Bolsonaro age, derruba Waldir e Eduardo vira novo líder do PSL

Com pressão explícita do presidente, deputados bolsonaristas conseguem número mínimo de assinaturas para destituir rival “bivarista”

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 16/10/2019 23:42

O líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Vitor Hugo (PSL-GO), acaba de confirmar que os aliados do presidente na bancada do partido, que tem 53 membros, conseguiram 27 assinaturas para trocar o líder do PSL na Casa, Delegado Waldir (GO). O filho “03” de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), é o novo líder da sigla na Câmara.

O próprio presidente ligou para parlamentares do partido pedindo que eles assinassem o documento. Mais cedo, Waldir atacara duramente o presidente, o filho “01” – o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) – e o filho “03”. Quando a guerra por assinaturas se acirrou, na noite desta quarta-feira (16/10/2019), Delegado Waldir convocou a imprensa às pressas na porta da liderança do PSL e deu sua entrevista mais contundente até agora. Na fala, acusou o presidente Jair Bolsonaro de estar interferindo no Parlamento e “rasgando a Constituição”.

O parlamentar lembrou que Bolsonaro já havia dito que não se envolveria na escolha dos líderes do partido, mas agora estava ligando para todos, um a um, a fim de fazer campanha para o filho. “Ele está ligando para cada parlamentar, para pedir voto para o filho Eduardo, para ele assumir aqui a liderança; e isso depois de ele, em vários momentos, dizer que não iria interferir nessas decisões internas do partido, de escolha de líder”, declarou. Enquanto Waldir falava, Eduardo Bolsonaro passou pelo espaço duas vezes, encarando o ex-aliado. Menos de duas horas depois, a troca estava concluída.

Em meio aos embates entre Bolsonaro e Bivar pelo controle do fundo partidário do PSL, Waldir não economizou nas críticas. Nesta quarta-feira, ele cobrou “investigações igualitárias” a membros da legenda, sugerindo o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), acusado de esquema de repartição de salários – a “rachadinha” – quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Nesta semana, Bivar foi alvo da Operação Guinhol, da Polícia Federal, por suspeita de participação em um esquema de candidaturas laranja no PSL.

“Não defendemos suspender investigação nenhuma, nem no Bivar, nem no líder do governo no Senado [Fernando Bezerra Coelho, do MDB]. O Brasil não pode ter nenhum bandido de estimação”, disparou o parlamentar goiano, na porta da liderança do PSL.

Ao ser questionado sobre quem era seu alvo, não titubeou: “Eu diria o filho do presidente que é presidente do PSL no Rio de Janeiro [o senador Flávio Bolsonaro]. Seria importante continuar a investigação, mas infelizmente temos uma decisão da Justiça que impede a continuação. Houve também a denúncia de rachadinha contra um deputado estadual do PSL em São Paulo. A gente fica preocupado…”.

Em relação à troca do líder, o Capítulo IV do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, nos parágrafos 2º e 3º, estabelece que os líderes permanecem no cargo até que “nova indicação seja formalizada à Mesa Diretora em documento assinado pela maioria absoluta dos integrantes”.

“Tensionamento”
Em coletiva de imprensa na Câmara, no meio da noite desta quarta, Vitor Hugo disse que a destituição “foi uma decisão dos deputados do PSL em função de todo o tensionamento que tem acontecido em função dos posicionamentos do líder anterior”. Segundo ele, Waldir “contrariava as orientações do governo, colocava em dúvida inclusive a transparência do partido, atacava membros de maneira desmedida”.

Ele também lembrou que, nessa terça-feira (15/10/2019), Waldir orientou a obstrução da Medida Provisória 886, que reestruturava administrativamente o governo. Oficialmente, a justificativa era de que o posicionamento do agora ex-líder se deu para preservar deputados que estavam em uma reunião partidária. “Ele quase colocou em xeque a votação da MP, extremamente importante, com prazo apertado. Diante dessas evoluções, a maioria dos deputados federais decidiu destituir o líder.”
Perguntado se Bolsonaro de fato ligou para os deputados, ele se esquivou: “Isso não é um assunto para eu falar, é assunto para o presidente responder”.

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