Tunisianos são presos após refugiado denunciar ameaças para ele ser "mula".
Vítima disse ter sido pressionada a transportar um objeto suspeito e apresentou vídeo usado para sustentar a denúncia à Polícia Civil

Dois tunisianos, apontados como membros de uma quadrilha de tráfico internacional de drogas, foram presos nessa quinta-feira (24/9) após um compatriota os denunciar por retenção de passaporte, agressão e ameaça de morte. A vítima também apresentou um vídeo, no qual os suspeitos aparecem com uma arma e cápsulas, semelhantes às ingeridas por “mulas” — como são chamadas as pessoas que levam drogas no estômago em voos (assista abaixo).
Com o uso de um aplicativo de tradução, a vítima relatou no 42º DP ( Parque São Lucas) que chegou ao Brasil há cerca de três meses, pedindo refúgio e para trabalhar como auxiliar de cozinha em uma lanchonete, no bairro da Liberdade, região central da capital paulista.
Ela foi recepcionada por Nassr Eddine e Koussay Sassi, com quem morou em um primeiro momento. Na casa deles, a vítima afirmou que ambos manuseavam drogas, armas e as cápsulas ingeridas pelas “mulas”, em sua maioria estrangeiros que também frequentavam o imóvel.
Ameaças de morte e pressão psicológica
Na semana passada, segue o relato, Koussay Sassi pediu para a vítima levar, em uma bolsa, um “objeto”. A vítima se recusou, “por temer que pudesse estar sendo utilizada para transportar drogas ou outros objetos ilícitos”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCom a recusa, afirmou que passou a ser ameaçada de morte, sofrendo “pressão psicológica” e intimidação “para que atendesse à determinação”.
A dupla, acrescentou, teria lhe mostrado imagens nas quais aparece com armas de fogo, para reforçar as ameaças.
Vontade de voltar para casa
Por conta da constatação de que convivia com pessoas ligadas ao crime organizado, a vítima decidiu retornar à Tunísia.
Antes disso, foi à lanchonete onde trabalhava com os suspeitos para pedir o pagamento que lhe deviam, com o intuito de usá-lo na compra de uma passagem de volta à terra natal.
Foi então que, ainda segundo o auxiliar de cozinha, Nassr, Koussay e Mohamed Hamz — esses dois últimos presos em flagrante — passaram a agredi-lo com chutes e socos. Koussay, segue o relato, teria ainda usado uma arma de choque.
Além da violência, os agora indiciados pegaram o passaporte da vítima, sem o qual ela não poderia retornar à Tunísia.
Denúncia e prisões
Por conta disso, o auxiliar de cozinha decidiu denunciar o caso à Polícia Civil. Policiais então foram à casa de Mohamed e Koussay e os prendeu em flagrante. No local foi encontrada pequena quantidade de drogas, a qual foi apreendida assim como celulares e um notebook.
Nassr, apontado como líder do grupo, não havia sido localizado até a publicação desta reportagem. O responsável pelo restaurante no qual a vítima trabalhava, identificado como Ramzi Hosni, também é investigado.
A defesa dos estrangeiros não foi localizada pela coluna. O espaço segue aberto para manifestações.




