Mais duas suspeitas de reinfecção por Covid-19 são registradas no DF

Os casos ocorreram com uma agente comunitária e uma fonoaudióloga da Secretaria de Saúde. Pasta nega confirmação oficial

atualizado 14/11/2020 9:45

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Há pelo menos dois casos suspeitos de reinfecção de Covid-19 registrados entre servidores da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Embora não haja confirmação oficial, os episódios ocorreram com uma agente comunitária lotada na Unidade Básica de Saúde 3 de Taguatinga e também com uma fonoaudióloga da Gerência de Serviços de Atenção Secundária da pasta.

No primeiro caso suspeito, sob a condição de anonimato, a servidora contou ao Metrópoles ter realizado os testes RT-PCR (com coleta de secreção do nariz) após apresentar, em dois momentos diferentes, sintomas similares aos do novo coronavírus.

“Fiz o primeiro exame em junho após ter diarreia, mal estar e dor de cabeça. O resultado do swab foi positivo e precisei me afastar. Depois, no fim do mês de agosto, tive novamente os sintomas, só que dessa vez agravados por uma febre, quando me convenceram a realizar um novo teste. Para minha surpresa, voltou a dar positivo e tive que homologar novamente o atestado”, afirmou.

No outro registro, a fonoaudióloga relatou também ter recebido dois resultados positivos para o Sars-Cov-2 em momentos diferentes, o que caracterizaria uma possível reinfecção da doença. Após a primeira vez, a servidora decidiu tratar das sequelas causadas pela doença, quando passou a ter novos sintomas, mesmo depois de curada.

“Iniciei minhas férias laborais e precisei começar o tratamento para sequela da Covid no ambulatório para sequela pós-Covid. Fui à primeira consulta dia 20/10/20 e no dia 22/10/20 tive sintomas de gripe, que pioraram no dia seguinte. No dia 26/10/20, [o exame] confirmou ser uma reinfecção por Covid”, escreveu a servidora em despacho direcionado à chefia imediata.

Veja os testes:

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Protocolo

Os exames realizados pelas duas servidoras utiliza técnicas de biologia molecular para detectar se o vírus Sars-CoV-2 está presente no corpo no momento da coleta. É considerado “padrão-ouro” para diagnóstico e indicado para quem está com sintomas da doença.

O Ministério da Saúde considera como caso suspeito o paciente com dois resultados positivos de RT-PCR em tempo real para o vírus Sars-CoV-2, com intervalo igual ou superior a 90 dias entre os dois episódios de infecção respiratória, independentemente da condição clínica observada nos dois episódios.

De acordo com o órgão federal, para comprovar uma nova contaminação, foi criado um rigoroso protocolo. A medida ocorre porque, cientificamente, há risco de o vírus ser o mesmo, podendo estar incubado e ter voltado à atividade no organismo.

Casos não confirmados

Procurada, a Secretaria de Saúde nega haver confirmações oficiais de reinfecção da doença no Distrito Federal. Em nota, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep/SVS) informou que, seguindo as orientações do Ministério da Saúde para casos suspeitos de reinfecção da Covid-19, no DF deverão ser enviadas as fichas de notificação do caso suspeito digitalizadas e um relatório de investigação do caso para o e-mail do órgão.

“A investigação de casos suspeitos de reinfecção pelo vírus Sars-CoV-2 depende do encaminhamento para os laboratórios de referência nacionais das respectivas amostras biológicas”, registrou a pasta.

Segundo o setor responsável pelas notificações, “a unidade pública ou privada que constatar que o paciente suspeito de reinfecção possui duas amostras positivas, conforme critérios do Ministério da Saúde, deve fazer a notificação e encaminhar as duas amostras para o Lacen-DF, que as enviará para um dos laboratórios referências no Brasil: Fiocruz/RJ, Instituto Adolfo Lutz ou Instituto Evandro Chagas. Após as devidas investigações epidemiológicas e laboratoriais, o resultado será informado via Ministério da Saúde”.

HFA

Nesta sexta-feira (13/11), o Metrópoles revelou com exclusividade que o Distrito Federal pode estar prestes a ter o primeiro caso de reinfecção por Covid-19 confirmado. Testes de um médico do Hospital das Forças Armadas (HFA) recebidos pela reportagem indicaram que o servidor voltou a ter resultado positivo para a doença cinco meses após ter sido considerado livre do vírus.

De acordo com os exames, o médico teve a confirmação de Covid-19 em 2 de junho. Após duas semanas, realizou novo teste, que não detectou mais a presença do vírus. Assim, o servidor voltou a trabalhar normalmente.

Em agosto, o profissional de saúde sentiu-se mal outra vez. Estava com sintomas parecidos com os relacionados ao novo coronavírus. Uma nova verificação foi feita e o resultado do exame deu negativo.

No início de novembro, no entanto, o homem apresentou novo mal-estar. Sem olfato, com tosse e se sentindo muito cansado, o médico foi submetido a mais um teste para detecção da Covid-19. E novamente o resultado foi positivo para a doença. O servidor está afastado do trabalho e se recupera em casa.

A identidade do médico também não foi revelada para garantir sua privacidade.

Veja a sequência de exames do servidor do HFA:

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Caso em Aracaju (SE) deve ser o primeiro do Brasil

Os casos de reinfecção pelo coronavírus levantam dúvidas sobre quanto tempo dura a imunidade à doença. Essa é uma das questões mais importantes tanto para o desenvolvimento de vacinas como para as medidas que deverão ser seguidas para controlar novas ondas da Covid-19. Até agora, apenas cinco casos de reinfecção foram comprovados no mundo: em Hong Kong, Bélgica, Holanda, Equador e Estados Unidos.

A comprovação se dá por uma comparação entre o código genético do vírus da primeira infecção e o da segunda – caso sejam diferentes, está confirmado que o paciente pegou a Covid-19 duas vezes. A dificuldade de cientistas para comprovar suspeitas se dá justamente porque, em boa parte das vezes, o material genético não é preservado, o que dificulta a comparação.

O primeiro caso de reinfecção de Covid-19 comprovado no Brasil será enviado para avaliação e publicação pela revista científica The Lancet, uma das mais importantes da área. A paciente é uma técnica de enfermagem de 40 anos, de Aracaju (SE), que teve dois resultados positivos para o coronavírus com 54 dias de intervalo. Ela apresentou sintomas leves e não precisou ser internada.

As amostras genéticas foram sequenciadas pelo virologista Gubio Santos e analisadas por uma equipe da Universidade Federal da Bahia (UFBA) – o vírus da segunda infecção era de uma linhagem diferente e passou por seis mutações.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, outros 95 casos de reinfecção estão sendo investigados, mas as equipes de pesquisa têm dificuldades em encontrar as amostras da primeira infecção, uma vez que são frequentemente descartadas pelos laboratórios. Apenas 14 exames foram recuperados.

Apesar de não ser um consenso entre os especialistas, a análise genética dos vírus é uma condição para publicação em periódicos científicos. Além de não conseguir acesso aos exames, outro entrave para o desenvolvimento da pesquisa é que poucos centros de saúde possuem a tecnologia necessária para fazer o sequenciamento do Sars-Cov-2, o vírus da Covid-19.

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