Só há um tipo de deputado honesto: o que não usa fundo partidário

O dinheiro não vai para os “partidos” – vai, na prática, para as pessoas que mandam neles

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 27/11/2019 16:45

Os parlamentares brasileiros estão fazendo um “esforço concentrado”, como eles próprios chamam as suas tentativas mais agressivas de aprovar com rapidez alguma coisa – em geral, alguma coisa da qual vão tirar proveito material imediato.

Como se sabe, o Congresso Nacional, uma das nossas “instituições”, roubou dos cidadãos deste país, em plena luz do dia, uma montanha de dinheiro para distribuir entre “os partidos”, com a desculpa velhaca de que precisam de recursos do erário público para pagar as despesas que têm de fazer no exercício da atividade política.

É o infame “Fundo Partidário”. Na melhor das hipóteses, iriam meter a mão em 1,7 bilhão de reais. O governo tenta segurar o valor do assalto em 2 bi. Os deputados estão querendo mais de 4, simplesmente o dobro, para o ano que vem.

Não há uma única coisa em toda essa história que seja verdadeira. O dinheiro não vai para os “partidos” – vai, na prática, para as pessoas que mandam neles.

É falso que, ao saquear dinheiro público, os políticos estejam evitando a extorsão de dinheiro privado para pagar suas campanhas eleitorais e outros gastos; vão fazer as duas coisas ao mesmo tempo, apenas isso.

Os recursos do “Fundo Partidário” não se destinam a pagar despesas legítimas (vá lá) da ação política – os parlamentares querem usar esses bilhões para virtualmente tudo, do pagamento de diárias de motel a honorários de advogados criminalistas para defendê- los em seus processos na justiça.

Quer saber quem são as pessoas honestas e quem são as desonestas no Congresso brasileiro? É muito fácil. Honesto, de verdade, só há um tipo: o que se recusa a usar a verba do “Fundo”.

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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