PMs de folga são presos por suspeita de estupro e roubo de adolescente
Policiais foram reconhecidos por três jovens, entre eles duas adolescentes. Uma delas, de 17 anos, relatou ter sido violentada sob ameaça

Dois policiais militares foram presos na manhã desta segunda-feira (24/8), suspeitos de roubar três jovens, entre eles uma adolescente de 17 anos que relatou ter sido estuprada por um dos agentes, na zona leste paulistana. Os PMs estavam de folga quando os crimes teriam ocorrido, durante a madrugada.
A coluna apurou que os PMs integram a 2ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (2º BPM/M), unidade subordinada ao Comando de Policiamento de Área Metropolitana 4 (CPA/M-4), responsável por parte da zona leste da capital. A identidade de ambos não havia sido informada até a publicação desta reportagem.
A ocorrência foi registrada inicialmente no 24º DP (Ponte Rasa). A coluna apurou que os crimes investigados, atribuídos aos PMs, são estupro de adolescente, além de roubo praticado com arma de fogo, restrição da liberdade das vítimas e subtração de celulares.
As vítimas são duas jovens de 17 e 18 anos e um rapaz de 19. O trio relatou à Polícia Civil que estava em uma festa realizada em um posto de combustíveis, na Avenida Itaquera, quando conheceu dois homens que ocupavam um Volkswagen Fox. O grupo aceitou uma carona após os suspeitos se oferecerem para levá-los a outro local.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDurante o trajeto, eles chegaram a passar por uma lanchonete na região da Avenida Jacu-Pêssego. Depois, segundo os depoimentos, os dois homens insistiram em levar os jovens para casa. Foi então que o comportamento da dupla teria mudado.
Roubo de celulares
Um dos homens, que se apresentou como “Caio”, passou a dirigir o Fox. Pouco depois, o outro suspeito teria sacado uma arma de fogo e anunciado o roubo.
As duas jovens entregaram os celulares. O rapaz de 19 anos conseguiu esconder o aparelho e disse que não estava com telefone. Segundo uma das vítimas, os policiais de folga também ordenaram que bolsas e pertences fossem jogados pela janela.
Ainda de acordo com o registro policial, a dupla continuou circulando com os jovens dentro do carro, fazendo ameaças. As duas adolescentes começaram a chorar.
“Os indivíduos afirmavam que não pretendiam matá-las, porém continuavam a ameaçá-las”, consta no relato prestado à Polícia Civil.
O veículo seguiu então para uma região erma nas proximidades do Parque Jacuí, na região do Jardim Pantanal, no extremo leste paulistano.
No terreno baldio, o homem que estaria armado determinou que o outro suspeito deixasse o automóvel acompanhado da jovem de 18 anos e do rapaz. Ele permaneceu sozinho no carro com a adolescente.
Ameaça de tiro e estupro
Segundo o relato feito da vítima à Polícia Civil, o suspeito ordenou que ela retirasse as roupas e manteve relação sexual mediante grave ameaça. A adolescente afirmou que foi ameaçada de levar um tiro caso não obedecesse.
Depois do crime, segundo as vítimas, os policiais de folga ainda circularam com o trio antes de abandoná-lo novamente em uma área erma. Os jovens conseguiram sair do local e encontraram uma viatura da PM, para a qual pediram ajuda.
Carro levou aos policiais
A identificação dos suspeitos avançou a partir do Volkswagen Fox descrito pelas vítimas. Segundo relatório policial obtido pela coluna, durante a apresentação da ocorrência foi constatado que o veículo indicado pelo trio estava relacionado a um policial militar que assumiria o serviço naquela manhã.
O comandante da companhia levou então dois PMs ao 24º DP. As três vítimas participaram de reconhecimento pessoal e apontaram os policiais como participantes dos fatos, sem saber que os suspeitos eram militares.
Segundo a Polícia Civil, um dos agentes foi reconhecido como participante do roubo. O outro foi apontado como envolvido no roubo e como autor da violência sexual contra a adolescente.
Diante dos relatos e dos reconhecimentos, a delegada do 24º DP deu voz de prisão aos dois militares. O procedimento foi acompanhado por um oficial da Corregedoria da PM.
A coluna procurou a Secretaria da Segurança Pública (SSP) e a PM para que se manifestem sobre o caso. O espaço permanece aberto.












