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De cada 10 mães, 11 já sofreram com o sono das crianças. Ou melhor, com a falta dele. A menos que você seja uma pessoa muito sortuda – daquelas que a gente tem vontade de bater quando contam “meu filho dorme a noite inteira desde o primeiro mês”. Em algum momento, seu bebê vai chorar, espernear e ficar acordado por muitas horas, desafiando a sanidade da família inteira.

Na busca pela paz doméstica, muitas mães e pais têm recorrido ao trabalho das chamadas consultoras de sono: profissionais que organizam o cotidiano da casa, estabelecem rotinas e propõem intervenções para fazer com que crianças durmam a noite toda. As abordagens são diversas – em alguns casos, questionáveis, como a que sugere deixar os bebês chorando, sozinhos, no quarto, até dormirem.

Há, entretanto, propostas mais “humanizadas”. Foi uma delas que atraiu a servidora pública Fernanda de Oliveira, 34 anos, mãe de Aurora, de 1 ano e 7 meses. “Meu maior medo era impor qualquer tipo de sofrimento ou sensação de abandono à minha filha”, conta Fernanda, que teve o acompanhamento de uma profissional por dois meses.

“Eu me preparei para várias coisas, para o parto, para o puerpério, para a amamentação, mas não estava pronta para a questão do sono, que foi o maior desafio da maternidade até agora”, diz ela. Com a ajuda da consultora, Fernanda conseguiu fazer o desmame noturno e ensinar Aurora a pegar no sono sozinha – tudo aos poucos, com rituais e com intensa participação do companheiro, que passou a responsável por acolher a menina durante a madrugada.

Mas, afinal, o que essa profissional faz? Por que é diferente do que tentamos fazer sozinhos com os filhos?

A consultora Lívia Praeiro explica que o primeiro passo é uma anamnese, para entender a dinâmica de cada família. Depois, é feita uma reunião (on-line ou presencial), para que a profissional compreenda qual é a questão chave da criança, o que é decisivo para que as noites sejam tão ruins. “Em alguns casos, é o ambiente, as luzes. Em outros, a falta de horário, ou a relação entre sono e amamentação”, exemplifica.

Arquivo Pessoal

Lívia esclarece que, durante todo o processo, a família recebe muita informação e que não há um método pronto, com prazos fechados. “Eu percebo que a consultoria não foca ‘só’ na questão do sono. Ela aborda uma série de coisas que nem eu, nem meu companheiro, nem minha mãe saberíamos repensar”, opina a tradutora Valeuska de Vassimon, 34 anos, mãe de Nina, de 1 ano e 4 meses. A família dela está sendo acompanhada por Lívia há cerca de um mês.

Logo na segunda noite, Nina dormiu 11 horas seguidas. Eu achava que estava vivendo um milagre, juro. Não acreditei que pudesse ser tão simples, até me senti meio mal por não conseguir fazer isso sozinha."
Valeuska de Vassimon

Segundo Lívia, hábitos gerais podem ajudar a melhorar a rotina do sono das crianças: o ambiente escuro (sem luzinhas, ainda que fracas); a presença de um ruído branco (som de ventilador, de natureza, entre outros) e a “entrega” total dos pais à criança (mesmo que o tempo juntos seja curto) são algumas das medidas que podem contribuir para noites mais tranquilas.

O papel da consultora, entretanto, extrapola isso e garante que a família se sinta segura para conduzir o aprendizado do sono. “Se eu trago informação para a mãe e o pai, se eles têm certeza do que estão fazendo, fica muito mais fácil respeitar os combinados e as rotinas”, diz. “Essas coisas garantem que a família toda fique mais descansada e que aproveite melhor o tempo juntos.”



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