Banqueiros estão sofrendo nas mãos de Bolsonaro

Saudades do PT nessa gente toda? Com certeza. É um dos motivos pelos quais andam tão horrorizados com “as ameaças à democracia”

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 02/12/2019 11:13

Talvez ainda seja cedo demais para dizer, mas parece que a vida começa a ter complicações para os horríveis banqueiros e para os ainda mais horríveis “rentistas”, essa espécie de fungo maligno que se multiplica em torno deles.

Durante quase a vida inteira, uns e outros foram denunciados pelos “economistas de esquerda” como a maior desgraça deste país – ou o Brasil acabava com eles, ou eles acabavam com o Brasil, como a saúva, a verminose e a preguiça do Jeca. Misteriosamente, a partir de 1º de janeiro de 2003, essa conversa parou por completo. Lula, o PT e os seus intelectuais orgânicos assumiram o governo – e durante os treze anos e meio em que a esquerda mandou no Brasil, jamais, em toda a história nacional, os banqueiros e os rentistas ganharam tanto dinheiro nem os juros foram tão altos.

Mas, agora, com a direita no poder, parece que “a elite financeira” não está gostando nem um pouco do que o governo tem feito. A coisa, para ela, ficou positivamente mais dura.

A taxa de juros está a 5% ao ano – o seu nível mais baixo desde que foi iniciado o acompanhamento oficial da sua evolução, 33 anos atrás. Os juros cobrados pelos bancos na operação de agiotagem que chamam de “cheque especial” foram limitados – agora, não podem passar de 150% ao ano. Ainda assim, isso é mais do que o dobro do exigido por qualquer bom agiota da praça.

As taxas dementes pagas pelo cliente no “parcelamento” das faturas de cartão de crédito também podem vir a sofrer limitações. Em consequência da diminuição real do seu rendimento, muito dinheiro colocado em aplicações financeiras tenderá a se encaminhar para investimentos em outras áreas da economia. É tudo ao contrário do que “a direita” deveria estar fazendo; é exatamente o que deveria ter feito a esquerda tão angustiada com a “desigualdade” e a “concentração de renda”.

Bobagem, é claro. O governo está apenas seguindo a lógica capitalista, enquanto seus antecessores seguiam a ideologia de forrar os próprios bolsos – entregando para isso o país a banqueiros, empreiteiras de obras públicas e empresários alimentados pelo Tesouro Nacional.

Saudades do PT nessa gente toda? Com certeza. É um dos motivos pelos quais andam tão horrorizados com “as ameaças à democracia” e aplaudem o ministro Antônio Dias Toffoli quando ele diz, em público, que o combate à corrupção não pode atrapalhar o desenvolvimento

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