Milan Fashion Week: após edição on-line, evento volta ao normal em setembro

Ao anunciar programação de ações digitais, presidente da Camera Nazionale della Moda confirma retorno dos desfiles presenciais na Itália

Desfile da Max MaraPietro D'Aprano/Getty Images

atualizado 30/06/2020 15:57

Na semana passada, a Federação da Alta Costura e Moda (FHCM) confirmou a retomada dos desfiles presenciais no Paris Fashion Week em setembro, apesar da possibilidade de uma segunda onda de Covid-19 na Europa. Nessa segunda-feira (29/06), foi a vez de a Camera Nazionale della Moda, na Itália, fazer o mesmo. Ao divulgar a programação da edição digital do Milan Fashion Week, prevista para acontecer entre 14 e 17 de julho, o presidente da instituição, Carlo Capasa, afirmou que a temporada de primavera/verão 2021 deve ocorrer normalmente, em formato presencial.

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@rebecaligabue/Giphy/Reprodução

A pandemia do novo coronavírus colocou as semanas de moda em uma posição delicada. Inicialmente, todos os eventos voltados aos mercados masculino e de alta-costura, normalmente programados para junho e julho, foram adiados ou cancelados. Porém, após especialistas e estilistas começarem a questionar a capacidade de reinvenção das fashion weeks, com direito a grifes de grande importância abandonando as plataformas, as comissões organizadoras voltaram atrás e investiram em programações digitais.

No fim de março, a Semana de Alta-costura chegou a ser cancelada

 

Assim como a Semana de Moda Masculina de Paris

 

À época, o evento italiano voltado ao menswear foi adiado para setembro

 

Em Milão, a Camera Nazionale della Moda criou o Milano Digital Fashion Week, um espaço reservado para as etiquetas associadas à instituição mostrarem seus trabalhos de resort, cruise e menswear. Todavia, a organização se limitou a divulgar o cronograma da ação, agendada para o período entre 14 e 17 de julho.

“É uma solução dinâmica para as complexidades do presente, uma ferramenta funcional e criativa projetada para ter vida própria ou, quando for necessário, substituir os eventos físicos, que continuam sendo fundamentais para promover o made in Italy “, disse Carlo Capasa, em comunicado.

Milano Digital Fashion Week dará espaço para as etiquetas mostrarem tanto os trabalhos masculinos quanto as coleções resort e cruise

 

Carlo Capasa
Carlo Capasa afirmou que projeto substituirá os eventos físicos quando necessário

 

Bella Hadid na passarela da Fendi
Todavia, segundo ele, apenas os desfiles presenciais ressaltam os acabamentos impecáveis do design italiano

 

Ao passo que marcas como Gucci e Giorgio Armani pareciam se esquivar do projeto, o futuro da iniciativa se mostrava incerto, mas, nessa segunda-feira (29/06), os dirigentes da semana de moda de Milão, finalmente, revelaram o calendário da iniciativa. No momento, 37 marcas estão escaladas para exibir suas novidades no projeto, entre elas, Gucci, Prada, Dolce & Gabbana, Missoni, Etro, Ermenegildo Zegna, Philipp Plein, Alberta Ferretti, Tod’s, Salvatore Ferragamo e MSGM.

Dentro de cada uma hora, uma etiqueta estará livre para mostrar suas criações por meio do formato que lhe for conveniente. Para garantir que a plataforma digital funcione sem problemas, a Camera Nazionale della Moda contratou a consultoria Accenture e a Microsoft, responsáveis pelo desenvolvimento da experiência virtual.

Gucci outono inverno 2019/20
Apesar de ter divulgado que deixará o calendário tradicional, a Gucci irá participar da ação, no dia 17/07, às 19h

 

A Prada também tem um horário reservado no cronograma, no dia 14/07, às 19h

 

O show da Missoni será no dia 17/07, às 21h

 

Philipp Plein exibe suas novidades às 22h30, no dia 14/07

 

No dia 16/07, às 19h, é a vez da Tod’s

 

Desfile Salvatore Ferragamo
A Salvatore Ferragamo é no mesmo dia, às 18h

 

No dia 14 de julho, a MSGM abrirá os trabalhos a partir das 12h, com um vídeo dirigido por Luca Finotti. A Prada surge em seguida, às 14h, mas ainda mantém sigilo sobre o que irá fazer. Alberta Ferretti finaliza a abertura com uma homenagem à Itália.

No dia seguinte, estão os únicos shows ao vivo do evento. Às 10h, a Etro faz um desfile misto para apresentar sua primavera verão 2021 masculina e o resort 2021, no Four Seasons Hotel. A Dolce & Gabbana, que também projeta um show físico, tomará o Campus Universitário do Hospital Humanitas, às 17h30.

Salvatore Ferragamo, Tod’s, Philosophy Di Lorenzo Serafini e Dsquared2 são os destaques do dia 16, enquanto Gucci, Ermenegildo Zegna e Missoni formam o trio responsável por encerrar o evento digital, em 17 de julho.

Desfile da MSGM
A MSGM irá mostrar sua coleção masculina de primavera/verão 2021 e o resort 2021

 

Alberta Ferretti revelará preview da primavera/verão 2021

 

Desfile da Etro no Milan Fashion Week
A Etro exibirá um dos dois desfiles ao vivo do evento digital

 

A Dolce & Gabbana fica a cargo do outro

 

Além das apresentações de coleções, a plataforma digital disponibilizará um espaço dedicado aos talentos emergentes, um showroom virtual e salas temáticas, onde conteúdos culturalmente relevantes, como sustentabilidade, inclusão, empreendedorismo, artesanato e inovação tecnológica, serão debatidos.

Em setembro, o Milão Fashion Week volta ao formato presencial. Em meio à divulgação da programação digital, Carlo Capasa, presidente da Camera Nazionale della Moda, confirmou que a temporada feminina de primavera/verão 2021, agendada para o período entre 22 e 28 de setembro, é planejada como uma edição normal.

Resultados da pesquisa Resultados da Web Rosanna Armani e Luca Stoppini
As salas temáticas foram criadas por Luca Stoppini, ex-diretor de arte da Vogue Itália

 

Alan Friedman
Alan Friedman promoverá debates políticos e econômicos

 

Kendall Jenner na passarela da Versace
Semana de moda feminina segue programada para setembro, em formato presencial

 

Em meio às dificuldades enfrentadas pelas semanas de moda, especialistas apontaram que as marcas mais tradicionais demonstrariam resistência aos formatos digitais. Porém, o número de labels confirmadas no Milano Digital Fashion Week indica que muitas companhias estão dispostas a apostar nas novas vitrines.

A ausência de nomes como Marni, Versace, Fendi, Giorgio Armani e Bottega Veneta já é sentida nos bastidores, mas caso a iniciativa se comprove eficaz, outras etiquetas podem se sentir estimuladas a invadir o mundo virtual. Afinal, como Capasa explicou, a plataforma não foi criada para ser uma substituta temporária, mas uma extensão com vida própria. Aquelas que se adequarem, poderão contar com espaço de divulgação com potencial para ganhar o seu lugar entre as novas gerações. A pandemia, realmente, veio para estreitar os laços entre a moda e a tecnologia.

Colaborou Danillo Costa 

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