disq Novo áudio de Eric Seba extrapola crise na Polícia Civil e chega à PM
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A guerra interna entre delegados e agentes contrários à gestão do diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Eric Seba (leia entrevista abaixo), extrapolou os muros da instituição e reacendeu uma antiga rixa, desta vez com a Polícia Militar do DF (PMDF). Em áudio que começou a circular nas redes sociais durante a tarde desta quinta-feira (25/1), o chefe da PCDF compara militares a “vigiadores de cones”, após saber de alguns PMs supostamente equiparando os policiais civis a “balconistas”.

A gravação não é recente. Foi feita há aproximadamente um ano, ao longo de reunião sobre o reajuste salarial dos policiais civis. O desabafo de Seba ocorreu quando ele conversava sobre a movimentação dos PMs para garantir o mesmo percentual de aumento eventualmente concedido à PCDF, o que poderia inviabilizar o pedido de equiparação com a Polícia Federal.

No diálogo com interlocutores da cúpula da Polícia Civil, publicado primeiramente pelo site Radardf, Seba sobe o tom ao defender seus pares: “Quem é a PM para falar dos meus policiais ou que os policiais são balconistas? Outro dia passei no parque e estavam lá os ‘caras’, um sentado na viatura, o outro mexendo no celular. Fiz a filmagem e mandei para o governador. Esses aqui são os que querem ganhar igual aos policiais civis”, disparou, batendo a mão na mesa.

Na ocasião, a diretora do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegada Mabel de Farias, participava da conversa. Em determinado momento, ela pede a palavra e diz que a Polícia Civil não pode ficar na dependência das negociações envolvendo a PM e o Corpo de Bombeiros: “A nossa polícia sempre foi muito bem-vista e quista, e hoje estamos a reboque da Polícia Militar”.

Ouça o áudio

 

Após a divulgação do áudio, a reação de entidades que representam policiais militares foi imediata. Em nota, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar fez críticas ao diretor da PCDF. “Caso confirmadas as informações, revelam o total menosprezo do chefe daquela organização policial para com todos os profissionais que, exaustivamente, dedicam-se às ações de policiamento ostensivo”, destaca o texto.

Opinião semelhante tem o coronel Wellington Corsino do Nascimento, da Associação dos Oficiais da Reserva Remunerada da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (Assor): “Foi uma surpresa. É inimaginável o líder de uma instituição tentar justificar os seus insucessos gerenciais creditando a culpa em outras. Isso demonstra um comportamento inadequado na administração pública”.

O sargento Manoel Sansão Alves Barbosa, vice-presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares do Distrito Federal (Aspra), também se manifestou. “Não devemos nada a esse delegado, que não tem competência para estar à frente da PCDF”, disparou.

A PMDF não se manifestou sobre o assunto, mas o tema chegou a políticos ligados à categoria. O deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), que é coronel da reserva da Polícia Militar, divulgou no WhatsApp vídeo classificando as declarações de “lamentáveis”. Confira:

 

“Delegado maconheiro”
Esta é a segunda vez que áudios de conversas do diretor-geral da Policia Civil do DF vazam nas redes sociais. Seba já foi gravado enquanto tecia críticas ao comportamento de delegados da corporação. Na gravação, ele chama um delegado de “maconheiro” e insinua serem corruptos os que desejam “desestabilizar a instituição por conta da direção”.

Seba passa por um momento conturbado. A categoria decidiu, em assembleia nessa quarta-feira (24), pedir a exoneração do diretor-geral. Segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Distrito Federal (Sindepo-DF), o chefe da corporação não representa a categoria, porque a “sua subserviência ao governo é atentatória à dignidade do cargo e instituição”.

Veja o que Eric Seba disse ao Metrópoles:

Em quais circunstâncias o senhor disse que policiais militares eram vigias de cones?
Em junho ou julho do ano passado, dei uma entrevista a um veículo de comunicação e, na época, defendi o pagamento da paridade. Na ocasião, teci alguns comentários, disse que o policial civil vive apenas do salário, que não tem trabalho extra, que tínhamos de resolver o problema da paridade. Logo em seguida, começaram a sair em blogs críticas à minha entrevista. Em um desses blogs, de um camarada vinculado à PM, as pessoas chamavam os policiais civis de balconistas.

Aí, durante uma reunião com dirigentes da Polícia Civil, tive uma discussão e desabafei: “Se comparam o trabalho da Polícia Civil a um simples trabalho de balconista, fazendo um paralelo, podemos dizer que os policiais militares são vigiadores de cones. Mas não falei isso para ofender ninguém. Foi em um momento de desabafo, referente a uma questão pontual. A PM é uma instituição extremamente respeitada, a qual muito admiro e onde tenho grandes amigos. O apreço que tenho é monstruoso. Devo lembrar ainda que a Polícia Civil, diferentemente das críticas que recebemos na época, faz um trabalho de inteligência, de investigação.

Ficou arrependido?
Feliz ou infeliz, está feito. E, mais uma vez, se trata de uma gravação que aconteceu há um ano. Quem gravou fez com a intenção de divulgar em momento oportuno. Todos esses movimentos têm fundo para desestabilizar a Polícia Civil e atingir o governo. Gravar uma conversa dentro de um ambiente fechado e divulgar é coisa de bandido, de criminoso. Você está em ambiente de absoluta confiança e, de repente, tem alguém te gravando! Claro que não houve nada de errado, mas são conversas dentro de um contexto interno.

O senhor vai tomar alguma providência?
Nesta tarde, tive uma reunião com meu corregedor e fiz contato com o Ministério Público. Vamos instaurar um inquérito. Não vou aceitar nem que continuem nestas investidas de bandido contra mim nem que diminuam os servidores da Polícia Civil. E, todas as vezes que sofrermos uma agressão, responderei à altura. Quem está fazendo isso está tripudiando sobre uma instituição que já enfrenta vários problemas.

O senhor está se referindo à defasagem salarial?
A Polícia Civil está agonizando, e isso me deixa indignado. A nossa categoria foi a única que não teve recomposição salarial nos últimos sete anos.

Alguma sinalização?
Está nas mãos do governo, que tenta compor com a União. Tenho tratado da questão com frequência e me empenhado para resolver a questão, mas confesso que já estou cansando deste jogo. E olha que eu não sou de me cansar, mas tudo isso já está me tirando a paciência.

Colaborou Isadora Teixeira



 


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