias 1º e 3 de agosto. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, para mais ou para menos. O intervalo de confiança é de 95%, segundo o instituto, dirigido pelo cientista político Marcelo Di Giuseppe.
Além da campanha de Bolsonaro em 2022, o Ibespe realizou pesquisas para a campanha de João Doria em 2018, quando ele se elegeu governador de São Paulo pelo PSDB, numa “dobradinha” com Bolsonaro – a campanha ficou marcada pelo slogan “Bolsodória”.
O Ibespe existe desde 2003, mas não divulga pesquisas eleitorais. O foco da empresa é em levantamentos para candidatos e partidos políticos.
Bolsonaro vai melhor no Sudeste e entre jovens
A única região do Brasil em que há mais pessoas que veem perseguição de Alexandre de Moraes contra Bolsonaro é o Sudeste – 46,1% avaliam que há perseguição, contra 45,5% que não veem dessa forma. Outros 8,4% não souberam ou não responderam.
A região onde há menos pessoas que veem perseguição contra o ex-presidente é o Nordeste. Apenas 33% acreditam na tese da perseguição. Outros 55,4% dizem que não há perseguição, enquanto 11,6% não souberam ou não responderam.
Além disso, segundo a pesquisa do Ibespe, a visão crítica à atuação de Moraes é majoritária apenas entre os jovens de 16 a 24 anos (46% a 41%); entre quem tem ensino superior (49,9% a 42,7%); e entre os ateus ou sem religião (44,4% a 44%).
Em todas as outras faixas demográficas, predomina a visão de que Alexandre de Moraes não está perseguindo Bolsonaro — inclusive entre os homens (35,9% a 49,1%) e entre os evangélicos (40% a 43,1%), dois grupos nos quais Bolsonaro tradicionalmente apresenta bom desempenho em pesquisas de opinião.
