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Alfredo Henrique

PM que disse “vou matar” autista e rezou já foi investigado por outra morte

Em 2021, caso envolvendo Cauan foi arquivado após MP apontar legítima defesa; desta vez, bodycam contrariou versão apresentada pelo policial

27/09/2026 09:58
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PM fardado na rua - Metrópoles

O cabo da Polícia Militar Cauan Alencar Bastos, filmado dizendo que iria matar um eletricista autista antes de desembarcar de uma viatura e abrir fogo, já havia sido investigado pela morte de outro homem durante uma abordagem policial. Há, porém, uma diferença central entre os dois episódios que é a existência de câmeras corporais.

No caso mais recente, Cauan e outro PM disseram à Polícia Civil que dispararam contra Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues porque ele teria se “insurgido” contra os militares, que agiram para impedir uma suposta agressão. Imagens mostradas em primeira mão pelo Metrópoles, contudo, registraram outra dinâmica. Nelas, ainda dentro da viatura, Cauan afirmou “peraí que eu vou matar ele, eu vou dar tiro” e saiu do veículo disparando (assista abaixo).

Depois de atingir Igor, que morreu no Hospital de Taipas, o cabo pediu para que ele não morresse e, sozinho perto da viatura, chegou a rezar um Pai-Nosso.

Outro caso não tinha imagens

Cinco anos antes, em fevereiro de 2021, Cauan matou Luiz Dionísio de Andrade Filho durante uma tentativa de abordagem no Jaraguá, zona norte de São Paulo.

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Naquela ocasião, Cauan afirmou que Luiz fugiu de moto, colocou a mão na cintura e representava uma ameaça iminente. Outro PM sustentou versão semelhante. Os policiais afirmaram terem encontrado um revólver calibre .32 com o homem morto.

A investigação, diferentemente do caso do eletricista Igor, não contou com imagens da ocorrência. Os autos registram ainda que não foram localizadas câmeras de monitoramento capazes de captar os fatos, tampouco testemunhas que tivessem presenciado a ação. Com isso, prevaleceu a versão dos policiais.

Caso arquivado

Sem elementos que desautorizassem a versão apresentada pelos PMs, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) concluiu que Cauan havia agido em legítima defesa.

A Promotoria pediu o arquivamento do inquérito, em dezembro de 2022. A Justiça acolheu a manifestação e encerrou o caso.

No episódio envolvendo o eletricista Igor, quase cinco anos depois, foi justamente a gravação feita pelo equipamento preso ao uniforme de Cauan que permitiu confrontar o relato apresentado pelos policiais com aquilo que ocorreu antes e durante os disparos.