Entre meias sujas e camisas amarrotadas, Boris Johnson é eleito premiê

Vem saber sobre as polêmicas fashion envolvendo o novo primeiro-ministro britânico

atualizado 24/07/2019 18:04

O primeiro-ministro do Reino Unido Matt Cardy/Getty Images

Desde que regimes democráticos tomaram o mundo ocidental, o estilo passou a ser um fator de relevância na hora de eleger um líder. Afinal, são várias as qualidades transmitidas por meio de um cabelo perfeitamente partido e de um terno livre de rugas.

Todavia, a imagem alinhada que se espera de um presidente parece não ser mais um quesito crucial para os eleitores ao redor do globo, como pudemos notar, primeiramente, na eleição de Donald Trump e, agora, na escolha de Boris Johnson, o novo primeiro-ministro do Reino Unido.

Vem conferir comigo o comentado estilo do premiê britânico!

A beleza e elegância imponente de Fernando Collor o ajudou consideravelmente nas eleições de 1989, ao passo que os penteados e ternos alinhados de Emmanuel Macron deram força à sua candidatura na França.

Justin Trudeau, primeiro-ministro canadense, é outro governante que se beneficiou da estética presidenciável, bem como Vladimir Putin. Embora o russo desfile por aí com peito à mostra, veste-se de forma estratégica e correta em eventos oficiais.

Até mesmo entre os ditadores o estilo pode ser observado. Xi Jinping, da China, pode ter contrariado alguns compatriotas ao permitir que seu cabelo ficasse grisalho, mas, globalmente, está sempre abotoado.

JOSÉ PAULO LACERDA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/
Fernando Collor e seu estilo engomadinho conquistaram o país

 

Gouvernement.Fr/ Reprodução
Emmanuel Macron é outro rosto que se beneficiou da imagem presidenciável

 

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Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá

 

THE PRESIDENTIAL PRESS AND INFORMATION OFFICE
Vladimir Putin está sempre alinhado nos compromissos oficiais

 

No entanto, com a vitória de Donald Trump, a imagem polida conectada à cadeira máxima do Poder Executivo de uma nação foi posta em xeque. Curiosamente, sua paixão por gravatas e ternos espalhafatosos, somada à pele laranja e aos cabelos loiros agrupados em penteados duvidosos, não intimidou o povo norte-americano.

Imaginava-se que a aceitação do aspecto caricato do governante fosse uma anomalia, mas o triunfo de Boris Johnson no Parlamento inglês, nessa terça-feira (23/07/2019), comprovou que uma imagem bem-estruturada não é mais um requisito para comandar um país.

Apesar do look impecável usado pelo novo primeiro-ministro do Reino Unido em seu primeiro discurso, o governante supera até mesmo Trump quando se trata de visuais risíveis. Sempre amarrotado, Boris ostenta um corte tigela ligeiramente agravado pela textura fina de seus fios de cabelo.

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Com cabelos finos, os penteados de Boris estão sempre bagunçados

 

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As camisas usadas pelo premiê nunca estão alinhadas

 

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O governante costuma aparecer nas ruas com as roupas amarrotadas

 

Dan Kitwood/Getty Images
A gravata torta também é uma constante

 

Durante seu mandato como prefeito na capital inglesa, de 2008 a 2016, a imprensa não perdoou o visual desleixado do novo premiê. Os adjetivos usados para descrevê-lo incluíam os termos “caótico” e “palhaço”, frequentemente endossados pelos nós de gravata tortos e camisas “escapando” da calça.

Outro ponto sempre lembrado pelos folhetins britânicos eram as roupas de correr combinadas a gorros e bermudas havaianas.

Nada, entretanto, superou o episódio no qual o membro do partido conservador ficou preso em uma tirolesa durante os Jogos Olímpicos de 2012.

Vestindo um capacete azul-bebê e cinto bicolor, Boris se tornou uma chacota nacional, subvertendo qualquer fé na capacidade de o político ser levado a sério. Para se ter uma ideia, a biografia do líder ganhou o título Apenas Boris: Um Conto de Ambição Loira.

Charles McQuillan/Getty Images
Mais um exemplo do estilo bagunçado de Johnson

 

@PoliticalPics
Um dos looks de corrida do político

 

Carl Court/Getty Images
Ele adora bermudas estampadas

 

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Durante as Olimpíadas de 2012, o primeiro-ministro virou chacota

 

No período que antecedeu a eleição para a liderança conservadora, Johnson foi perseguido por um novo escândalo fashion. A mídia especializada apontou que o potencial primeiro-ministro usou o mesmo par de meias sucessivamente, indicando que ele não lavava as peças.

A estampa do acessório, uma imagem do rei Assurbanipal, foi identificada primeiramente em Birmingham, no dia 22 de junho.

Dois dias depois, o print foi reutilizado em uma entrevista com a apresentadora Laura Kuenssberg e, na sequência, no dia 26, as meias tiveram uma terceira saída, em mais um compromisso com a imprensa, mas desta vez ao avesso.

Ben Birchall/PA
Meias ao avesso causaram comoção na mídia

 

A esta altura, você provavelmente deve achar que a moda é a última preocupação do primeiro-ministro.

Convém ressaltar, todavia, que Boris é um grande defensor da indústria têxtil. Em 2015, ele organizou um jantar com o British Fashion Council para apoiar o segmento e, no mesmo ano, visitou a loja de departamentos BHV Marais, em Paris, onde deu suporte à campanha de moda da varejista.

“Mesmo que ninguém me acuse de estar particularmente bem-vestido, eu aprecio a moda e entendo a importância vital de apoiá-la”

Boris Johnson
Leon Neal/Getty Images
Embora desajeitado, Boris é um grande entusiasta do segmento fashion

 

Ben Pruchnie/Getty Images
Enquanto prefeito, ele financiou vários programas de incentivo à moda

 

Como prefeito, Johnson chefiou a Agência de Desenvolvimento de Londres, ajudando a impulsionar o setor por meio de projetos de regeneração. A organização financiou programas como o Center for Fashion Enterprise, uma incubadora de empresas de tecnologia de moda sediada no London College of Fashion, e o programa Fashion Forward, que ajudou a apoiar jovens designers no crescimento de seus negócios.

“Mesmo que ninguém me acuse de estar particularmente bem-vestido, eu aprecio a moda e entendo a importância vital de apoiá-la. O cenário fashion britânico faz de Londres uma das cidades mais atraentes e vibrantes para morar e trabalhar, além de movimentar a economia. O segmento emprega cerca de 900 mil pessoas em meu país e gera um produto interno bruto direto e indireto de 49 bilhões de libras. É de enorme importância”, disse, em 2015, ao WWD.

Colaborou Danillo Costa

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