Fashion Nova é alvo de investigação sobre trabalhadores mal pagos

Reportagem do New York Times revelou que fábricas subcontratadas pela marca estão na mira do Departamento de Trabalho dos EUA há anos

Michael Moeller / EyeEm/Getty Images

atualizado 20/12/2019 9:38

Quem vê o sucesso de redes como a Fashion Nova nem sempre imagina o que está por trás da cadeia produtiva. Com apoio de celebridades, a varejista de fast fashion chegou a ter aumento de 600% nas vendas em 2017, para se ter uma ideia. Entretanto, reportagem do jornal The New York Times revelou, na última segunda-feira (16/12/2019), que várias fábricas subcontratadas pela marca pagam salários ilegalmente baixos aos trabalhadores. A empresa, por sua vez, nega ter responsabilidade no caso.

Vem comigo entender o caso!

Só nos últimos quatro anos, o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos achou peças da Fashion Nova em 50 investigações de fábricas subcontratadas. Nelas, o pagamento era inferior ao salário mínimo federal ou não havia pagamento de horas extras. Uma fonte disse ao NYT que itens label foram os mais encontrados em 2019.

Segundo apurou a repórter Natalie Kitroeff, nas dezenas de fábricas em Los Angeles, costureiros chegaram a receber somente US$ 2,77 por hora de trabalho. Os documentos federais internos analisados pelo NYT indicam que centenas de colaboradores esperam cerca de US$ 3,8 milhões em salários atrasados.

Além dos preços baixos pagos pelas peças, a empresa cobra um retorno rápido, mesmo sem lidar diretamente com os fabricantes. Todo o trabalho é feito por meio de empresas intermediárias, que desenham os produtos e contratam as fábricas.

No ano passado, o fundador da marca, Richard Saghian, disse que 80% das peças eram confeccionadas nos EUA. Atualmente, menos da metade delas é produzida em Los Angeles, sem uma porcentagem específica do que é feito no país.

 martin-dm/Getty Images
Fábricas subcontratadas pela Fashion Nova são investigadas por pagarem salários abaixo do salário mínimo federal dos EUA

 

Reprodução/Instagram/@fashionnova
A marca de fast fashion foi criada em 2006

 

Reprodução/Instagram/@fashionnova
A etiquete oferece assessórios, como esta bolsa

 

Reprodução/Instagram/@fashionnova
E também vende calçados

 

Reprodução/Instagram/@fashionnova
Peças da Fashion Nova foram encontradas em 50 investigações de fábricas que pagavam valores abaixo do exigido pela lei

 

Entre os relatos dos entrevistados, há situações de precariedade e desorganização. É o caso de Mercedes Cortes, 56 anos, que desenvolveu atividades durante meses em algumas dessas fábricas. Segundo a colaboradora, havia ratos e baratas no ambiente de trabalho. Por uma blusa que chegava a custar US$ 12 nas lojas, ela ganhava centavos pelos detalhes que costurava, como mangas e decotes.

Em defesa às acusações, a advogada geral da Fashion Nova, Erica Meierhans, alegou que “qualquer sugestão de que a Fashion Nova seja responsável por pagar mal a quem trabalha em nossa marca é categoricamente falsa”. Segundo a defensora da maison, a empresa fez uma reunião “altamente produtiva e positiva com o Departamento de Trabalho”.

“Discutimos nosso compromisso contínuo de garantir que todos os trabalhadores envolvidos com a marca Fashion Nova sejam adequadamente compensados pelo trabalho que realizam”, acrescenta.

Pela lei federal dos EUA, as marcas não podem ser penalizadas caso provem que não estavam cientes das condições ilegais de trabalho nas fábricas, como informa o NYT.

Às autoridades, os advogados da label informaram que já tomaram medidas em relação aos fornecedores. No caso de alguma das fábricas infringir leis trabalhistas, o intermediário responsável passará por fase “probatória” de seis meses. Caso aconteça mais uma queixa, o funcionário será suspenso até que ele passe por auditoria externa.

Reprodução/Instagram/@theshaderoom
A marca faz sucesso no Instagram e tem admiradores como a rapper Nicki Minaj

 

Reprodução/Instagram/@kyliejenner
Kylie Jenner é uma das celebridades que ajudaram a label a crescer

 

Reprodução/Instagram/@fashionnova
Fashion Nova é alvo de investigação sobre trabalhadores mal pagos

 

Por meio de vários fornecedores locais, a Fashion Nova consegue lançar mais de mil novas peças semanalmente. De acordo com Raghian, o tráfego do site da marca é capaz de “encher uma arena de basquete” a qualquer momento. Só no Instagram, são 17 milhões de seguidores. Segundo o Google, a label foi mais pesquisada em 2018 do que grifes famosas como Gucci e Versace.

Endossada por celebridades como Kylie Jenner e Cardi B, a Fashion Nova começou com uma loja em um shopping de Los Angeles, em 2006. Anos depois, quando viu a forte concorrência dos comércios eletrônicos, Saghian criou um site. Já em 2013, criou uma conta no Instagram, na qual publicava fotos de clientes usando peças da etiqueta.

Algumas dessas clientes eram influenciadoras digitais, modelos, rappers mulheres ou namoradas de rappers. A partir daí, o empresário passou a dar roupas de graças para elas em troca de posts na rede social, que depois eram republicados no perfil da loja. Dessa forma, sua popularidade chegou ao público mainstream, com direito a menções em canções de hip hop.

Reprodução/Instagram/@kyliejenner
Kylie Jenner com vestido Fashion Nova

 

Reprodução/Fashion Nova
Cardi B chegou a lançar roupas em parceria com a marca

 

Reprodução/Instagram/@fashionnova
Estampa bem similar a uma clássica da Versace, que processou a marca recentemente

 

Esta não é a primeira polêmica envolvendo a Fashion Nova. Conhecida por recriar looks de celebridades, a marca foi acusada de cópia em alguns momentos. Por exemplo, em fevereiro deste ano, quando anunciou a venda de um vestido idêntico a um Mugler que Kim Kardashian havia vestido menos de 24 horas antes.

Já no fim de novembro, foi a vez de a Versace processar a empresa por plágio. Uma imitação do icônico vestido de Jennifer Lopez no Grammy de 2000, para o Halloween, teve as vendas esgotadas após estrondoso sucesso. Antes de acionar a Justiça, a própria grife italiana chegou contatar a etiqueta, mas não obteve resposta. Agora, a disputa será nos tribunais.

 

Colaborou Hebert Madeira

Últimas notícias