Vale a pena fazer exercícios para promover o aprendizado?

A prática pode ter diversas roupagens, como fazer lista de questões, ensinar algo a alguém ou criar perguntas

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 28/08/2019 19:45

Quantas vezes já escutei: “Meu filho estudou muito semana passada, tínhamos certeza de que tiraria um notão”. O que se viu foi uma grande decepção dos pais ao receberem a nota. E algo também muito comum é o fluxo de ações da família após essa nota: solicitação de laudos com diversos especialistas, afinal deve ter algo errado; agendamentos de reuniões com escola, professores particulares, psicopedagogo e afins. Enfim, eu concordo que deve ter algo errado, mas o que acredito é bem mais simples, mais óbvio. Você, como pai, pegou o caderno do seu filho e conferiu COMO ele escolheu estudar?

Eu te adianto: uma maioria esmagadora errou na estratégia, escolheu não fazer exercícios, mas sim ler, ler, ler e ler mais um pouquinho. Aí, eu te pergunto: e os exercícios? Ele estudou quando? Na tarde que antecedeu a prova?

Para mim e para a psicologia cognitiva, fazer exercícios promove o aprendizado por dois efeitos: os diretos e os mediados. Os efeitos diretos são aqueles que surgem durante a realização do exercício, pois este faz o estudante buscar, na sua memória, o que aprendeu. Já os mediados são aqueles que surgem após a resolução, em estudos subsequentes sobre o assunto que foi estudado.

Esclarecimento importante: fazer exercício pode ter diversas roupagens, como fazer lista de questões, ensinar algo a alguém, criar perguntas, enfim, o aluno tem que ter uma relação ATIVA com aquele assunto. Outro ponto relevante é conhecer outras técnicas de estudo, como flashcards, mapas mentais, interrogatório elaborativo, resumos, entre outros. Existem inúmeras técnicas de estudo! Seu filho só não pode escolher APLICAR apenas a que, comprovadamente, é que oferece menos resultados.

Ganhar experiência
Os alunos devem praticar extensivamente a divisão até que dominem o processo, isto é, até que possam trabalhar com segurança em problemas maiores sobre o mesmo assunto. Eles precisam ganhar competência e aperfeiçoá-la.

Outro ponto importantíssimo é nunca estude de uma vez só, mas sim em intervalos programados. O artigo científico Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology, elaborado por cinco professores da Kent State University, dos Estados Unidos, afirma que a memória fica mais duradoura quando há intervalos na prática.

A pesquisa publicada mostra que o tempo ideal de distribuição das sessões de estudo é de 10% a 20% do período que o conteúdo precisa ser absorvido. Em miúdos, se seu filho precisa fazer uma prova daqui a dois meses (60 dias), e considerando que usaremos 10% do período total, ele deverá rever este conteúdo de seis em seis dias.

Prática distribuída
No próprio paper, encontramos essa prática como “Prática distribuída”. Em síntese, refere-se a distribuir seu estudo ao longo de um período. Isso, normalmente, beneficia a retenção a longo prazo muito mais do que estudar tudo de uma vez ou em intervalos muito curtos.

Estudos sobre aprendizagem avançaram, e os nossos filhos devem lançar mão de estratégias de estudos que, comprovadamente, são mais eficientes. Converse com o seu filho, apresente outras técnicas de estudo, mas não o deixe estudar “apenas” lendo sobre o assunto. Combinado?

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