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Alfredo Henrique

Para sair do PCC, suspeito de atirar em tenente da Rota teria de matar

Mulher de Golias, ainda foragido, relatou à polícia que ele recebeu missão da Sintonia Restrita e poderia abandonar o crime após cumpri-la

13/10/2026 04:30
Reprodução/SSP
Arte gráfica com rosto masculino, à esquerda, colorido e translucido sobre registro de câmera de monitoramento, em preto e branco, na qual quatro pessoas caminham em calçada - Metrópoles

Para abandonar o crime, ele teria de cometer o último, matando um policial militar. Essa seria a missão recebida por Hércules da Costa Siqueira, o Golias (imagem em destaque), apontado como autor do tiro que acertou a nuca do tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Rota, em 27 de junho, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. O estado de saúde do oficial do Batalhão de Choque não havia sido atualizado pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) até a publicação desta reportagem.

Segundo Claudia Ferreira Ramos, mulher de Golias, o criminoso lhe contou que, após cumprir uma missão da Sintonia Restrita do Primeiro Comando da Capital (PCC), poderia se “aposentar” da facção e viver com a família.

A revelação consta em depoimento prestado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em 24 de julho, obtido com exclusividade pela coluna.

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Suspeito de participar de ataque a tenente se entrega "por medo de morrer"
Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel
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Suspeito de participar de ataque a tenente se entrega "por medo de morrer"
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Suspeito de participar de ataque a tenente se entrega "por medo de morrer"

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Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel
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Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel

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Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel
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Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel

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Golias durante fuga, acompanhado da esposa e de duas filhas, além de um homem
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Golias durante fuga, acompanhado da esposa e de duas filhas, além de um homem

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Eloá Pimentel (à esquerda) foi morta em 2008 pelo ex-namorado  Lindemberg Alves. O irmão da jovem, o tenente Ronickson Pimentel (à direita) ingressou na Polícia Militar em 2009, um ano depois do caso que chocou o país.
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Eloá Pimentel (à esquerda) foi morta em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves. O irmão da jovem, o tenente Ronickson Pimentel (à direita) ingressou na Polícia Militar em 2009, um ano depois do caso que chocou o país.

Divulgação.

A última missão

Golias deixou a prisão em outubro de 2023 e passou a integrar a “disciplina” do PCC, setor responsável por fazer cumprir regras e resolver conflitos internos da facção. À mulher, reclamava da função, que classificava como “perreco de Zé Polvinho”, expressão usada para se referir a confusões e desavenças consideradas banais.

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Após uma reunião em uma favela de Guaianases, zona leste paulistana, há mais de um ano, ficou decidido que ele assumiria um “cargo na restrita”, acrescentou Claudia.

A Sintonia Restrita é uma célula da facção associada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) ao planejamento de ataques a autoridades, monitoramento de alvos, operações de contrainteligência e execução de diretrizes severas do PCC.

Cerca de três meses antes do depoimento, Golias contou à mulher que havia recebido uma missão. Ao concluí-la, ganharia a chamada aposentadoria do crime.

O criminoso não revelou quem seria o alvo, mas deu uma pista, pedindo para que Claudia assistisse, na Netflix, a uma série sobre Eloá Pimentel, jovem assassinada pelo ex-namorado em 2008. A missão envolveria um dos irmãos dela.

Claudia afirmou que desconhecia o fato de Ronickson Pimentel ser policial e que o marido nunca explicou a importância da missão. Golias seguia foragido até a publicação desta reportagem.

Tiro na nuca

Pimentel foi baleado à queima-roupa enquanto aguardava em um semáforo da Avenida Goiás, na manhã de 27 de junho. Imagens mostram dois homens em uma motocicleta se aproximando do oficial, também de moto. O garupa aponta a arma para a cabeça dele e dispara.

A investigação aponta que os criminosos monitoraram os deslocamentos do tenente antes do ataque, tratado como premeditado.

A motivação permanece obscura. Até o momento, não há confirmação de que alguma conduta de Pimentel tenha motivado a ordem para matá-lo.

Rastro de sangue

Após o atentado, ao menos sete homens foram mortos pela Rota durante buscas por suspeitos. Entre eles, Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como piloto da motocicleta usada no ataque.

Ele morreu em uma suposta troca de tiros com a própria tropa de Pimentel, em Heliópolis. A Polícia Civil foi comunicada horas depois. A morte eliminou uma possível peça-chave para esclarecer a motivação do crime.

Choques elétricos

Claudia também acusou policiais da Rota de torturá-la, em julho, para descobrir o paradeiro de Golias.

Segundo a mulher, os militares entraram no imóvel onde ela estava, aplicaram choques elétricos e a obrigaram a desbloquear o celular com a impressão digital.

Ela afirmou que os policiais responsáveis pelas supostas agressões estavam sem câmeras corporais, diferentemente de outros que chegaram depois. Claudia não apresentava lesões aparentes e recusou o exame de corpo de delito. A acusação de tortura ainda depende de comprovação.

Em outro desdobramento do caso, a Justiça determinou a entrega de imagens das câmeras da Rota após um réu também denunciar tortura durante a investigação do atentado. O prazo para a entrega dos registros vence nessa semana.