Crise no varejo norte-americano: 6,3 mil lojas devem fechar em 2019

Com aumento exponencial das vendas on-line, marcas estão acabando com pontos físicos para conter prejuízos

Seph LawlessSeph Lawless

atualizado 17/03/2019 15:28

Embora o comércio on-line esteja entre nós desde o início da década de 1990, a ideia de ter um produto em mãos logo após a compra sempre deu uma certa vantagem às lojas físicas.

Contudo, as logísticas de distribuição do mercado norte-americano hoje permitem ao cliente receber uma compra na manhã seguinte ao pagamento, complicando a vida dos empresários que mantêm estabelecimentos nos EUA.

O início de março tem sido de apreensão para as grandes redes varejistas presentes na terra do Tio Sam. Apenas na primeira semana deste mês, mais de 1,1 mil lojas tiveram fechamentos agendados para o primeiro semestre. E a expectativa é que esse movimento se intensifique.

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A ascensão de e-commerces como Amazon, e-Bay e Target tem reduzido o fluxo de clientes nas lojas físicas norte-americanas, forçando as empresas a mudarem suas estratégias de vendas. Hoje, em vez de investir em contratação de pessoal e na estrutura dos estabelecimentos, as grandes companhias preferem realocar seu capital no comércio digital, o que tem causado um forte efeito no varejo têxtil dos EUA.

Reuters
Mais de 6,3 mil lojas já estão programadas para fechar neste ano, com vários pedidos de falência recebidos no primeiro trimestre de 2019

 

Justin Sullivan/Getty Images
A Abercrombie & Fitch fechou centenas de lojas nos últimos anos, ao mesmo tempo em que foca no comércio on-line. Para 2019, a rede perderá 40 unidades

 

De acordo com um relatório da Coresight Research, empresa especializada em pesquisas de mercado globais, mais de 6,3 mil lojas já estão programadas para fechar neste ano, com vários pedidos de falência recebidos no primeiro trimestre de 2019. Apenas a marca Payless ShoeSource encerrará 2.590 operações físicas até o fim de maio.

Nomes como Abercrombie & Fitch, American Apparel, Gap, Guess, J.C. Penney, Macy’s, Michael Kors, Victoria’s Secret e Diesel também estão entre as etiquetas que anunciaram baixas. Esta última, inclusive, entrou com pedido de falência devido a grandes perdas financeiras e erros de investimento.

Victoria Jones/PA Images via Getty Images
A American Apparel fechou todos os seus 110 pontos físicos nos EUA após declarar falência. A marca foi adquirida pela Gildan Activewear, que comprou sua propriedade intelectual em um acordo de US$ 88 milhões

 

Spencer Platt/Getty Images
Com as vendas despencando, a grife de luxo disse que fecharia cerca de 125 lojas

 

Em 2018, a Coresight contabilizou 5.528 fechamentos e, em 2017, ano recorde de operações encerradas, esse número chegou a incrível marca de 8.139 estabelecimentos descontinuados.

Para entender melhor esse fenômeno, os corretores de imóveis analisam a metragem quadrada referente às lojas fechadas. Em 2017, os varejistas registraram um recorde de 9 milhões de metros quadrados em espaços vazios, enquanto em 2018 esse número ultrapassou os 10 milhões, de acordo com estimativas do CoStar Group.

Omar Marques/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
A Guess anunciou planos para fechar 60 de suas lojas nos EUA: foco será no mercado internacional

 

Damian Dovarganes/AP
A Payless pedirá falência pela segunda vez em dois anos e encerrará as atividades de suas 2,3 mil lojas nos EUA

 

Nos primeiros três meses de 2019, já foram contabilizados 3 milhões de metros quadrados – cerca de 1 milhão por mês.

“Nos anos anteriores, lojas maiores foram fechadas. Agora, as cadeias menores estão sendo afetadas”, diz Drew Myers, consultor sênior da firma de dados imobiliários, ao USA Today.

