Temos dois anos de Covid-19 pela frente. Salve-se. Estamos por nossa conta

No mundo, é certo que a cobrança virá pelos próximos 5 anos. No Brasil, os próximos 2 só entram na agenda do governo pra reeleger Bolsonaro

atualizado 24/07/2020 12:08

Ilustração para coluna de Anderson França - dois anos ainda com Covid-19 Gui Prímola / Metrópoles. Arte sobre foto de unsplash.com

O que você faz em dois anos?

Eu, em dois anos, perdi 40 quilos, controlei um diagnóstico de diabetes tipo 2.
Mudei de país. Essa parte não era bem o que eu queria. Mas mudei, e tirei CPF novo, RG novo, abri conta em banco novo, comprei um sofá novo, uma espada de São Jorge nova. Entrei pra faculdade, aluguei apartamento, engordei 3 quilos na quarentena.

Muita coisa.
Se você estava grávida, já deu pra nascer a criança e ela já está botando o dedo babado no celular. Já tá começando a andar.

Em dois anos muita gente casou, divorciou, casou e divorciou dentro dos dois anos, fez orgia no Lago Paranoá, se formou, saiu do emprego, distribuiu currículo, conseguiu outro emprego, saiu do Brasil, voltou pro Brasil.

Pro ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, dois anos é lixo. Não vale nada. Não tem qualquer valor, pro general que diz não saber o que é o AI-5.

O ministro interino foi avisado de que os efeitos da Covid-19 durariam de um até dois anos. Tempo pra fazer tudo isso que eu falei aí em cima. Tempo de botar uma criança no mundo e já ver a criança começar a se comunicar.

Dois anos é quase o tempo que Bolsonaro está no Planalto. Nesses quase dois anos, deu tempo de ver o Brasil descer a ladeira. Em termos econômicos, entramos num Fiat 147, no alto da rua, e percebemos, já no fim, que o carro não tinha freio. Estamos nos chocando com o pior desempenho dos últimos 20 anos, numa leitura da evolução do PIB.

O governo é um desastre em qualquer área. A USP não vai usar notas do Enem porque elas não chegaram a tempo. Mais de 600 vagas desperdiçadas, que estavam reservadas para o jovem pobre, serão devolvidas para o concurso principal. Weintraub está livre, nos Estados Unidos, fazendo selfie e comendo junk food. Rindo de você. Um lixo de servidor público, comendo lixo. Enumerar onde Bolsonaro deu errado é fácil, difícil é achar algo que deu certo.

Pro Pazuello, dois anos nem passam rápido. Pra ele, dois anos não têm significado. Tanto faz. Tanto faz se chegarmos aos 200 mil mortos, e por mais que eu peça a Deus que isso não ocorra, pelo andar da carruagem, nada impede que isso aconteça até janeiro. Lembre-se: o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, CANCELOU o réveillon de 2021. Ou seja, em DEZEMBRO ainda teremos problemas graves.

Mas pro ministro interino não significa nada. Já temos 100 mil mortos na contabilidade da necropolítica, nos próximos dias. O governo, o pior governo da história desse país, segue, falando pras almas encardidas que ainda apoiam esse genocídio. E a filha dele foi indicada pra uma empresa da prefeitura do Rio.

No mundo, é certo que a cobrança virá pelos próximos cinco anos. No Brasil, os próximos dois só entram na agenda do governo pra reeleger Bolsonaro. Salve-se. Mesmo que não possa. Estamos por nós mesmos. É oficial.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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