Saiba como o Instagram está ameaçando o futuro das revistas de moda

Marcas têm deixado de anunciar nas publicações especializadas para investir na rede social

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atualizado 21/11/2018 23:21

Em julho de 2013, quando a marca Oscar de la Renta apostou no Instagram para lançar sua campanha de outono, o mercado encarou a tática com certo ceticismo. Na época, as fotografias feitas por Norman Jean Roy não alcançaram mais do que 1 mil curtidas durante a primeira hora de publicação, mas renderam bons resultados meses mais tarde, quando foram divulgadas nas edições de setembro das principais revistas do segmento fashion.

Hoje, cinco anos depois, vemos que a estratégia da marca americana antecipou não só o estreitamento da moda com as redes sociais, mas também o declínio das publicações do segmento perante o sucesso avassalador do aplicativo de compartilhamento de imagens, lançado em 2010. O modelo de consumo mudou, o comportamento do consumidor já não é o mesmo e um clique no Instagram é mais prático e barato do que comprar uma revista.

O objetivo comercial do Instagram é tanto que a plataforma está trabalhando em um aplicativo independente destinado ao e-commerce. Apelidada de IG Shopping, a novidade permitirá aos usuários comprar produtos das marcas, com transações financeiras dentro do próprio app.

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Em 2012, o Facebook adquiriu o Instagram por US$ 1 bilhão, e a empresa de Mark Zuckerberg deu um rumo mais comercial ao aplicativo, deixando-o mais interessante para o investidor. De lá para cá, a companhia vem testando formatos de consumo em seu layout, como os links que direcionam os usuários às páginas de compra. Mais recentemente, o app deu maiores possibilidades às marcas, que agora podem direcionar seu anúncios a públicos específicos.

Norman Jean Roy
Campanha da Oscar de la Renta publicada no Instagram em 2013

 

Reprodução/Instagram
Links nas fotos encaminham usuários para a página de compra

 

Em junho deste ano, o Instagram atingiu 1 bilhão de usuários. Enquanto isso, revistas encerram publicações e sofrem uma queda. Entre 1998 e 2008, conforme relatório da agência Magna International, o faturamento do mercado caiu de US$ 61 bilhões para US$ 54 bilhões. A previsão para 2018 é que não chegue a 15 bilhões.

Em 2017, a Condé Nast, empresa detentora da Vogue e da Vanity Fair, perdeu US$ 120 milhões, o que levou a companhia a demitir mais de 80 funcionários e a encerrar três de suas revistas. No Brasil, a Editora Abril fechou o ano no vermelho, levando o grupo a dispensar 600 profissionais e acabar com 10 títulos, entre eles a Elle.

A estimativa é de que cada pessoa gaste 30 minutos no Instagram todos os dias. De acordo com uma pesquisa da agência Activate, apenas 4% do tempo são destinados ao consumo de conteúdo midiático com impressos, contra 28% dos smartphones.

No segundo trimestre de 2018, o investimento em propaganda no Instagram subiu 177%. Estima-se que a plataforma renderá cerca de US$ 8 bilhões com publicidade em 2018. Andy Hargreaves, analista da KeyBanc Capital Markets, acredita que a rede social será responsável por um terço da receita do Facebook até 2020.

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Atualmente, o Instagram vale US$ 1 bilhão

 

A verdade é que as pessoas passaram a usar o Instagram para, entre outras coisas, procurar tendências. No início, foram os filtros lisos e coloridos, que faziam fotografias ainda granuladas parecerem melhores. Eram postadas refeições, viagens e, entre outras coisas, roupas. Os fabricantes de estilo perceberam isso e resolveram explorar o potencial visual da plataforma.

Mesmo casas luxuosas, como a Chanel, que a princípio resistiu à corrida dos likes, adotaram as possibilidades do app. A Dior, por exemplo, usou o Instagram para relançar sua saddle bag, mobilizando mais de 100 influenciadores para divulgar a campanha. A hashtag #DiorSaddle movimentou US$ 3,4 milhões em mídia, de acordo com uma análise da Tribe Dynamics.

Saddle bag da Dior

 

A Oscar de la Renta, que no início da relação com o Instagram dedicava menos de 5% de seu investimento em mídia às redes sociais, agora planeja investir um terço de seu orçamento no aplicativo. Em 2016, a italiana Gucci destinou 33% de sua verba midiática às plataformas digitais, mas aumentou o percentual para 44% no ano seguinte e chegou à marca de 55% em 2018.

De olho nesses números, o Instagram convidou Eva Chen, queridinha de Anna Wintour, para conduzir as parcerias fashion da rede. O trabalho da diretora é incentivar grandes personalidades da moda e marcas a usarem o app. Ela viaja o mundo dando dicas para empresas e influenciadores melhorarem seu engajamento e extraírem o melhor de seus perfis.

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Perfil espontâneo da americana conquistou diretores do Instagram
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Chen é considerada a Anna Wintour das novas gerações

 

No fim de outubro, Eva veio a São Paulo para participar do Iguatemi Talks. Na ocasião, a head of fashion do Instagram foi muito paparicada por marcas e influenciadoras brasileiras e ganhou um grande jantar do designer Alexandre Birman. Curiosamente, três semanas depois, Kylie Jenner surgiu usando uma criação do mineiro em seu feed.

Reprodução/Instagram
Kylie Jenner usa botas de Alexandre Birman

 

Não se sabe se os acontecimentos estão relacionados, mas o fato é que Chen vem se tornando o grande nome da moda mundial, com status de nova Anna Wintour. Logo, não seria difícil para a diretora viabilizar essa parceria. A importância que a indústria fashion vem dando à nova-iorquina apenas confirma que o Instagram é a nova Vogue.

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Colaborou Danillo Costa

SOBRE O AUTOR
Ilca Maria Estevão

Bacharel em psicologia pela Universidade Georgetown, em Washington D.C. (EUA). É apaixonada por moda e acompanha toda movimentação no universo fashion.

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