CEB à venda: estatal quer arrecadar R$ 675 milhões com ações

Companhia pretende liquidar a participação em cinco usinas hidrelétricas. Duas delas produzem parte da energia consumida pelos brasilienses

Tony Winston/ Agência BrasíliaTony Winston/ Agência Brasília

atualizado 13/04/2018 10:08

A Companhia Energética de Brasília (CEB) está pronta para se desfazer da participação da estatal em cinco empreendimentos de geração de energia. As hidrelétricas estão em Minas Gerais, Tocantins e Goiás e são responsáveis por parte da energia consumida pelos brasilienses. Com a venda das ações, a distribuidora pretende arrecadar, pelo menos, R$ 675 milhões. O negócio será definido no próximo dia 10 de maio, em reunião dos acionistas da companhia.

A pauta da 95ª Assembleia Geral Extraordinária do Conselho de Administração da CEB foi divulgada na última terça-feira (10/4), na página 34 do Diário Oficial do Distrito Federal. O documento aponta a intenção da companhia de vender, por meio de leilão, a totalidade das ações que possui no consórcio BSB Energética e nas usinas hidrelétricas Corumbá III e IV, Lajeado e Queimado.

Em alguns casos, a CEB deixará de ser a maior acionista para não ter qualquer participação nos empreendimentos. É o  que acontecerá com a Corumbá Concessões, mais conhecida como Corumbá IV, onde a companhia tem 47,56% das ações. De acordo com a avaliação especializada contratada pelo órgão, o valor mínimo previsto é de R$ 140,9 milhões. Em Luziânia (GO), a usina hidrelétrica tem potência de 129,6 megawatts de energia e abastece o Distrito Federal e o Entorno.

Também será comercializada a participação da estatal em outra usina que gera energia diretamente para os brasilienses: Corumbá III. A expectativa é de que as ações sejam vendidas por R$ 93 milhões. A CEB detém 37,5% da participação na sociedade gestora do empreendimento.

O negócio que deve render mais dinheiro à companhia é o da hidrelétrica de Lajeado: R$ 323,9 milhões. A companhia brasiliense detém 59,93% das participações no consórcio. Também conhecida como o nome do político baiano Luís Eduardo Magalhães, a usina está em operação desde 2011, no Rio Tocantins.

Outro empreendimento fora dos limites do Distrito Federal que está à venda é a usina hidrelétrica de Queimado, localizada no Rio Preto, na divisa entre os estados de Goiás e Minas Gerais. Controlando 17,5% das ações, a CEB pretende entregar o negócio por R$ 93 milhões.

A estatal também quer liquidar os papéis da BSB Energética, que reúne 13 usinas de pequeno porte em municípios goianos. A CEB conta com 9% da participação e pretende arrecadar R$ 21 milhões com a venda.

Impacto na conta
No fim de março, a CEB entrou com pedido de Revisão Tarifária Extraordinária (RTE). A empresa admitiu que precisa reequilibrar as contas. Conforme ressaltou a estatal, os custos com compra de energia e encargos setoriais não foram totalmente cobertos com o último reajuste (8,46%), aplicado em outubro do ano passado.

O déficit estimado está em torno de R$ 200 milhões, segundo a distribuidora, mas pode ser mais do que o dobro, de acordo com informações de mercado. A solicitação de reajuste extra está em análise na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Caso seja autorizado, a conta de luz dos brasilienses virá mais cara.

No entanto, a companhia nega que a alienação das ações irá atingir o bolso dos consumidores. “Não há impacto nas contas de energia, devido à composição das tarifas estar subordinada à regulação do setor”, pontuou a assessoria de imprensa do órgão, por nota.

Sobre a venda de ações, a CEB informou que a proposta vem sendo debatida pelos acionistas desde 2015, e que a comercialização foi aprovada na Câmara Legislativa no mesmo ano. A Lei nº 5.577 estipula que o valor arrecadado só poderá ser utilizado em investimentos, pagamento de tributos e amortização de dívidas oriundas de empréstimos contraídos antes da publicação da normativa.

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Gabriella Furquim

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em redação, assessoria de imprensa e gestão de comunicação. Atua na área desde 2009. Integrou as equipes de reportagem e edição dos jornais Correio Braziliense e Aqui DF. Em 2014, coordenou a comunicação da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente, Seção Defence for Children Brasil (Anced/ DCI Brasil), e do projeto internacional Red de Coaliciones Sur. De 2015 a 2017, foi assessora de imprensa do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

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