Associação de diplomatas critica indicação de Eduardo para embaixada

Segundo a ADB, é o Itamaraty que conta com profissionais de excelência e altamente qualificados para assumir qualquer embaixada no exterior

Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilRodrigues Pozzebom/Agência Brasil

atualizado 12/07/2019 20:15

A Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB) reagiu ao anúncio do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de indicar o filho, deputado federal Eduardo Bsolonaro (PSL-SP), para assumir o cargo de embaixador do Brasil nos EUA. Em nota divulgada nesta sexta-feira (12/07/2019), a associação, embora não tenha feito referência direta ao “Zero 3”, ressalta que o quadro de diplomatas do Itamaraty conta com profissionais de excelência, “altamente qualificados para assumir quaisquer embaixadas no exterior”.

Tal qualificação, destaca o comunicado, se deve ao fato de que os profissionais da área iniciam a carreira com uma “formação ampla e consistente, por meio de um dos concursos mais rigorosos da administração pública, proporcional às exigências da atuação que precisamos ter dentro e fora do país”.

A postura dos diplomatas é uma resposta a Bolsonaro, que justificou a preferência por indicar o filho como embaixador: “Ele é amigo do filho do Trump. Fala inglês com fluência, espanhol, tem uma vivência muito grande de mundo”. Eduardo, deputado federal pelo PSL, já disse que topa a missão e que aceita renunciar ao mandato para ir morar em Washington DC.

O parlamentar, por sinal, fez 35 anos nessa quarta-feira (10/07/2019), mas disse que é uma coincidência o anúncio ter sido feito pelo pai justamente depois que ele atinge a idade mínima exigida para o cargo embaixador. “Parece que papai do céu fez a gente no ano certinho”, observou.

“Sou presidente da Comissão de Relações Exteriores, tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos“, defendeu-se Eduardo.

A ADB se diz ciente das prerrogativas presidenciais na nomeação de seus representantes diplomáticos. Porém, pondera que a indicação por parte do presidente da República deva cair sobre um nome egresso do Itamaraty.

Treinados e preparados
“Há mais de 100 anos os diplomatas brasileiros têm a construção da imagem e do desenvolvimento do país como seu objetivo maior, pelo qual norteiam, todos os dias, o seu desempenho. Esse é o papel para o qual foram e continuam sendo diligentemente treinados e preparados”, coloca a nota da ADB.

A associação observa que, atualmente, mais de 1.500 diplomatas representam o país e defendem os interesses nacionais nas embaixadas, consulados e delegações junto a organismos internacionais, além de trabalharem em diversos órgãos do governo federal – inclusive na presidência da República -, nos quais estão mais de sessenta diplomatas cedidos.

“Os diplomatas atuam em questões fundamentais nas áreas cultural, ambiental, econômica, comercial, proteção e defesa dos direitos humanos, cooperação, paz e segurança internacionais, dentre outras”, diz a nota.

SOBRE O AUTOR
Carlos Estênio Brasilino

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco, atuou como repórter e editor nos maiores jornais do estado, como Diário de Pernambuco, Folha de Pernambuco e sucursal da Gazeta Mercantil. Na área política, atua em Brasília desde 2003, com passagens pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Tem experiência na área de saúde pública, com atuação no Ministério da Saúde e na Anvisa. Também coordenou campanhas eleitorais em Pernambuco e no Amazonas e trabalhou em agências de comunicação.

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