Dior faz desfile feminista no primeiro dia do Paris Fashion Week

Grife liderada por Maria Grazia Chiuri investiu em cenário com frases de efeito e looks que acompanham redefinição da sensualidade feminina

atualizado 26/02/2020 21:53

Stephane Cardinale - Corbis/Corbis via Getty Images

Como a coluna antecipou ainda em 2019, a sensualidade feminina passou a ser redefinida na moda por conta do movimento #MeToo, originado após mais de 80 funcionárias, modelos e atrizes acusarem o produtor Harvey Weinstein de má conduta sexual. Chegou-se a cogitar que essa mudança no comportamento da indústria têxtil teria sido apenas uma tendência passageira, mas, nessa terça-feira (25/02/2020), um dia depois de o fundador da Miramax ser formalmente condenado por ataque sexual e estupro, a Dior mostrou que a luta pelos direitos das mulheres continua viva nas passarelas.

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Enquanto atrizes e personalidades norte-americanas comemoram o veredito de Weinstein, Maria Grazia Chiuri lembra, do outro lado do Atlântico, que a luta pelos direitos das mulheres está longe do fim. Não contente em financiar uma mostra de arte feminista em Roma, a diretora criativa da Christian Dior resolveu levantar guerra contra o patriarcado em seu novo show.

E não ache que tal bandeira foi erguida de forma discreta. Aqui, o recado foi direto, claro e para quem quiser ver (ou se incomodar). Logo na entrada, os convidados da grife eram recebidos com os dizeres “Eu digo eu” na porta da barraca instalada no Jardim das Tulherias.

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Fachada da tenda onde aconteceu o desfile da Dior

 

A frase, proferida pela intelectual italiana Carla Lonzi ainda na década de 1970, é o mote da exposição a ser lançada na Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea de Roma, bem como o nome do trabalho de outono/inverno 2020 da grife francesa.

Dentro da sala de desfiles, mais palavras de ordem. Letreiros de neon com as expressões “Patriarcado = Emergência Climática”, “Patriarcado = Repressão”, “Somos todos mulheres clitoridianas” e “Consentimento” nortearam a decoração do espaço, finalizada com páginas de jornal no chão.

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Letreiros de LED trouxeram clima de protesto ao show

 

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Chão foi estampado com páginas de jornais

 

O cenário, obra do coletivo de arte feminista Claire Fontaine, é curioso, já que a Dior pertence a um homem, o renomado empresário Bernard Arnault. Não sabemos se Chiuri quis provocar seu chefe com o conceito, mas o fato é que a ironia inserida na apresentação alcançou o objetivo de chamar a atenção.

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Maria Grazia Chiuri deu seu recado. Será que Bernard Arnault faz parte do patriarcado que ela condena?

 

Depois, há o desfile, denominado pela designer como um diário visual. Enquanto projetava a nova coleção, Maria Grazia encontrou uma caixa de fotografias de sua adolescência, quando a batalha pelos direitos das mulheres se intensificou na Itália, com debates sobre divórcio e aborto. A nostalgia despertou na estilista o desejo de retratar os primórdios do feminismo.

“À época, era importante que as mulheres tivessem a liberdade de mudar seu estilo, porque elas queriam algo realmente confortável para o corpo. E foi o que Marc Bohan fez na direção criativa da Dior, oferecendo não uma mas muitas silhuetas”, explicou ao WWD.

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Elencado como um diário visual, trabalho fez referência à juventude da diretora criativa

 

Foi esse espírito de escolha implementado por seu antecessor que a italiana quis passar em sua nova coleção. Ela abriu a apresentação com a alfaiataria clássica, inseriu as camisas e gravatas que nortearam o trabalho, percorreu traços esportivos em casacos, pincelou o mood rocker com xadrez e botas pesadas, finalizando as modelagens boho, lenços e franjas do movimento hippie.

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Look que abriu a apresentação

 

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O combo de camisa com gravata de tela apareceu com frequência

 

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Combinação foi vista até nos visuais casuais

 

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Casacos esportivos foram usados de forma pontual

 

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A presença do xadrez deu um aspecto rocker a algumas produções

 

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Falando de Dior, as jaquetas não poderiam faltar

 

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Os anos 1970 influenciaram o compilado

 

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Criações boho fecharam o show

 

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O plissado foi usado para dar movimento, assim como as franjas

 

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Lenços na cabeça completaram a aura hippie da coleção

 

Os fios sedosos amplamente utilizados no compilado de alta-costura, apresentado em janeiro, surgiram em decotes, vestidos midi e nas saias esvoaçantes. Há, ainda, camisas transparentes, para as mulheres que optam por mostrar o corpo – afinal, o feminismo moderno é liberdade.

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Difundidas na coleção de alta-costura, as franjas marcaram presença, também, no ready to wear 

 

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Vestido com acabamento em degradê

 

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A saia fluida complementou parte superior bordada

 

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Camisas transparentes reafirmaram o perfil do feminismo moderno

 

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União de duas grandes tendências da coleção: transparência e franjas

 

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Conjuntos esportivos serviram de base para as criações translúcidas

 

Entre os acessórios, as botas militares e lenços dividiram espaço com anéis que percorrem o dorso da mão e com as bolsas da etiqueta, aqui trabalhadas, mais uma vez, com a logomania da casa, em diversos tamanhos, cores e materiais. As franjas, uma das grandes tendências desta temporada, também foram empregadas nos complementos, como fez a Bottega Veneta ao final da Semana de Moda de Milão. Confira o desfile na íntegra logo abaixo.

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Botas militares imprimiram um tom de luta no desfile

 

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Franjas também surgiram nas bolsas

 

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Logomania da label foi usada em vários materiais…

 

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… e tamanhos

 

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Anéis que sobem rumo ao punho foram destaque

 

Na fila A, nomes como Nina Dobrev, Maya Hawke, Rachel Brosnahan, Demi Moore, Cara Delevingne, Sigourney Weaver, Carla Bruni e Andie MacDowell comemoram a iniciativa. Veja o que as estrelas usaram no evento:

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Colaborou Danillo Costa

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