Bolsonaro curte praia particular nos Emirados: “Prefiro Angra”

Presidente disse que vai enviar ao Congresso projeto para transformar arquipélago fluminense na "Cancún brasileira"

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atualizado 28/10/2019 12:58

Enviado especial a Abu Dhabi (Emirados Árabes) – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) aproveitou um momento livre na agenda da visita oficial aos Emirados Árabes Unidos, nesse domingo (28/10/2019), para entrar no mar na exclusivíssima praia particular de 1,3 km do hotel onde ficou hospedado, em Abu Dhabi. Acompanhado do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o comandante do Executivo brasileiro passou cerca de uma hora no local, no início da noite.

“Entrei, mas eu não nado, só fico com água até a cintura porque não posso abusar mais. Tenho 64 anos e fiz quatro cesarianas [referência às cirurgias no abdômen como consequência de um atentado na campanha]”, contou o mandatário da República a jornalistas brasileiros antes de embarcar para Doha, no Catar, a penúltima escala de um giro por países da Ásia e península arábica que o presidente está fazendo.

“Fiquei quase uma hora dentro d’água. Água quente, ali fora [do hotel]. Mas prefiro as águas da baía de Angra [dos Reis, arquipélago no estado do Rio de Janeiro]”, admitiu o titular do Palácio do Planalto.

Bolsonaro aproveitou para revelar que faz os últimos preparativos a fim de tentar realizar um sonho: transformar Angra em uma “Cancún brasileira”, em referência ao famoso balneário caribenho.

“Chegando no Brasil, vamos apresentar o projeto para revogar o decreto que demarcou a Estação Ecológica de Tamoios”, disse, dando prazo para uma promessa que repete desde a campanha presidencial. “Se for aprovado, tem muito recurso de fora para fazer da baía de Angra uma Cancún brasileira”, prometeu.

Esse “recurso de fora” é estimulado pelo presidente e pela equipe nessa viagem internacional, que começou no Japão e termina na Arábia Saudita, para onde o mandatário brasileiro viaja ainda na noite desta segunda-feira (28/10/2019).

Em um seminário empresarial que uniu investidores dos Emirados Árabes e do Brasil em hotel de Abu Dhabi, no último domingo, o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Gilson Machado Neto, usou parte do discurso para convidar os árabes para a empreitada. “Temos uma joia chamada região de Angra dos Reis, com mais de 300 ilhas para os senhores construírem Resorts e levarem cruzeiros”, destacou. “Estamos desburocratizando isso”, simplificou.

Mas não é tão simples
A revogação da Estação Ecológica de Tamoios deve gerar polêmica no Congresso e entre ambientalistas. Criada em 1990, a reserva – composta por 29 ilhas e pela área de 1 km no raio de cada uma delas – é habitat de espécies ameaçadas, como boto-cinza, cavalo-marinho e peixe-anjo.

As regras da estação proíbem visita e pesca como forma de proteger essas espécies. Quem defende a manutenção da reserva ambiental marinha alega que o espaço ocupa no máximo 6% da área total da baía de Ilha Grande, onde fica Angra dos Reis, e que a manutenção não atrapalharia o turismo.

Foi na área da reserva, porém, que Jair Bolsonaro foi multado em R$ 10 mil, no ano de 2012, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) ao ser flagrado pescando. Em dezembro de 2018, a multa foi anulada. Meses depois, o servidor responsável pela fiscalização perdeu o cargo no órgão.

SOBRE O AUTOR
Raphael Veleda

Formado em jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) em 2006. Trabalhou como repórter de Cidades no Jornal de Brasília e no Correio Braziliense. Na Folha de S.Paulo, trabalhou no controle de erros, produzindo o "Erramos", foi redator da Ilustrada e correspondente em Minas Gerais. Cobriu ciência na Veja.com. Participou do lançamento do jornal Metro em Brasília, onde trabalhou por seis anos e foi repórter de Cidades, Política, Economia e subeditor. Estuda Antropologia na Universidade de Brasília (UnB).

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