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“Quem vai pagar?”, dispara vice-presidente da CNC após novas restrições no Piauí

Valdeci Cavalcante acumula cargo de presidente da Fecomércio estadual e criticou duramente o governador piauiense pela atuação na pandemia

atualizado 27/01/2021 19:35

Reprodução / YouTube

O vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Valdeci Cavalcante, que acumula o comando da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Piauí (Fecomércio-PI), disparou críticas nesta quarta-feira (27/1) contra o mais recente decreto do governador piauiense Wellington Dias (PT) para estancar o avanço da Covid-19 no estado. A norma prevê a restrição do horário para o funcionamento de lojas, bares, restaurantes, casas de show e, inclusive, shoppings piauienses.

Em conversa com a coluna Janela Indiscreta, Cavalcante conclamou os prefeitos do estado a “cruzarem” os braços contra a decisão “autoritária” do chefe do Executivo estadual e que “prejudica justamente quem nunca recebeu benefícios do governo federal e estadual”.

As acusações também foram registradas em vídeo que circula na internet (veja abaixo). A reportagem tenta contato, sem sucesso, com a assessoria do governador piauiense. O espaço está aberto para manifestações.

Decreto 19. 445 Estado – Medidas Restritivas (3) by Metropoles on Scribd

Regras

A norma foi originalmente editada na última terça-feira (26/1), mas a reação negativa do setor fez com que um novo texto fosse publicado com horários mais flexíveis.  Pelo decreto, atividades que geram aglomeração estão suspensas, incluindo eventos culturais e atividades esportivas, bem como funcionamento de casas de shows, boates e eventos, com ou sem venda de ingresso. Além disso, bares e restaurantes só podem funcionar até às 23h, sem música ao vivo ou mecânica.

O comércio geral terá de fechar as portas às 17h e o horário dos shoppings passa a ser das 12h às 21h. O texto também suspende o ponto facultativo durante o Carnaval e a permanência de pessoas em espaços públicos “fica condicionada a estrita obediência dos protocolos sanitários”, de acordo com o Diário Oficial do Piauí.

“Depois que entramos nessa briga, o governador refez o decreto. Melhorou um pouco, mas quem vai pagar por essas horas não trabalhadas? Desde o início da pandemia, não tivemos acesso a nada. Os auxílios criados pelo governo Bolsonaro só chegaram aos trabalhadores. O ministro Paulo Guedes ecoou que facilitaria empréstimos para o empresariado, mas nunca saiu do papel. O banco só empresa prata para quem tem ouro e todo o setor está endividado”, disparou Cavancante.

Veja o vídeo:

Campanha presidencial

O vice-presidente da CNC criticou também a atuação de Wellington Dias durante a pandemia e acusa o petista de direcionar ações apenas com vistas à possível campanha presidencial do ano que vem. No estado, conforme dados desta quarta-feira, um total de 156.149 já foram infectadas pelo novo coronavírus. Desses, pouco mais de 3 mil foram a óbito.

“O governador fez hospitais de campanha e imediatamente fechou todos, quase não atendeu ninguém. Como fez aquelas tendas, primeiro traz gente de Manaus (AM) e, agora, quer mandar nossas vacinas para outros estados. No ano passado, o governador mandou prender e algemar o empresário daqui”, disparou.

Segundo Valdeci Cavalcante, 65% dos leitos destinados à Covid-19 no estado foram desativados. “Olha, os 25 leitos do Hospital Universitário, que é federal, ele deu para pacientes de Manaus. Saíram nove e estão chegando mais 15. Ele não está fazendo por ser solidário ou pela sensibilidade social: faz isso de olho nas eleições presidenciais e vem fazendo média”, acusou.

O líder do segmento lembrou que, por decisão do Supremo Tribunal Federal, os municípios não precisam acatar as ordens estabelecidas pelas áreas federal ou estadual. “O novo prefeito de Teresina não vai determinar o fechamento do comércio. Os prefeitos não vão colocar a vigilância sanitária e a guarda municipal contra quem precisa trabalhar”, avaliou.

De acordo com a Fecomércio, no Piauí há mais de 254 mil empresas de bens, serviços e turismo. Dessas, 99% são comandadas por micro e pequenos empresários, grande parte com dívidas em instituições bancárias e até mesmo com agiotas.

“Decide fechar no atual mês quando estamos sufocados, com a venda 50% menor que a registrada em novembro. Quem vai pagar essa conta? E as folhas salariais?”, esbravejou Valdeci Cavalcante.

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