Policial suspeito de liderar milícia é solto e ganha proteção eleitoral
Apontado como líder de grupo armado, Rafael Juergen Schult foi solto antes da preventiva e fica protegido pela lei eleitoral até 6/10

O policial civil Rafael Juergen Schult (imagem em destaque) foi solto, no início da madrugada de terça-feira (29/9), após a Justiça não renovar a prisão temporária do agente de 2º classe.
Ele é apontado, em investigação da Corregedoria Geral da Polícia Civil, como o líder de um grupo armado, que age como uma milícia sequestrando e extorquindo comerciantes e criminosos. Para isso, o bando usava ao menos duas falsas viaturas da Polícia Civil.
A coluna apurou que a renovação da prisão temporária de 5 dias, solicitada pela polícia, não foi feita a tempo pela Justiça paulista — a qual posteriormente decretou a prisão preventiva, ou seja por tempo indeterminado, do policial civil. Rafael Schult, porém, já estava fora do presídio da Polícia Civil, do qual saiu pela porta da frente.
Período eleitoral
Mesmo com um novo mandado de prisão atualmente em aberto, Rafael Schult não poderá ser preso, caso encontrado, em decorrência da legislação eleitoral.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO Código Eleitoral determina que nenhum eleitor pode ser preso cinco dias antes da votação ou 48 horas após o encerramento do pleito — excetuando-se casos de flagrante delito, sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou desrespeito à ordem judicial.
Como o primeiro turno das eleições ocorre neste domingo (4/10), Rafael Schult foi blindado pela lei eleitoral até o próximo dia 6.
Sequestro de suposto traficante
Como revelou a coluna, Schult está lotado no 78º Distrito Policial (Jardins) e teve a prisão temporária solicitada no âmbito da investigação conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil.
As imagens reveladas pelo Metrópoles a mostram o policial civil e outros dois homens armados abordando um homem que, segundo fontes policiais que acompanham o caso, seria traficante de drogas.
Rendido, algemado e levado
A abordagem termina com disparos de fuzil. O suposto traficante é agredido, rendido, algemado e colocado dentro de uma Chevrolet Trailblazer, veículo semelhante aos utilizados, sem identificação ostensiva, pela Polícia Civil paulista.
Antes de levarem o homem, os suspeitos aparecem nas imagens pegando uma sacola. Segundo relatado pelo próprio homem sequestrado, em depoimento, o saco plástico continha um pedaço de rapadura — que seria supostamente vendida como maconha, em um golpe.
A vítima acreditava que o policial seria um “playboy” com o qual havia negociado a droga pela internet e, Rafael Shult, acreditava — segundo a investigação — que iria extorquir um traficante.
Além de Rafael Shult, o também policial civil Milton Massaru Nakayama, o Japa, também foi preso, em 22 de agosto, suspeito de integrar o bando.
A defesa de Rafael foi procurada mas não se manifestou. Os defensores de Milton não foram localizados. O espaço segue aberto para manifestações.
















