Pessoas pagam por suas decisões ruins. E também pelas do governo

O erro do apresentador Gugu foi uma tragédia pessoal e familiar. No mundo dos governos, os preços são compartilhados com a sociedade

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 27/11/2019 10:13

O apresentador de televisão Gugu Liberato, um dos astros do mundo do entretenimento no Brasil, morreu dias atrás nos Estados Unidos após sofrer um tombo em sua residência. A causa da morte, oficialmente, foi traumatismo craniano em sequência à queda de uma altura de 4 metros. “Negativo”, diz o dr. Carlos Sperandio, geriatra em Curitiba.

“Gugu morreu de decisão errada”, escreveu ele na internet. “Acreditou ter condições físicas e cognitivas para subir em um lugar perigoso e negligenciou o risco de queda”.

Erros na tomada de decisões e quedas, segundo o dr. Sperandio, são dois dos principais fantasmas da geriatria – e grandes causadores de mortes entre pessoas idosas (consideradas a partir dos 60 anos de idade, faixa etária de Gugu, segundo a legislação brasileira). Fica o recado.

O erro do apresentador foi uma tragédia de ordem pessoal e familiar. Mas é especialmente cruel constatar, nessas horas, a diferença de preço que é paga pelos erros privados e pelos erros públicos.

Gugu pagou sua decisão errada com a própria vida. No mundo dos governos, das autoridades constituídas e de todos os que são pagos para decidir as questões da sociedade, o preço a pagar pelos erros é zero em quase 100% dos casos, por mais destrutivos que sejam.

“É difícil encontrar uma maneira mais estúpida de se tomar decisões do que entregá-las a pessoas que não vão pagar nada se elas derem errado”, diz o pensador americano Thomas Sowell. Perfeito, professor. Eis um retrato maravilhoso de como as coisas funcionam neste país.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Metrópoles

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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