Covid-19: representantes do comércio reagem contra novas restrições no DF

O Governo do Distrito Federal publicou, nesta terça-feira (1°/12), um decreto que determina fechamento de bares e restaurantes às 23h

atualizado 01/12/2020 16:46

movimento nos bares do df durante a pandemia Hugo Barreto/Metrópoles

Representantes do comércio no Distrito Federal reagiram contra o decreto que determina fechamento dos bares e restaurantes às 23h, medida tomada para evitar maior disseminação do novo coronavírus.

A medida do Governo do Distrito Federal (GDF) foi publicada em edição extra do Diário Oficial do DF (DODF), nesta terça-feira (1º/12). Assim que tornou-se público, o decreto repercutiu imediatamente na reunião por videoconferência realizada entre o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto, e o setor produtivo, no início desta tarde.

O presidente do Sindicato Patronal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Silva, pediu a revogação da restrição. “As pessoas não aguentam mais ficar em casa. Então, temos que ir para rua com consciência”, disse.

Segundo Jael, 3 mil empresas foram fechadas e 25 mil pessoas demitidas durante a pandemia no setor, que “já está combalido”. O sindicalista ainda frisou que o protocolo de segurança é rigorosamente seguido por “99,9% dos bares e restaurantes”. “Temos alguns que estão extrapolando. Esses têm que ser penalizados, mas não pode o segmento todo pagar por poucos”, assinalou.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF), José Carlos Magalhães concorda com Jael e ratifica a opinião de que o segmento de bares e restaurantes não pode ser culpado pelo crescimento da taxa de transmissão na capital federal. José Carlos sugeriu, ainda, a revisão de feriados prolongados: “As pessoas emendam, acabam viajando e confraternizando mais. O segmento de bares, hotéis e restaurantes não pode ser eternamente culpado por esse aumento da Covid”.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), Francisco Maia, disponibilizou-se para ajudar o governo a adotar medidas de conscientização e combate à Covid-19, mas destacou que é inaceitável a ideia de fechar o comércio neste período próximo ao Natal.

“Não queremos abandonar esse barco, porque somos responsáveis pela economia do Distrito Federal. O que for possível fazer, nós vamos fazer”, afirma o presidente da Fecomércio-DF.

Rigor

O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou à coluna Grande Angularapós decretar o fechamento de bares e restaurantes às 23h, que tomou a decisão para evitar a piora da pandemia do novo coronavírus no DF.

“Antes que a situação se agrave, resolvi dar este recado para a população, retomando algumas medidas restritivas”, afirmou. Segundo Ibaneis, se as contaminações e mortes aumentarem mais, o governo vai agir: “A qualquer sinal de piora da pandemia aqui no DF, vamos rever as medidas e tomar providências ainda mais duras, se for o caso”.

Dados

Nessa segunda-feira (30/11), Okumoto detalhou medidas de enfrentamento a uma possível segunda onda de contaminações do coronavírus na capital federal. O chefe da pasta disse que houve aumento na taxa de transmissão.

O índice de contágio passou de 1 para 1.3, o que acendeu o alerta do DF. “O ideal é que esteja abaixo de 1. Quando passa a ser 1.3, quer dizer que cada 100 pessoas podem transmitir para outras 130 o coronavírus. A gente, então, acenou pelo alerta em relação à transmissão”, informou o secretário de Saúde, na reunião com representantes do comércio nesta tarde.

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