Emojis de Joice e Carlos Bolsonaro servem como prova na Justiça

Troca de ofensas por meio de símbolos de porco e veado foi protagonizada pelos ex-aliados após o PSL do presidente entrar em profunda crise

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 27/10/2019 18:53

Embora tenham sido por meio de emojis, a troca de farpas protagonizada no Twitter pela ex-líder do Governo no Congresso Nacional Joice Hasselmann (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) pode servir de prova se por ventura o caso for parar na Justiça. Os desenhos criados para ilustrar publicações já foram usados como evidências em processos judiciais no Brasil, tanto para acusações quanto para a defesa, segundo informa a BBC Brasil.

Conforme pontuou a agência de notícias, os símbolos já integram ações formais de assédio sexual, injúria racial e ameaça de morte. Levantamento acadêmico nos Estados Unidos identificou uma disparada de processos com citações a emojis — somente em 2018, foram encontrados 38.

No caso específico da crise entre ex-aliados do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o vereador fez uma publicação com os ícones de porco, galinha, cobra e rato. Como resposta, a deputada federal tuitou a ilustração de um veado e de ratos. Pela lógica, Carlos Bolsonaro fez comentário gordofóbico contra a congressista, enquanto a parlamentar pode ser acusada de homofobia, já que uma das imagens insinua a suposta orientação sexual do filho presidente da República. Ela reconheceu publicamente o “excesso” após o episódio.

Reprodução / Twitter
Carlos Bolsonaro e Joice Hasselmann trocam ofensas por meio de emojis: ataques são usados como provas na Justiça

 

Injúria racial

Além de reforçar argumentações e testemunhos, os ícones podem também estar no centro das acusações. A figura de uma banana, por exemplo, serviu para condenar um réu por racismo na cidade de São Paulo. Nesse caso, o emoji da fruta foi compartilhado ao lado da foto de um homem “com o intuito de associar a vítima a um macaco, em razão da raça negra”, considerou um juiz.

O rapaz acusado admitiu em juízo que o desenho foi enviado a uma amiga, mas em outro contexto. Segundo o acusado, foi em referência a “um apelido utilizado por ambos desde a infância” e sustentou que a montagem racista foi fraudada por alguém com intuito de prejudicá-lo. Contudo, a pena de um ano de prisão pela injúria racial chegou a ser aumentada em um terço pelo juiz porque foi “veiculada por um meio que facilita a divulgação de mensagens, no caso, o aplicativo WhatsApp”. O réu recorre em liberdade.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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