Após fala de Bolsonaro, Sinpol diz: “Não há paridade com PMDF”

De acordo com o sindicato, policiais militares e bombeiros receberam reajustes enquanto a Polícia Civil está há 10 anos sem aumento

Divulgação/SinpolDivulgação/Sinpol

atualizado 08/10/2019 18:05

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) não se contentou com a declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), de que só dará reajuste aos servidores da corporação se, ao mesmo tempo, forem contemplados a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Para o Sinpol, Bolsonaro “está ciente do pleito dos policiais civis”, mas desconhece a realidade das Forças de Segurança do Distrito Federal”.

Em nota divulgada na tarde desta terça-feira (08/10/2019), a entidade disse que “nunca existiu paridade salarial entre a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do DF”.

Ainda segundo o sindicato, a diferença entre as forças é latente: “Os policiais civis do DF amargam mais de 10 anos sem reajuste, acumulando uma defasagem salarial de mais de 50%. Enquanto isso, as outras duas forças e demais carreiras do serviço público receberam reajustes em índices acima da inflação acumulada no período”, alegou.

As declarações foram dadas após Bolsonaro garantir que não vai “brecar” o reajuste da corporação, mas que a recomposição salarial da categoria sairá junto com a da Polícia Militar. O presidente gravou um vídeo sobre o assunto na manhã de segunda-feira (07/10/2019), na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial do chefe do Executivo brasileiro. No dia anterior, a categoria fez manifestação em frente ao Palácio do Planalto.

Veja a declaração de Bolsonaro:

Recomposição

Ainda na nota desta terça (08/10/2019), o presidente do Sinpol, Rodrigo Franco, o Gaúcho, ressaltou que a proposta de recomposição salarial da categoria (37%) foi anunciada em fevereiro pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para ser paga em seis parcelas, a partir de abril deste ano. Isso dependeria, segundo o líder sindical, da assinatura de uma medida provisória por Bolsonaro.

Nas reclamações divulgadas na nota do Sinpol, é usado um levantamento com demonstrações de reajustes recebidos pelas outras duas corporações. Segundo os dados, o acumulado de reajuste no período mostra que a diferença é de 113% a mais para os militares.

A nota ainda traz outras alegações, todas com explicações sobre por que a Polícia Civil merece o reajuste em detrimento da PMDF e do CBMDF. Elas vão desde a contribuição previdenciária até o serviço prestado.

Associação de PMs e bombeiros

Na luta por reajuste salarial, a PMDF e o Corpo de Bombeiros local receberam as declarações do Sinpol com indignação. De acordo com o presidente da Associação de Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros (Asof), tenente-coronel Eduardo Naime, os aumentos concedidos nos últimos anos foram para diminuir o “abismo” salarial e de progressão de carreira existente entre as três forças.

“Ele esquece de citar, na nota, os reajustes no governo de Joaquim Roriz. Esquecem de dizer que, mesmo com todos esses aumentos, policiais militares e bombeiros ganham menos que os policiais civis”, criticou.

Para Naime, não há justificativa para o Sinpol lutar contra o reajuste de outras categorias. “A PM e os bombeiros têm uma amplitude de trabalho muito maior do que a Polícia Civil. Não estou falando de importância, estou falando de amplitude. Há uma discussão nacional de unificação das forças. A Polícia Civil só pode estar querendo um salário maior para subjugar as outras forças salarialmente se a junção ocorrer. Não há outro motivo aparente”, analisou.

SOBRE O AUTOR
Manoela Alcântara

Formada em jornalismo pelo Icesp. Trabalhou na Voz do Brasil, no Jornal de Brasília e no Correio Braziliense. Ganhadora de dois prêmios Sebrae de Jornalismo Econômico, uma das vencedoras do 1º Prêmio Polícia Federal de Jornalismo, jornalista destaque da Universidade de Brasília (UnB) por três vezes consecutivas. Repórter de Política local do Metrópoles desde 2015.

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