Festival CoMA mistura manifestação política e entretenimento

Ney Matogrosso, Maria Gadú, Fresno, Liniker e os Caramelows, BaianaSystem, Djonga, Scalene e Francisco, El Hombre passaram pelos palcos

JP Rodrigues/ MetrópolesJP Rodrigues/ Metrópoles

atualizado 05/08/2019 21:15

A 3ª edição do festival Convenção de Música e Arte (CoMA) reuniu shows, atividades do universo da música e lazer em Brasília, de 2 a 4 de agosto. Foram mais de 50 atrações, entre artistas internacionais e nacionais.

Nomes de peso – como Ney Matogrosso, Maria Gadú, Fresno, Liniker e os Caramelows, BaianaSystem, Hamilton de Holanda Quarteto, Djonga, Scalene e Francisco, El Hombre – fizeram parte do circuito. Neste ano, além de entretenimento musical, a proposta da convenção foi discutir e fomentar o empreendedorismo musical.

A estrutura do festival contou com dois palcos principais no gramado da Funarte, uma tenda com palco secundário – chamada de Conexões –, shows no Planetário, Clube do Choro, um espaço de descontração e karaokê e redes penduradas nas árvores do local.

Também havia um espaço dedicado à celebração do orgulho LGBT. Food trucks, barracas de comidas variadas e bares estavam posicionados em lugares estratégicos, para as pessoas não precisarem andarem muito para comprar algo.

Música e política
O CoMA também foi palco para várias manifestações políticas. Nesse sábado (03/08/2019), Maria Gadú entoou falas de resistência, e o público a seguiu. Logo depois, Sonia Guajajara – vice do presidenciável Guilherme Boulos (PSol) na última eleição – subiu ao palco e discursou sobre demarcação de terras indígenas, a sobrevivência do povo, desmatamento e meio ambiente.

“Se você não quer se sensibilizar com a causa indígena, lute por você mesmo. Lute pela sua vida, defenda o meio ambiente.”

Sonia Guajajara

Enquanto o BaianaSystem animava a noite, a plateia gritava “resistência” e protestava contra o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Em alguns momentos, o público pediu por demarcação das terras indígenas.

Nesse domingo (04/08/2019), o rapper Djonga também usou sua apresentação para se manifestar. Como de costume em suas obras, ele deu ênfase na luta contra o racismo e discriminação socioeconômica. Ele apresentou com orgulho o álbum Ladrão, que em uma semana passou das 10 milhões de visualizações no YouTube.

“É a palavra ladrão ligada a um preto de uma forma diferente”, comentou o cantor ao falar do sucesso do disco, lançado em março deste ano.

A banda Francisco, El Hombre, também conhecida por seu posicionamento político, abriu uma roda enquanto tocava uma de suas músicas com fortes críticas políticas. Os músicos foram responsáveis por manter o público animado no encerramento do festival.

Responsabilidade socioambiental
O projeto arquitetônico foi pensado para atender às necessidades das pessoas com deficiência e dar mais conforto a esse público. Foram instaladas calçadas para espectadores usuários de cadeiras de rodas ou com dificuldades de locomoção.

Na praça de alimentação, havia mesas reservadas e banheiros adaptados. Além disso, espaços exclusivos com visão privilegiada dos espetáculos. A proposta, inclusive, também trouxe cadeiras de rodas, protetores de ouvidos – para autistas, visando ao conforto acústico durante os shows – e protetor solar – para pessoas com albinismo, lúpus e outras deficiências. Os cardápios estavam todos em braille e continham opções para intolerantes ao glúten e à lactose.

Em relação ao meio ambiente, a responsabilidade do festival começa desde a utilização do “eco copo” até o descarte correto do lixo gerado nos dias de evento, com coleta seletiva. A parte reciclável vai para uma cooperativa parceira, já os resíduos orgânicos viram compostagem. Além disso, para a cenografia, foram utilizados mobiliários feito de resíduos e estruturas de pallet e bambu.

Veja quem passou por lá:

SOBRE O AUTOR
Rafaela Benez

Nascida e criada em Brasília, amante de tecnologia e estudo de idiomas. É bailarina nas horas vagas e estudante de jornalismo na Universidade Paulista (Unip).

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