PCDF prende grupo terrorista suspeito de fazer ameaças a Bolsonaro

Um dos presos teria tripla nacionalidade e todos estão detidos após a Justiça expedir mandados de prisão temporária

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 03/01/2019 12:58

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu, na terça-feira (1º/1), em Alto Paraíso (GO), três homens suspeitos de integrarem o suposto grupo terrorista que reivindicou a confecção e o abandono de um artefato explosivo próximo ao Santuário Menino Jesus, em Brazlândia, na véspera de Natal (24). O grupo também fez ameaças de possível atentado na posse do presidente, Jair Bolsonaro (PSL), conforme revelou o Metrópoles.

Um dos presos teria tripla nacionalidade e viajaria para o exterior com frequência. Todos foram detidos após a Justiça expedir mandados de prisão temporária. Logo após as detenções, o blog mantido pela chamada Sociedade Secreta Silvestre parou de ser atualizado.

O fato fez os investigadores acreditarem que o trio teria envolvimento com as ameaças. A investigação teve participação de setores de inteligência da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Investigação (Abin).

Na segunda (31/12), agentes da PCDF e da Polícia Federal já haviam cumprido sete mandados de busca e apreensão no DF, em Goiás e em São Paulo. Em Brasília, foram cumpridos dois mandados expedidos pela Justiça do DF.  Em um dos endereços, os investigadores encontraram um manual de como fazer bombas.

Ataque em Brazlândia
O caso que envolve o suposto grupo terrorista, revelado pelo Metrópoles, começou logo após a madrugada do dia de Natal (25), quando uma pessoa que passava em frente ao Santuário Menino Jesus, em Brazlândia, estranhou a presença de uma mochila deixada ao lado da igreja e acionou a Polícia Militar.

A PM verificou que se tratava de um artefato explosivo e o Grupo Antibombas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi mobilizado. Depois de isolar as ruas próximas ao templo religioso, o material foi detonado, por volta das 4h.

Segundo o Bope, o artefato tinha considerável poder de destruição. O dispositivo era formado por um cilindro de extintor de incêndio composto por pólvora e pregos, além de um detonador movimentado por um relógio. O suposto grupo extremista reivindicou a autoria do atentado.

“Nós reivindicamos o abandono de um explosivo de 5kg recheado de pregos e pólvora negra no Santuário Menino Jesus”, narrou texto publicado na internet.

De acordo com o funcionário da igreja Jaime Francisco, 58 anos, uma missa foi realizada no templo no dia em que o artefato seria explodido. Conforme estimativa do colaborador do santuário, cerca de 1 mil pessoas participaram da cerimônia religiosa. No entanto, a ameaça aconteceu horas mais tarde.

“Já não tinha mais ninguém aqui. Foi após a missa e o local estava fechado. Alguém viu a mala na rua e acionou a polícia”, disse.

As investigações conduzidas pela 18ª DP (Brazlândia) chegaram ao site Maldição Ancestral, onde o suposto grupo terrorista Sociedade Secreta Silvestre fazia uma série de ameaças que se estendiam ao presidente Jair Bolsonaro e a outros alvos, como a futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, e o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal dom Sérgio da Rocha.

Em trechos de um texto publicado na internet, a suposta organização criminosa diz o seguinte: “Se a facada não foi suficiente para matar Bolsonaro, talvez ele venha a ter mais surpresas em algum outro momento, já que não somos os únicos a querer a sua cabeça”.

Como as ameaças envolviam autoridades federais, a PF, a Abin e órgãos ligados à Presidência da República foram acionados.

Intermediário
Após revelar a existência da suposta ameaça terrorista, a reportagem foi procurada na sexta-feira (28) por um intermediário do grupo – ele explicou em que consiste a organização e respondeu a 10 perguntas.

O homem, que se identificou como “Pedro”, encaminhou o texto via e-mail por um navegador impossível de ser rastreado, geralmente utilizado para trafegar na chamada deep web, a parte sombria da internet composta por várias redes separadas que não conversam entre si.

Para garantir a veracidade das informações e confirmar que faz parte do suposto grupo terrorista, o representante da organização mandou um arquivo de vídeo mostrando detalhes da bomba deixada no Santuário Menino Jesus.

Pedro afirmou que a Sociedade Secreta Silvestre é responsável, desde 2016, por pelo menos seis ataques em território nacional. Entre eles, a explosão de uma panela de pressão carregada com pólvora e pregos ocorrida em frente ao shopping Conjunto Nacional, em 1º de agosto, na véspera das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

No documento enviado, o homem ainda fez pouco caso das forças policiais: “Soubemos depois que tentaram nos buscar, mas a competência foi baixa e seguimos impunes e conspirando”.

No domingo (30), o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, confirmou que as ameaças de atentado contra o presidente eleito são reais. Durante o último ensaio geral da cerimônia de posse, o militar ressaltou que a preocupação das autoridades era com Bolsonaro e todas as pessoas que acompanhariam a solenidade de posse na terça (1°).

Apesar da preocupação e com um forte esquema de segurança, a cerimônia transcorreu sem incidentes.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações sobre o suposto grupo terrorista prosseguem em segredo de Justiça. São apurados os crimes de associação criminosa, além de outros ilícitos que possam vir a ser identificados no decorrer das diligências.

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Carlos Carone

Formado pela Estácio de Sá (RJ), tem especialização em Gerenciamento de Crises pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Chefiou a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança do Distrito Federal. Atuou como jornalista na Procuradoria-Geral da República (PGR), no Ministério da Defesa e na Caixa Econômica Federal. Trabalhou no Jornal de Brasília como repórter de Segurança. Faz parte da equipe de Cidades do Metrópoles desde a inauguração do portal.

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