Murilo Benício curte retorno às novelas e o filho ator

Após cinco anos de ausência, astro brilha em Amor de Mãe e celebra o herdeiro

atualizado 07/02/2020 14:42

Fábio Rocha/ TV Globo

Rio de Janeiro (RJ) – Um dos atores mais celebrados do país, Murilo Benício brilha mais uma vez na TV ao dar vida a Raul em Amor de Mãe, personagem que marca seu retorno às novelas após cinco anos de ausência, desde Geração Brasil, de 2014.

Nesta conversa com a coluna Claudia Meireles, o astro fala sobre a experiência de atuar pela primeira vez ao lado do filho, Antônio, fruto de seu relacionamento com a atriz Alessandra Negrini, e dos conselhos dados a ele. “É uma profissão que não é, necessariamente, a garantia de sucesso e dinheiro”, diz Murilo sobre a carreira de ator. No bate-papo, ele também fala sobre a atual importância das novelas e outros assuntos.

Confira a conversa com o ator!

Você andou afastado das novelas, fazendo apenas séries. Foi uma opção sua?

Não sei se foi natural ou planejado, mas aconteceu. Uma novela toma muito tempo, muito mais que uma série. Nesse tempo, tive a oportunidade de dirigir dois filmes, um período abençoado. Estar longe das novelas me deu vontade de fazer outra de novo. É algo que dá tanto trabalho, que dá até medo de entrar. É um ano inteiro em que não temos vida [própria].

Você acha que as novelas ainda têm muito valor?

As novelas são importantes para a Rede Globo. Os atores não podem se distanciar tanto delas e a emissora precisa, principalmente, dos bons atores. Elas são o nosso carro-chefe ainda, apesar de o mundo passar por mudanças e as séries estarem atacando. Acho que se temos ainda esse carro-chefe, devemos fazer o melhor produto e com as melhores pessoas possíveis.

Você comenta sobre trabalho em casa com sua família?

Não falamos sobre trabalho. Não temos esse papo. Separamos naturalmente, mas também não temos essa coisa de não falar.

Estevam Avellar/TV Globo
Raul (Murilo Benício), Vinicius (Antônio Benício) e Sandro (Humberto Carrão)

Como foi a expectativa de atuar ao lado do Antônio, seu filho com a Alessandra Negrini, e que viveu o Vinícius na novela?

Fiquei com muita expectativa a partir do momento em que eu soube que ele iria trabalhar em Amor de Mãe, até porque foi uma surpresa pra mim. Vi que o Antônio é um cara que chegou com estrutura. Ele levou muito tempo para admitir que atuar era o que realmente queria. Hoje, tenho total certeza da vontade dele de querer ser ator.

Você o apoia de que forma? Afinal, é uma profissão difícil.

Ajudo só a pagar as contas dele. O Antônio estuda para caramba. Faz teatro, ensaia.. Então, isso dá uma segurança maior. Mesmo sendo meu filho e da Alessandra, é uma profissão que não necessariamente é garantia de sucesso e dinheiro. Então, fiquei com muito medo de ele achar que a carreira de ator seria seu caminho natural. Mas sempre o deixamos sozinho, à vontade. Sempre falo: ninguém trabalha cinco dias esperando dois para se divertir.

Que conselhos você dá a ele?

O único que dou é: “Tente fazer o que você ama e vai acordar feliz na segunda-feira”. Não vai haver aquela coisa de: “Graças a Deus, é sexta-feira!”. Eu ouço isso na rua e acho meio absurdo. O bom é acordar na segunda-feira sabendo que vai produzir.

Você acha que ele precisará de ajuda sua na carreira?

Acho que não. A última peça que fez nem me deixou ver. Respeitei e não fui. Temos um acordo muito bom. A gente fala da profissão sob outros pontos de vista, não falamos sobre nós. Vamos juntos ao cinema e comentamos os motivos pelos quais um filme é bom ou não, porque o ator está bom ou não. Discutimos dessa forma e vamos usando outros exemplos.

Você acha que o público estranha o fato de não existir um vilão clássico em Amor de Mãe?

Eu acho que o público está muito moderno, mais à frente do que imaginamos. Temos que nos modernizar para acompanhar o público. Essa história de “núcleo de humor” tem que acabar. Não tem humor em Amor de Mãe, assim como não tem o vilão. Giramos em torno de muitas coisas. Ninguém é só bom a vida inteira. Todo mundo é um pouco de tudo. Essa é a proposta. Não é que não exista um vilão. Às vezes, é a vida, em outras, é uma situação, às vezes, é a pessoa…

Você é um ator curioso, que gosta de saber o destino do seu personagem?

Eu nem ligo para o que vai acontecer. Não pergunto nada e não me envolvo em nada. Não tenho essa curiosidade. Basta saber que é um bom trabalho – pelos capítulos que eu leio – e que todos estão felizes e empolgados em fazer.

Você voltou a ser abordado pelas pessoas por conta da reprise de Avenida Brasil?

Eu nunca deixei de ser o Tufão! Já fiz vários personagens de sucesso, a ponto das pessoas chegarem a imitá-los nas ruas, como o Arthur Fortuna (de Pé na Jaca, 2005) e o Juca Cipó (de Irmãos Coragem, 1995), mas não tem jeito (risos).

 Estevam Avellar/ TV Globo
Tufão (Murilo Benício) e Carminha (Adriana Esteves) se despedem de Nina (Débora Falabella) em Avenida Brasil

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