Tem uma escola no caminho do trabalho: é lá que matricularei meu filho

Na hora de escolher o novo local de estudos dos seus filhos, analisem questões que serão importantes para o futuro deles

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atualizado 03/09/2019 22:58

Na vida escolar de qualquer criança existem grandes marcos. Qual creche? Qual será a escola de meu filho durante a educação infantil? E no ensino fundamental? E no médio? Dificilmente, este aluno fica no mesmo local toda a sua vida escolar. Estas escolhas precisam vir imbuídas de uma lógica do ponto de vista de metodologia escolar. Geralmente, nós, família, pensamos em mudar de escola exatamente no início de cada um destes ciclos. E será que fazemos as melhores escolhas?

A opção da sua próxima escola tem que ter uma lógica com a escola anterior. “Como a atual escola percebe a aprendizagem e como estas outras escolas que estamos considerando a percebem?”, deve ser sua pergunta.

Parece-me óbvio que se um aluno desde a creche até o quinto ano do ensino fundamental frequentou uma escola com uma proposta montessoriana, a próxima escola a ser escolhida para esta criança/adolescente deverá ter uma coerência com a atual. Na prática, não é isso que se vê. O que infelizmente é determinante na escolha da escola é a proximidade ou não da moradia daquela família ou do trabalho dos pais.

Vamos detalhar este exemplo para refletirmos sobre o tema. Quando falamos de uma escola montessoriana, estamos falando de uma escola que, na educação infantil, possibilita à criança escolher suas atividades. Inclusive, é ela que define o ritmo de aprendizagem. Para as famílias que escolhem uma escola montessoriana, notas, vestibular e Enem, embora muito importantes, não são seus objetivos de vida.

Porém, é muito mais comum do que se imagina ver crianças que finalizam o ensino fundamental I em uma escola montessoriana e depois se mudam de um dia para outro em uma escola completamente diferente, onde os aprovados do vestibular estampam a capa da homepage desta nova escola.

Reflexão
Notem que não estamos falando qual é a melhor proposta pedagógica das escolas, a coluna não aborda isso. O tema é outro: refletir sobre as escolas que têm sintonia com a escola que sua família está de outro pra os seus filhos.

No exemplo citado, muitas crianças até os 11 anos provavelmente nunca vivenciaram uma prova e, de repente, elas se vêem envolvidas em um sistema de avaliação diferente, com um instrumento de avaliação como um teste, com várias folhas e com um tempo determinado para ser concluído.

A partir daí, expectativas são lançadas nesta nova escola, nesta criança e neste novo desenho de futuro. É preciso falar que se fizermos uma escolha que percorre o caminho descrito nesta coluna daremos aos nossos filhos “uma dificuldade a mais”, diremos que aquela forma/lógica que ele aprendeu as coisas mudou e que ele terá que se adaptar.

Se tudo isso for conscientemente planejado, tudo bem. Dê o suporte necessário, esclareça as mudanças, ponha as dificuldades possíveis que seu filho poderá enfrentar e que o empenho dele nos estudos terá que ser outro.

Esclareça, acima de tudo, que estas novas dificuldades que ele enfrentará nada têm a ver com ele, mas que emergiram por conta da mudança de ambiente escolar.

Pingos nos “is”
Mas a coluna objetiva alertar justamente os pais que não percebem isso e que acreditam que escola boa é o aluno que faz. Se não colocarmos os devidos pingos nos “is”, nossos filhos estabelecerão uma simples relação de causa e efeito com as possíveis dificuldades: “não estou conseguindo mais, o que estou fazendo de errado?, que ansiedade, não me sinto mais à vontade com a escola, ninguém mais me entende etc”.

E muito provavelmente nossos filhos terão uma outra relação escolar, não necessariamente a mais sadia.

Lembrem-se: na hora de escolher a nova escola dos seus filhos, analisem questões que serão importantes para o futuro deles. A qualidade da escola, a coerência com o conteúdo anterior, os objetivos de vida, os valores da família etc. A distância de casa ou do trabalho está longe de ser a justificativa número 1 desta tomada de decisão. Tem muito mais em jogo.

SOBRE O AUTOR
Christiane Fernandes

Pedagoga e psicopedagoga, especialista em Dificuldades de Aprendizagem pela Universidade de Brasília (UnB). É fundadora da Filhos – Educação e Aulas, empresa que atua na área de educação oferecendo aulas particulares desde 2005. Possui MBA em Gestão Empresarial com foco em estratégia pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

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