Bia Kicis sobre criação de novo partido: “Está sendo preparado”

Declaração da aliada de Bolsonaro ocorreu durante transmissão nas redes sociais após ser questionada por um seguidor acerca da crise no PSL

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atualizado 19/10/2019 14:51

A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) declarou nesta quinta-feira (17/10/2019), durante bate-papo com eleitores nas redes sociais, que foi dela a ideia de sugerir o nome de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para substituir Delegado Waldir (PSL-GO) na liderança do partido na Câmara dos Deputados. E, caso não seja encontrada solução para a crise interna na legenda, não descarta criar nova sigla para abrigar a ala bolsonarista do PSL, mesmo com todos os obstáculos da legislação eleitoral.

A congressista disse ter sugerido o “Zero 3” porque seria o “único nome” que poderia unir o partido, dividido desde as denúncias sobre investigação de possíveis candidaturas laranjas. Bia também afirma que foi dela a ideia de fazer a lista com assinaturas de apoiadores do presidente, a qual incendiou ainda mais as diferenças na legenda do titular do Palácio do Planalto.

“O [delegado] Waldir não para de fazer estrago. O Edu [Eduardo Bolsonaro] não queria ser o líder, mas eu pressionei e ele imediatamente aceitou como uma missão. O presidente Bolsonaro também falou que o Eduardo não seria a melhor escolha, por ser filho dele, mas era o único nome que agregaria. Mesmo assim, algumas pessoas quiseram ficar do lado de lá por causa do fundão [partidário]. A gente decidiu ficar com o Bolsonaro e se a gente deixar o PSL, não vamos levar nada desse fundão conosco”, destacou a parlamentar.

Ao ser questionada por um seguidor sobre a possibilidade de se criar nova sigla para abrigar os apoiadores do chefe do Executivo nacional, Bia Kicis deu sinais de que essa pode ser uma opção. “É complicada a criação de um novo partido, a gente precisa de milhões de assinaturas pelo Brasil. Mas isso está sendo preparado. A gente confia que algo de bom está para acontecer. Se o PSL não for refundado, com nova executiva, não restará outra saída.”

Bia Kicis também confirmou que a permanência do clã do mandatário da República no PSL também está ameaçada. “Para Bolsonaro ficar no partido, o PSL terá de atender algumas exigências do presidente”, pontuou. Uma delas, segundo a parlamentar, é a saída do delegado Waldir da liderança partidária na Câmara. “É preciso que o povo que apoiou o Waldir caia na real. Com o Waldir, não dá”, frisou.

Principal nome do PSL no Distrito Federal, a deputada federal também disse não saber como ficará o comando local partidário. Bia era a presidente regional da sigla e acreditava que o presidente nacional pesselista, Luciano Bivar (PE), fosse prolongar o mandato dela até o fim no ano, mas a promessa não se concretizou.

Veja a transmissão:

Crise no PSL
Bivar e Bolsonaro têm se distanciado desde que o cacique do PSL foi tragado pelas denúncias de ter registrado candidaturas laranjas de mulheres com objetivo de desviar recursos do fundo partidário. Desde então, a sigla vem sofrendo crise após crise. A mais recente foi a tentativa frustrada de mudar a liderança da legenda na Câmara dos Deputados. O novo nome seria de Eduardo, o filho “Zero 3” do presidente, mas, sem assinatura da maioria da bancada, o atual líder foi mantido.

Os aliados do presidente da República defendem a destituição do deputado delegado Waldir da função. Contudo, de olho na verba para a campanha municipal do ano que vem, a bancada acabou rachada entre os bolsonaristas e os agora classificados como “infiéis”. A crise pegou também a então líder do Governo no Congresso Nacional, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Ela foi retirada do cargo pelo presidente Bolsonaro após assinar uma lista de apoio a Waldir.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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