Você sabe onde está o barril do Chaves? Era de vinho?

Não!!!!! "Ai que burro! Professor Girafales, dá zero para ele!"

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atualizado 31/07/2019 15:38

Penso em criar uma seção nesta coluna que seria “Dedique um vinho a quem você ama!”. Eu tenho aqui, em minhas mãos, uma carta (sim, ainda existem cartas). Uma carta d’uma leitora que nos escreve e assina com o singelo pseudônimo de “Mariposa Apaixonada do Lago Norte”, com as iniciais L.M.L.C. Ela nos conta que, no dia que o mais feliz de sua vida, seu noivo fugiu, desapareceu, escafedeu-se. E ela hoje se consola assistindo a Chaves e pergunta: “O que aconteceu com o barril do Chaves? Era um barril de vinho?”.

Fui pesquisar e descobri que, segundo informou em 2012 o jornal La Vanguardia, o barril de carvalho francês – a casa do Chaves, interpretado pelo ator Roberto Gómez Bolaños – ficou abandonado durante anos (“mas foi sem querer querendo!”) nos estúdios da Televisa, emissora do programa. Depois, foi adquirido por uma vinícola espanhola.

O nome da vinícola não foi revelado, o que me deixou muito intrigado (não porque comi muito trigo, como diria o Chaves). Gostou da piada? Não! “Tá bom, mas não se irrite! Ninguém tem paciência comigo!”

O barril tem capacidade para 225 litros e foi vendido por 3.251 pesos mexicanos, equivalentes a R$ 650. Calcula-se que foram produzidas 300 garrafas de vinho, vendidas por aproximadamente R$ 175 cada. O professor Girafales poderia perguntar ao Chaves: “Quanto dá 300 garrafas de vinho x R$ 175?”. E este responderia: “Esta eu sabia, mas era com maçãs”.

Achou caro? Não é um vinho para gentalha. Então, faça como o Seu Madruga, sorria e diga: “Posso não ter um centavo no bolso, mas tenho um sorriso no rosto e isso vale mais que todo dinheiro do mundo!”.

Agora, quando professor Girafales chegar para visitar a Dona Florinda, sempre segurando um ramo de flores, e lhe disser “vim lhe trazer este humilde presente”, ela poderá convidá-lo: “Não quer entrar para tomar uma xícara de café? Quero dizer, para tomar uma taça de vinho?”. Com certeza, será um vinho para harmonizar com um sanduíche de presunto… “Isso, isso, isso!”

Se pedissem ao Chaves para descrever o vinho, ele bem que poderia dizer: “O que parece de limão é de groselha e tem gosto de tamarindo. O que parece de groselha é de tamarindo com sabor de limão. E o que parece de tamarindo é de limão com sabor de groselha”.

Vinhos e vinis

Agora, mudando totalmente de assunto, ao escrever na última coluna sobre a relação do vinho com a ópera, arriscando ser considerado muito velho, acabei confessando que já escutei muitos discos de vinil. Como ainda guardo alguns LPs, cogitei até comprar uma dessas vitrolas modernas que aceitam vinil, fita cassete, CD e ainda possuem entrada USB.

Foi aí que lembrei da relação entre o vinil e o vinho, e não é porque eu escutava meus discos tomando vinho.

O vinil é um tipo de plástico criado em 1939, seu nome é um apelido carinhoso de polivinil. É “poli” porque é formado por numerosas moléculas chamadas radicais vinila. Essa molécula foi descoberta em 1863, como um derivado do etileno. E este era obtido através do álcool etílico, que faz parte do vinho.

É bem provável que, ao escolher o nome da molécula, o cientista tenha procurado inspiração em algumas taças de vinho, uma vez que vinil deriva do vinho através do álcool vinílico.

Fiquei até com vontade de escutar um dos meus discos, mas ainda não comprei a vitrola. Ainda bem que tenho o vinho. Me ajuda a me conformar com o som menos encorpado e detalhado das outras mídias.

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SOBRE O AUTOR
Sérgio Pires

Iniciou sua trajetória como enófilo na década de 1970. No final dos anos 1980, passou a estudar sistematicamente o tema e a realizar viagens a vinícolas. Após encerrar a carreira bancária, formou-se sommelier profissional pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-DF/UPIS). Profissionalmente atua como consultor, palestrante, articulista e jurado em eventos de vinho. É diretor da ABS-DF e professor em todos os seus cursos.

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