A Fazenda: síndrome de Borderline de Raíssa faz web questionar limites do reality

Raíssa tem Transtorno de Personalidade Limítrofe e diversas pessoas questionaram se a peoa não deveria ter ajuda psicológica no reality

atualizado 17/09/2020 17:26

Raissa barbosa Reprodução

A ex-vice-Miss Bumbum Raissa Barbosa teve um momento de surto após o episódio de terça-feira (16/9) do reality A Fazenda chegar ao fim. Isso porque a peoa recebeu oito votos na Roça e ainda foi indicada diretamente para a berlinda, sem chance de passar pela Prova do Fazendeiro. Raíssa perdeu a paciência e, depois de socar o travesseiro e desabafar com outras participantes, foi questionar o voto de alguns dos homens que a elegeram para a roça. Durante a discussão rápida, a modelo chegou a jogar um copo d’água no cantor Biel.

Após o episódio, o perfil oficial que representa a modelo se pronunciou dizendo que ela sofre de síndrome de Borderline, também conhecida como Transtorno de Personalidade Limítrofe. “O indivíduo com Transtorno Bordeline apresenta instabilidade afetiva devida a acentuada alteração do humor acompanhada de irritabilidade ou ansiedade. Apresentam dificuldade para adaptar-se em situações de vida adversas podendo experimentar acontecimentos de vida normal como estranhos , ameaçadores e persecutórios”, afirmou a psicológa Rosangela da Silva.

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Ainda de acordo com a psicóloga, são situações estressantes que podem levar o indivíduo a estourar. “Nesse momento, a pessoa sabe que está prestes a estourar, ou seja, entrar em crise. Suas emoções e seus atos estão fora de controle. Esses comportamentos são observados após algum problema pessoal muitas vezes representado pela sensação de rejeição”, disse.

Na Fazenda, Raíssa mostrou exatamente o explicado pela especialista. “Eu fui bombardeada. Estou jogando com o coração. Não estou jogando igual esse povo. Desde o começo estou sendo metralhada. Sou impulsiva, não é para causar. Quero ficar longe de todo mundo, porque tenho medo das minhas atitudes. Estou surtando. Estou cega, não estou vendo ninguém na minha frente!”, disse a peoa durante o surto.

A fala da peoa, segundo a psicóloga, demonstra que ela tem consciência dos sinais que a doença apresenta e ao verbalizar que “tem medo de suas próprias atitudes” é uma especie de pedido de ajuda. “É comum o indivíduo com transtorno Borderline evitar contatos e até adotar comportamentos retraídos como forma de proteção dos sintomas. Entretanto isso falha na oportunidade em que se vê confrontado numa situação em que terá que exercer uma atitude contrária à sua zona de conforto”, conta.

Reações

A internet ficou estarrecida e preocupada com a reação de Raíssa. “Estou naquela linha tênue entre continuar me divertindo muito ou torcer para que entre logo uma equipe de paramédicos”, escreveu Chico Barney no Twitter. “Já não sei mais se deveria me divertir com isso que tá acontecendo”, completou. Além do influenciador, várias pessoas começaram a postar relatos sobre como é viver com Borderline.

“Megaimportante que as pessoas parem de satirizar as crises da Raíssa e tratar como frescura. Eu fui diagnosticada com TPB (transtorno de personalidade borderline) há 4 anos e isso afeta em inúmeras questões na minha vida. Parem de banalizar sofrimento alheio”, escreveu a ativista e criadora de conteúdo Alina Durso. 

Vários outras manifestações pediam a interferência do programa na casa. “A Raíssa tem borderline e por mais que as meninas tentem ajudar só um profissional pra conseguir desfazer os nós da cabeça dela. E NÃO ENTRA NINGUÉM NESSA PORRA DESSA CASA! QUE INFERNO!”, desabafou a criadora de conteúdo Luana Carvalho. A única pessoa que conseguiu controlar Raísa foi Jojo Todynho.

Jojo sentou a peoa, segurou firme na cabeça de Raíssa e pediu calma. “Aqui todo mundo vai (para a Roça). Você é mãe, tem um menino lá fora que pode estar te assistindo. Isso não é legal. Fora daqui existe vida, compromissos”, disse a colega de confinamento.

Procurada, a Record TV não se pronunciou sobre o caso nem revelou se há psicólogo disponível para os peões.

Tratamento

O tratamento do transtorno de Borderline deve ser analisado caso a caso. “O tratamento é subjetivo, pois depende do momento em que o paciente está vivendo. Cada profissional da área de Saúde mental terá uma conduta individualizada para cada caso”, afirmou a psicológa.

É importante lembrar que, nestes casos, é preciso ter empatia para com o paciente e  apesar de se tratar de um reality show, uma doença não pode ser tratada como entretenimento.

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