Designer de moda cria paetê holográfico biodegradável

Protagonistas de looks de festas e sucesso no Carnaval, as lantejoulas ganham alternativa ecológica feita a partir de celulose

atualizado 19/05/2020 16:35

Bordado em paetê UAL/Reprodução

Responsável pelo brilho máximo nos looks, o paetê pode até passar algumas temporadas sendo trocado por tecidos luminosos, mas sempre retorna ao universo da moda. A designer Elissa Brunato não esconde a admiração pelas lantejoulas. No entanto, após estudar o impacto ambiental que as aplicações feitas à base de PVC geram ao meio ambiente, passou a se dedicar a pesquisas para desenvolver alternativa mais sustentável aos bordados brilhosos. 

Vem comigo conferir!

Giphy/Reprodução


O
start no projeto se deu durante a conclusão do título de master em Futuro dos Materiais pela Central Saint Martins (CSM). A universidade britânica também foi palco para a graduação de grandes nomes da moda, como os estilistas Alexander McQueen, John Galliano e Riccardo Tisci.    

Com a colaboração de cientistas do Rise (instituto de pesquisa da Suécia), a designer desenvolveu esferas com brilho holográfico. Para a alternativa menos poluente, o grupo aposta em celuloses, extraídas de resíduos como papel, jeans e vegetais. 

A ideia inicial é reaproveitar, inclusive, os resíduos encontrados no chão das fábricas, dispensados na hora da costura. Basta armazenar os materiais e entregá-los ao laboratório. O brilho extravagante também é alcançado de forma natural, sem a necessidade da aplicação de produtos químicos, como acontece com o paetê tradicional. 

Designer criando paetê
A designer Elissa Brunato desenvolveu o paetê biodegradável em parceria com cientistas do instituto Rise

 

Celulose
O grupo aposta em celuloses, originadas da reciclagem de resíduos, como papel, jeans e vegetais 

 

Paetê holográfico
O resultado traz padrões multicoloridos

 

Paetê holográfico
Uma aposta sustentável e promissora para a indústria da moda

 

Foi em meados do século 20 que as lantejoulas começaram a ser produzidas em larga escala na indústria fashion, devido à popularização em Nova York. Desde então, elas são criadas a partir do plástico PVC, derivado do petróleo.

Além do recurso principal não ser uma fonte renovável, o descarte inadequado das esferas contribui para a liberação de microplásticos em todas as etapas, inclusive durante a fabricação. Depois, no uso pelo consumidor e até nas lavagens rotineiras das peças que receberam as aplicações. 

“Eu já estava inserida na indústria da moda, especificamente na área de bordado. Por meio do meu trabalho em várias lojas e em diversas viagens a países fabricantes, desenvolvi uma compreensão mais profunda sobre o ramo, além de reparar melhor nas preocupações dos usuários, estilistas e fornecedores”, explicou Elissa em entrevista à UAL.

Celulose
Mistura de cores feita no instituto
Tecido com aplicações em paetê
Tecido com aplicação de paetês

 

Paetê holográfico
Além do formato tradicional circular, o laboratório desenvolve hexágono

 

Paetê holográfico
Outro modelo é o amendoado com furos nas extremidades

 

Para prototipar o paetê, Elissa buscou referências na natureza e se inspirou nas estruturas brilhantes disponíveis no meio ambiente. As asas de borboletas, assim como escamas de cobras e peixes, estão entre as referências.

Intitulada como Lantejoula Bio Iridescente, a criação rendeu premiação em 2019 no concurso de inovação MullenLowe Nova Awards, promovido pela faculdade de arte e design CSM. Para os próximos passos, a designer deseja introduzir o paetê ecológico na indústria da moda. Ela revelou que planeja uma collab com estilistas ou designers de sapatos.

As esferas já estão sendo produzidas em Londres, no Reino Unido, em pequenas escalas. Outras metas para o futuro são os avanços nas pesquisas de cores para poder contribuir no ramo de tingimento de tecidos, oferecendo alternativas sustentáveis e multicoloridas para o mercado fashion.

 

Colaborou Sabrina Pessoa

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