Coronavírus: UnB empresta equipamentos para realização de exames

As máquinas aumentaram a capacidade do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) na testagem da presença do vírus no Distrito Federal

atualizado 06/04/2020 17:58

O Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB) firmou parceria com o Governo do Distrito Federal (GDF) para aumentar a capacidade do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) de realizar os testes para a verificação da presença do novo coronavírus em pacientes da capital do país.

Foram ofertados pelos pesquisadores equipamentos e mão de obra. A estimativa é de que, com o reforço da academia, seja possível realizar até mil testes por dia.

Além da doação do material que estava disponível nos laboratórios da instituição, a UnB buscou parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) para financiar a compra de novos equipamentos.

Na última semana, 115 projetos da UnB com foco no combate à Covid-19 foram selecionados. No total, as iniciativas receberam aporte de R$ 30 milhões da FAP-DF.

Entre os projetos aprovados, estão pesquisas que objetivam produção de álcool em gel, estudo para avaliar eficácia e segurança do difosfato de cloroquina no tratamento de pacientes e desenvolvimento de máscara e luvas úmidas de proteção.

Entrevista

A Grande Angular conversou com as professoras Cristina Castro Lucas e Andrea Maranhão, do Instituto de Ciências Biológicas da UnB, sobre a parceria.

Qual o objetivo da parceria da UnB com a rede pública de saúde no DF? Como essa parceria está funcionando?
Neste momento de emergência, o Instituto de Ciências Biológicas entrou em contato com o Lacen para oferecer ajuda, como a doação de material de laboratório, tubos e insumos descartáveis. Emprestamos três máquinas de PCR para a realização dos testes de diagnóstico molecular para o coronavírus. Os equipamentos foram levadas por nós mesmos, professores, e já estão sendo utilizados.

Há previsão de novas doações?
Fizemos gestões junto à FAPDF para conseguirmos verbas na forma de projetos que foram elaborados pelos pesquisadores e que servirão para repassar material e equipamentos mais modernos direto para o Lacen. Além disso, vários professores e pesquisadores do Instituto de Biologia se ofereceram para, sob a tutela dos técnicos do Lacen, ajudar na realização dos procedimentos laboratoriais. Todas essas iniciativas são para aumentar o número de testes e a capacidade de diagnóstico do DF.

A realização dos testes é importante para a definição de ações de controle do novo coronavírus?
Sim. A realização dos testes de diagnósticos permite, além da tomada de decisão em relação ao tratamento clínico, o acompanhamento da disseminação do coronavírus no DF e a projeção da epidemia na unidade federativa. É fundamental. Seria muito importante adotarmos estratégias como as que foram feitas na Coreia do Sul, onde não apenas os pacientes hospitalares foram testados. Isso permitiria, inclusive, a projeção de medidas de isolamento, dentre outras.

Qual é o papel da ciência na crise em que vivemos?
Acho que todos estão percebendo que só com muito estudo daremos conta deste desafio e de outros que ainda virão. A ciência, por exemplo, foi fundamental para identificar o vírus, informar a grande capacidade de transmissão. Foram os cientistas que, estudando o nível de transmissão da doença, alertaram os governantes sobre as medidas de isolamento social a serem adotadas. E virá da ciência a cura para essa doença. Assim como veio da ciência a cura de várias outras doenças, infecciosas ou não.

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