Valparaíso de Goiás testará sistema do TSE que permite votar pela internet

Tribunal Superior Eleitoral escolheu três cidades brasileiras para verificar plataforma experimental que poderá ser usada futuramente

atualizado

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Daniel Ferreira/Metrópoles
Eleições 2016 urna eletrônica
1 de 1 Eleições 2016 urna eletrônica - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Situado no Entorno do Distrito Federal, Valparaíso de Goiás foi uma das três cidades escolhidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o teste de um sistema que vai permitir, futuramente, que o cidadão consiga votar pela internet.

A ideia inovadora foi revelada na segunda-feira (28/9), após a Corte Superior publicar um chamamento público para que empresas da área de tecnologia apresentem plataformas virtuais que poderiam vir a ser utilizados nos pleitos seguintes ao de novembro, quando os brasileiros devem escolher prefeitos, vice e também vereadores municipais.

O município vizinho tem uma população estimada em 172.135 pessoas. Além da cidade goiana, Curitiba (PR) e São Paulo (SP) também estão entre as localidades com a possibilidade de avaliar mais um avanço tecnológico para a escolha de futuros representantes nos poderes Executivo e Legislativo, municipais, distritais, estaduais e até nacionais.

A ideia é conseguir encontrar uma ferramenta segura capaz de transmitir a decisão de cada eleitor a partir do telefone celular, por exemplo, sem precisar sair de casa. O novo sistema não vai valer para a disputa deste ano, mas é mais uma tentativa da Corte eleitoral para ampliar a participação de eleitores no processo de escolha de seus representantes. O objetivo é também encontrar formas de reduzir custos do processo eleitoral, a exemplo de experiências de outros países.

As companhias que se habilitarem poderão montar uma estrutura dentro de locais de votação, em espaços abertos e com ampla circulação. Os eleitores dessas cidades estariam livres para experimentar os sistemas a partir dos próprios smartphones. Os testes não terão qualquer relação com as escolhas oficiais de prefeitos e vereadores que acontecerão neste ano.

Para que não haja quebra do sigilo do voto, as demonstrações terão candidatos e partidos fictícios e não haverá compartilhamento de dados eleitorais com as empresas que se oferecerem para apresentar suas tecnologias. As interessadas deverão manifestar o interesse ao TSE entre 28 de setembro e 1º de outubro. Em seguida, haverá uma série de reuniões com a equipe técnica da Corte.

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A urna eletrônica vem sofrendo diversos ataques em relação à sua credibilidade desde as eleições de 2018
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O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ressalta que não há demonstração de fraude em razão do uso das urnas eletrônicas
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O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ressalta que não há demonstração de fraude em razão do uso das urnas eletrônicas

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A urna eletrônica vem sofrendo diversos ataques em relação à sua credibilidade desde as eleições de 2018
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A urna eletrônica vem sofrendo diversos ataques em relação à sua credibilidade desde as eleições de 2018

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TSE/Divulgação
Grupo de trabalho

Com isso, a partir da experiência nas eleições de novembro próximo, o TSE pretende debater estratégias para eventuais mudanças no sistema brasileiro de votações. Na Corte eleitoral há um grupo de trabalho que se dedica a estudar novas tecnologias para modernizar o processo. Conforme o tribunal informou nesta segunda (21/9), porém, não é possível dizer se ou quando um novo tipo de procedimento será implementado.

No TSE, as estratégias para inovar com sistemas de participação passam obrigatoriamente pela preservação de três critérios: segurança, sigilo e eficiência. As urnas eletrônicas historicamente cumprem esses requisitos de forma satisfatória. No entanto, as máquinas demandam custos elevados de manutenção, substituição e de logística, por conta dos envios aos rincões do Brasil.

“Mesmo que, em um primeiro momento, os eleitores continuem a ter que comparecer às seções eleitorais, para a proteção do sigilo, só a economia de centenas de milhões de reais com a substituição de urnas já representa um grande ganho. Nós estamos em busca de inovações, mas sem abrir mão do controle do sistema e do processo eleitoral, que continuará sob o comando do TSE”, informou, em nota, o tribunal presidido pelo ministro Luís Roberto Barroso.

México e Estônia já adotam o sistema de votação online

Caso o Brasil venha a permitir o voto online, não será pioneiro. O coordenador-geral da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), Marcelo Weick Pogliese, afirma haver experiências bem-sucedidas em alguns municípios do México e na Estônia, por exemplo. O país europeu é considerado um paradigma de democracia e governo digital. Em 2007, os estonianos foram os primeiros a fazer uma eleição geral pela internet.

“O Brasil, por exemplo, não faz tantos plebiscitos e referendos, sob o pretexto de que é caro demais. Pela internet, nos municípios, poderíamos melhorar formas de consulta popular. É óbvio que nada será transformado da noite para o dia, mas o legal é que o TSE está tendo essa preocupação com o futuro. Em tese, você permite outras formas de acesso”, disse Pogliese.

Com uma tese de doutorado que se debruçou sobre votações digitais, o coordenador da Abradep afirma que é possível manter a segurança das eleições. Há uma série de alternativas tecnológicas que podem equiparar o nível do sigilo do voto pela internet, a partir de casa, com o da urna eletrônica. Como exemplo, ele cita o mecanismo que sempre vai considerar o último voto do eleitor. Dessa forma, uma escolha feita eventualmente sob coação poderia ser facilmente revista mais tarde, em segredo. Outra saída seria limitar um voto por dispositivo.

“Teríamos que ter um conjunto de cuidados. Não defendemos que se acabe com o voto presencial, com a urna eletrônica. Mas defendemos que o voto eletrônico seja uma alternativa”, afirmou o especialista.

A Abradep formalizou ao TSE, em maio, pedido para que a Corte considerasse a opção. Em relatório, destacou que o Comitê de Ministros do Conselho Europeu aprovou recomendação, em 2017, com princípios e padrões de respeito ao sufrágio universal, igualdade, liberdade do sufrágio, o sigilo do voto, transparência, auditabilidade, integridade e segurança do sistema. É um tema que já está colocado no mundo em virtude da maneira como os cidadãos interagem com dispositivos eletrônicos para as mais complexas tarefas diárias.

“Como se ainda não bastasse, a consolidação das tecnologias de comunicação e informação no cotidiano das pessoas tende a aumentar o estranhamento de eleitores mais jovens com o modelo atual. Por que não votar pela internet se posso fazer tudo pela internet Talvez essa pergunta não ocorra às gerações mais antigas, mas certamente faz sentido a uma fatia crescente do eleitorado”, destaca o “Caminhos para as eleições brasileiras em meio à pandemia”, lançado este ano pela entidade.

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