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TCU nega liberação de campanha do pacote anticrime de Sergio Moro

Por seis votos a favor e apenas dois contra, Corte decidiu manter a suspensão da campanha publicitária sobre as medidas

09/10/2019 18:02, atualizado 09/10/2019 19:20
Rafaela Felicciano/Metrópoles
TCU nega liberação de campanha do pacote anticrime de Sergio Moro

Por  votos seis votos a favor e apenas dois contra, o Plenário do Tribunal de Contas da União manteve na tarde desta quarta-feira (9/10) a decisão do ministro Vital do Rêgo que tinha suspendido a propaganda do pacote anticrime proposto pelo ministro Sergio Moro. A campanha deve custar R$ 10 milhões aos cofres públicos.

Os ministros que defenderam a suspensão da campanha argumentaram que a veiculação dela pode influenciar nas decisões do Congresso Nacional, que ainda analisa o pacote anticrime proposto pelo ministro da Justiça. Relator da matéria na Corte de contas, Vital do Rêgo propôs que o plenário mantivesse as ações suspensas até que os parlamentares decidissem a aprovação da proposta.

Em outra perspectiva acerca do processo em debate no TCU, o pedido de suspensão também foi endossado pelo subprocurador-geral do MP junto ao TCU Lucas Furtado. Na avaliação de Furtado, há um possível “direcionamento de verbas publicitárias a interesses pessoais e ideológicos do governo”. 

Em tramitação no Congresso Nacional desde o dia 4 de fevereiro, o pacote propõe mudanças em leis para, segundo o governo, tornar mais efetivo o combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes violentos. A campanha seria uma tentativa de Moro de salvar o pacote, uma vez que 18 pontos do projeto inicial foram rejeitados pelo grupo de trabalho criado no Congresso Nacional para analisar a matéria. Entre as propostas, a nova regra para o “excludente de ilicitude” e a legítima defesa de policiais.

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Este último ponto ficou mais difícil para o governo depois da morte da menina Agatha Vitória Sales Félix, de apenas 8 anos, atingida nas costas por um tiro de fuzil dentro da kombi em que viajava, no Complexo do Alemão. De acordo com moradores, policiais militares faziam uma operação na região e atiraram contra uma moto que passava no local.

Em seu voto, o ministro Bruno Dantas acompanhou o relator, que suspendeu a veiculação da propaganda.  “Uma parlamentar que vota contra o pacote anticrime depois da publicação em campanha publicitária será visto como defensor do crime”, comparou Dantas.

Quarto ministro a votar, Walton Alencar divergiu, acompanhando o ministro-revisor do processo, Augusto Sherman, pela liberação da campanha. “Estamos sendo censores da propaganda oficial do Poder Executivo”, argumentou Walton, no voto que acabou vencido.

TCU nega liberação de campanha do pacote anticrime de Sergio Moro