Wikimedia
O varejista de roupas infantis Gymboree fechará 900 lojas

 

Dimitrios Kambouris/Getty Images
A Victoria’s Secret anunciou no final de fevereiro que encerraria 53 lojas em meio a vendas fracas. A marca fechou 30 estabelecimentos em 2018

 

A crise no mercado americano, apelidada de “apocalipse do varejo”, devasta a economia desde 2010 – consequência da crise financeira de 2008. O setor varejista se viu em meio a um caos de fusões, aquisições, falências e liquidações. As principais lojas de departamento, como JCPenney, Macy’s, Sears e Kmart, fecharam centenas de unidades e várias marcas deixaram de ser lucrativas para os executivos de Wall Street.

Os trabalhadores foram particularmente afetados, uma vez que os varejistas recorreram a demissões em massa para alcançarem os gigantes do comércio on-line. Como referência, do quarto trimestre de 2017 até o mesmo período de 2018, as vendas digitais do Walmart aumentaram 43%. Na Target, embora mais tímida, a alta foi considerável: 31%.

AP Photo/Charlie Riedel
A Sears Holdings entrou com pedido de concordata em outubro de 2018 e disse que fecharia 140 das suas 700 lojas restantes

 

Business Insider/Jessica Tyler
A Abercrombie & Fitch fechou centenas de estabelecimentos nos últimos anos. A marca está focadas nas vendas on-line

 

O declínio no padrão de vida da classe trabalhadora alimenta diretamente o apocalipse do varejo. Os salários dos trabalhadores tiveram pouco ou nenhum aumento nos últimos cinco anos e qualquer crescimento econômico experimentado desde 2008 foi direcionado aos mais ricos.

Estudos mostram que 15% dos varejistas correm o risco de fechar e até 25% dos shoppings americanos entrarão em declínio em 2020, com dezenas de milhares de pessoas perdendo seus empregos. Segundo o Yahoo! Finanças, 41 mil trabalhadores foram demitidos apenas em janeiro e fevereiro. Contudo, os EUA registraram um ganho líquido de 20 mil empregos totais nesSe período. O que isso significa?

Business Insider/Jessica Tyler
A GAP vai fechar cerca de 230 lojas em todo o mundo, cerca de 50% de seus pontos físicos

 

Business Insider/Mary Hanbury
A Charlotte Russe encerrou 94 estabelecimentos apenas em fevereiro, depois que a empresa entrou com pedido de recuperação judicial. Em março, a companhia anunciou que iria liquidar todas as 416 lojas

 

Quase 30 anos depois de ter se tornado amplamente acessível ao público, a internet está nos estágios finais para substituir o varejo físico. Mas isso não está matando a economia. As necessidades passaram a ser supridas de forma conveniente e com preços mais baixos, enquanto os trabalhadores são desviados das lojas para os centros de distribuição.

Aconteceu o mesmo quando a indústria automobilista evoluiu e todos se beneficiaram, pois os meios de transporte ficaram mais rápidos e baratos. Nas últimas décadas, vimos o e-mail substituir o fax e, hoje, temos os serviços de streaming derrubando as mídias físicas.

Business Insider/Hayley Peterson
A J.C. Penney fechou 138 lojas em 2017, enquanto reestruturava seus negócios para atender às mudanças de mercado. Em 2019, a empresa planeja fechar mais 24 unidades

 

Reprodução/Macy's
A maior varejista dos EUA anunciou que fecharia sete lojas e demitiria cerca de 5 mil trabalhadores

 

Mike Kemp/In PIctures via Getty Images
A Diesel entrou com pedido de falência devido a grandes perdas financeiras e erros de investimento

 

Esse próximo modelo de comércio, certamente, significará tempos difíceis para alguns trabalhadores e algumas empresas, mas é preciso que encaremos o futuro da melhor forma possível. Com a evolução constante da tecnologia, novos empregos serão criados.

Há 20 anos, a ideia de ter um smartphone era impensável, mas hoje é um dos objetos de uso pessoal que mais gera emprego ao redor do planeta. Como noticiei há pouco tempo, o Instagram está derrubando as revistas de moda, mas o mundo fashion segue em harmonia. Mudar é assustador, mas é inevitável.

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Colaborou Danillo Costa

SOBRE O AUTOR
Ilca Maria Estevão

Formada em psicologia pela Universidade Georgetown, em Washington (EUA). É apaixonada por moda e acompanha toda movimentação no universo fashion.

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