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A intensa investida de políticos locais para ensaiar grandes alianças pode ser aniquilada momentos após a oficialização das coligações entre as chapas presidenciais. A vontade dos caciques nacionais prevalecerá sobre as negociações menores. O anúncio vai embaralhar o tabuleiro do certame do Distrito Federal.

Os casos mais emblemáticos são os do PDT e do PSB. Sem candidato à Presidência da República até o momento, os socialistas tentam uma aproximação nacional com os pedetistas. Se realmente a sigla não lançar a candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa (PSB), o partido pode apoiar a campanha de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto. O cenário obrigará, por exemplo, o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), a voltar a dar as mãos ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB), a quem declara ser opositor.

Valle não quer mais concorrer ao Palácio do Buriti. Prefere disputar o Senado Federal na chapa do ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR). O PDT, contudo, reluta. Joe não aceita a possibilidade de renovar apoio a Rollemberg e cogita até mesmo deixar a política, caso seus desejos não sejam atendidos. Pedetistas ignoraram a ameaça e pretendem montar palanque local para Ciro Gomes. Já o PR pode ser obrigado a caminhar junto com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) – a legenda indicará o vice na chapa ao Palácio do Planalto.

Na mesma esteira de dificuldades, a Rede no Distrito Federal também sofre com a indefinição. Com a desistência de Joe Valle (PDT) de disputar o Buriti, o distrital Chico Leite (Rede) ocupou um hiato deixado com a indecisão pedetista. Leite deve ser lançado à corrida pela sucessão de Rollemberg e poderá atrair siglas desconfortáveis ao se unir a nomes já ventilados. Para analistas, a medida agregaria ao menos oito partidos que hoje orbitam em alianças fora do campo ideológico, além das outras legendas ainda não contempladas com o espaço dado dentro das atuais costuras.

A ideia é também garantir palanque para ajudar Marina Silva (Rede) a chegar ao Planalto. Tendo em vista o discurso afinado com a Rede, o PDT é o primeiro da fila a querer compor com a sigla, nem que, para isso, tenha de indicar candidato a vice-governador na chapa. No entanto, como os dois partidos possuem candidaturas nacionais próprias, dificilmente a aliança local sairia do papel.

Pré-candidato ao Palácio do Buriti, o deputado Izalci Lucas (PSDB) também tem sido cauteloso em avançar nas negociações. Os tucanos devem oficializar o ingresso de Geraldo Alckmin na corrida presidencial. Na possível aliança local, Izalci abraça partidos como o PPS, PTB, o PSD, o PRB, o PSC e o PSDC. Caso algumas dessas legendas confirmem uma candidatura ao Planalto, como o PPS tem ventilado, ou mesmo assine coligação com alguém, a decisão mudará a atual promessa de aliança.

Pelo mesmo motivo, por exemplo, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia resolveu deixar o PSDB, partido que ajudou a fundar, a fim de filiar-se ao PSB de Rodrigo Rollemberg. Receosa de não conseguir fazer campanha para o aliado local após a definição de Alckmin, a ex-tucana pulou fora do ninho e tem sido ventilada, inclusive, como candidata à vice na futura chapa do atual chefe do Executivo do DF.

Até o mês de julho – quando começam a ser realizadas as convenções partidárias –, as atuais composições serão encaradas meramente como ensaios. Como na antiga expressão de que na política existe a fila de prioridades, os protagonistas locais terão de baixar a cabeça para as executivas nacionais partidárias.



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