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Este texto é para você, bom aluno que não sabe porque sua memória insiste em te deixar na mão em provas decisivas. Esse fenômeno também é chamado de bloqueio sob pressão.

Na semana passada, recebi uma família cuja filha é brilhante, responsável, ansiosa e preocupadíssima com o fato de a mãe ter dificuldades para pagar a escola particular. A menina propôs para matriarca que, em outubro, ela fizesse o concurso de bolsas de um colégio bem prestigiado de Brasília.

Quais as chances dessa mocinha ter um bloqueio sob pressão? Grandes, claro.

É importante saber de um fato: quando estamos em situações estressantes, as glândulas adrenais (localizadas no rim) liberam o hormônio cortisol. Esse hormônio irá promover alterações no funcionamento de várias partes do corpo, inclusive do cérebro. Isso afeta as funções cognitivas e prejudica a memória de curto prazo.

“É natural termos dificuldade de lembrar algo quando estamos numa situação de estresse. Isso faz parte do repertório de alterações fisiológicas e cognitivas que apresentamos nessas situações, as quais incluem também taquicardia (coração acelerado), boca seca e sudorese (especialmente na palma das mãos)”, garante o pesquisador em psicobiologia e especialista em memória Cleanto Rogério Rego Fernandes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em entrevista ao Guia do Estudante, em 2017.

No brilhante livro Deu Branco! Como Evitar Falhas nos Momentos Importantes Usando a Ciência Cognitiva, Siam Beilock explica que o desejo das pessoas em vencer é, ironicamente, o motivo de elas falharem.

É importante esclarecer: alunos brilhantes têm memória de curto prazo excelente. Além disso, eles sabem como protegê-la para garantir bom desempenho na hora H.

Beilock ensina: “Vários estudos mostraram que as diferenças na memória de curto prazo entre pessoas representam entre 50% a 70% das diferenças individuais na capacidade de raciocínio abstrato ou na inteligência fluida. Em suma, a memória de curto prazo é um dos grandes pilares do QI”.

E o autor lista quatro dicas de ouro. Elas poderão mudar seu destino nas provas:

  • Pesquisa realizada no início dos anos 1980 pela psicóloga Michelene (Micki) Chi avaliou as diferenças entre alunos bem-sucedidos e quem falhou em situações de difícil resolução em provas. A conclusão: quem dedicava tempo pensando sobre determinado problema ANTES de tentar de fato resolvê-lo alcançava mais sucesso. Então, pare, leia com atenção, defina uma estratégia e inicie a resolução do problema.
  • Aluno com melhor memória de curto prazo emprega muitas vezes uma rede mais extensa de regiões do cérebro para o desempenho do que pessoas com baixa capacidade de memorização. Por isso, suas células cerebrais precisam de mais energia. Assim, fazer SIMULADOS imediatamente antes daquela prova importante é uma decisão desastrosa. Descanse. Faça uma pausa.
  • Pratique sob os mesmos tipos de pressão que você costuma enfrentar nas provas-chave. Faça simulados da escola, em casa com tempo determinado, folha de respostas e sem consulta, assim como na vida real.
  • Durma bem antes de grandes provas, privação de sono é péssimo para memória. Não vire a noite estudando – organize-se.


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