Prazer: estudo afirma que uso de maconha aumenta libido e chance de orgasmo

A pesquisa foi feita pela sexóloga americana Ashley Manta, que falou com exclusividade ao Metrópoles sobre o tema

oneinchpunch, Istock

atualizado 29/05/2020 10:09

Quando falamos de sexo e cannabis — sim, as duas coisas juntas —, Ashley Manta é uma voz a ser ouvida. Formada em filosofia e com experiência de 12 anos no tema, a sexóloga americana criou, em 2014, o CannaSexual, projeto em que ensina, por meio de workshops, diversos usos da maconha para aumentar o prazer sexual.

Segundo Ashley, o canal e os estudos não são sobre “ficar doida e se jogar na cama”, mas conhecer o próprio corpo e novas descobertas no campo da sexualidade.

A profissional afirma que fumar maconha pode levar a mulher a ter menos dor nas relações sexuais e mais vontade de transar. Mais ainda: “pode dobrar as chances de uma mulher atingir orgasmos em comparação com aquela que não faz uso da erva”.

É o que concluiu o estudo feito pela própria Ashley, publicado em um podcast e em seu site oficial no final de abril deste ano. “É o Viagra das mulheres”, garante.

O estudo analisou entrevistas com 373 participantes usuárias e não usuárias, que responderam a questionários anônimos. As 127 que relataram ter consumido maconha antes do sexo afirmaram que isso influenciou positivamente a experiência, com orgasmos mais intensos, menos dor, mas sem alterações na lubrificação vaginal.

Quanto ao orgasmo, o motivo apresentado para a diferença nos resultados é simples: o uso da maconha reduz a ansiedade, o estresse e a inibição. O prolongamento das sensações de prazer, o aumento da confiança e o desejo de experimentar novas sensações – assim como a intensificação dos sentidos – são fatores determinantes para o resultado, justifica a pesquisa.

Manta sugere que a maconha ativa os neurotransmissores ligados ao prazer. “Essa relação, no entanto, precisa de outros estudos para ser comprovada cientificamente”, frisa. Os benefícios dessa erva milenar incluem ainda o aumento da libido, segundo a sexóloga.

Passado difícil

Embora a americana aborde o tema com leveza, ela própria tem uma história carregada de traumas: foi vítima de abuso sexual e estupro. Ahsley, que viveu os episódios em diferentes épocas, sofreu estresse pós-traumático mais velha, o que refletiu em suas relações sexuais — ela não conseguia mais sentir prazer, apenas dor.

Ao se mudar para a Califórnia, cansada dos tratamentos tradicionais, teve acesso ao uso medicinal da cannabis, o que foi um marco em sua vida. Descobriu também óleos e bombas de banho que relaxam antes e durante a transa, e decidiu pesquisar o tema mais a fundo.

À coluna Pouca Vergonha, Ashley, falou mais sobre o projeto que desenvolve há seis anos e o uso da erva:

Como você descobriu que cannabis e sexo rendiam uma boa combinação?

Quando me mudei da Pensilvânia para a Califórnia, em 2013, e tive acesso à maconha para uso medicinal. Comecei, então, a perceber que havia um grande potencial na erva para ajudar as pessoas sexualmente. A cannabis me auxiliou com minhas próprias questões e, quando comecei a estudar e a compartilhar minhas vivências, descobri que muitas pessoas tiveram experiências semelhantes às minhas.

Você foi vítima de violência sexual e, hoje, diz que a maconha te trouxe felicidade no sexo. Como foi essa mudança?

Sou uma sobrevivente de múltiplos traumas sexuais: na infância, na adolescência e na faculdade. Não gosto de dar detalhes, mas fui abusada quando pequena e estuprada quando mais velha. Depois disso, fui diagnosticada com estresse pós-traumático. Comecei, então, a ter dor durante a penetração, não conseguia relaxar.

Experimentei pomadas anestésicas indicadas pelo ginecologista, mas não funcionou para mim. Então, fui buscar alternativas por conta própria. Passei a usar um óleo sexual com THC para penetração, que me tirou o desconforto. A cannabis medicinal me permitiu gerenciar sintomas como dor e ansiedade.

Quais foram suas descobertas mais interessantes?

Foi um processo que começou com o uso de óleos e bombas de banho [esferas efervescentes] de cannabis. A massagem com o óleo na vulva proporciona um relaxamento para a penetração. O banho também ajuda a relaxar o corpo todo. Isso me ajudou a não sentir mais dor durante o sexo.

Conhecer meu namorado também foi fundamental, faz toda diferença estar com uma pessoa que me respeita, me dá autoconfiança e amor. No começo, quando eu tinha dor, ele parava na hora, e conversávamos muito, sempre. Então, é um conjunto de fatores.

Mas, para quem sente dor quando transa, peço que se trate com algum profissional da saúde, seja ginecologista ou psicólogo. Cannabis é uma ferramenta que ajuda no processo, não a solução para a dor no sexo, por exemplo.

Também é importante dizer que não se trata de fumar e pular na cama e, sim, sentir como a maconha pode te ajudar, entender seus efeitos e escolher o melhor jeito de usá-la.

Qual é a diferença entre o sexo com e sem cannabis?

Varia de pessoa para pessoa, e também depende de como a maconha é consumida, o quanto, qual tipo. Em termos gerais, estudos têm sugerido que o uso de cannabis pode levar a maior excitação, possibilidade maior de orgasmo, aumento da lubrificação, redução de dor e de ansiedade.

Na minha experiência, a cannabis aumenta as sensações que te levam ao orgasmo, te deixa mais conectada ao parceiro. É como se o caminho para o orgasmo se tornasse mais acessível.

Na sua opinião, além da cannabis, o que pode ajudar nessa busca pelo prazer, já que nem todo mundo pode se interessar pelos produtos ou a erva?

A cannabis é apenas uma ferramenta em uma caixa enorme, que guarda muitas formas de prazer. Todas nós precisamos conhecer nossos próprios corpos, sermos capazes de dizer o que queremos e defendermos nossas necessidades, independentemente de consumir maconha ou usar os produtos.

Masturbação, por exemplo, é crucial para saber como você sente prazer e poder falar isso para o seu parceiro. Brinquedos sexuais também são legais. Sempre uso vibrador para me masturbar. Tem quem goste de dildos, grampos nos mamilos, plugs anais… Encorajo as pessoas a explorarem, experimentarem e descobrirem o que tem mais a ver com elas.

Últimas notícias