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Enfim, de verdade, chegou a hora de separar as crianças dos adultos, como diria o bom e velho Michael Jordan (lembram-se dele, da NBA?). No caso, algumas das seleções mais bem posicionadas no ranking da Fifa contra países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo – para quem, aliás, nós, latino-americanos, fanaticamente torcemos. Mas não deu. Elas – as africanas, as asiáticas, as centro-americanas e outras mais – se despediram das estepes russas.

É, não deu. Não deu mesmo. E, assim, as quartas de final da Copa do Mundo da Rússia começam, com a presença de dois sul-americanos – os campeões Brasil (penta) e Uruguai (bi) – contra os europeus França e Inglaterra (um título para cada), bem como Croácia, Suécia, Bélgica e a anfitriã, Rússia. Em jogo, a luta pela conquista da 21ª Copa do Mundo.

Para os seis europeus, é uma boa chance de aumentar a distância para os sul-americanos, que, claro, tentam diminuí-la. Nas 20 Copas anteriores, o povo do Velho Mundo conquistou o título 11 vezes. Já a turma abaixo da Linha do Equador tem nove triunfos – além das vitórias de Brasil e Uruguai, os argentinos faturaram a taça duas vezes.

A vida, porém, não será nada fácil para brasileiros e uruguaios continuarem nutrindo o sonho de trazerem o troféu do Mundial para a América do Sul, após três conquistas seguidas dos europeus (Itália, em 2006; Espanha, em 2010; e Alemanha – nem me lembre! –, em 2014).

Os uruguaios, sem um de seus principais jogadores (Edinson Cavani está contundido, com um edema em sua panturrilha esquerda) e com o raçudo e imprevisível Luis Suárez à frente, enfrentarão a jovem e talentosa equipe da França, liderada por Griezmann e Mbappé, que – aqui cabe uma pausa dramática – muitos dizem ser herdeiro de um certo Edson Arantes do Nascimento, o Pelé.

Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images

 

O próprio menino Edson (ok, nem tão menino assim) parabenizou, por meio das redes sociais, o jovem mancebo francês, de meros 19 anos, após os dois gols que ele fez na vitória de 4 x 3 sobre a Argentina, pelas oitavas de final. Não à toa, pois Mbappé se tornou o jogador mais novo a marcar duas vezes em um jogo da Copa do Mundo desde, óbvio, o próprio Pelé, em 1958.

Bem, é prematuro afirmar que Kylian Mbappé será um novo Pelé. Afinal, muitos atletas, na longeva história do chamado esporte bretão, já foram considerados herdeiros do talento do maior jogador de todos os tempos (Cláudio Adão, Washington, Robinho e até Neymar, só para ficar nos brasileiros). Todos fracassaram, principalmente pela pressão colocada sobre seus ombros. Bem, Neymar ainda pode bater recordes, ser tricampeão de futebol, ultrapassar os 1 mil gols… Mbappé, idem. Mas…

 

Alexander Hassenstein/Getty Images

 

Mas, nesta sexta-feira (6/7), às 11h, a cidade de Nizhny Novgorod sedia o confronto Uruguai x França. São dois títulos uruguaios contra um título francês. São dois fora de série franceses contra um fora de série uruguaio (a depender da quase certa ausência de Cavani). Nas bolsas de apostas (e no bom senso), a França entra em campo como favorita, principalmente pela ótima atuação contra a Argentina, de Lionel (Messi, tchau, Messi, tchau, tchau, tchau!). Mas…

Mas surpresas acontecem. Bichos-papões e assombrações, vez ou outra, pintam em uma competição de tiro curto, como é a Copa do Mundo. Que o digam a Alemanha, a qual perdeu para México e Coreia do Sul na primeira fase. Que o digam a própria Argentina, Portugal e Espanha, os quais caíram nas oitavas. A Espanha foi eliminada pela combativa Rússia, cujo único apelo, sejamos sinceros, é jogar em casa, sob a bênçãos do camarada Vladimir Putin. A própria Bélgica fez das tripas coração para eliminar os kamikazes japoneses, de virada, por 3 x 2, na última volta do ponteiro, no segundo tempo, e quase não se capacita para enfrentar o Brasil.

Barbas de molho
Então, nessa toada, é bom o Brasil colocar as barbas de molho contra a Bélgica. O conselho vale para o professor Tite e, especialmente, para Allison, Fagner, Thiago Silva, Miranda, Marcelo, Fernandinho, Paulinho, Philippe Coutinho, Willian, Gabriel Jesus e Neymar, os 11 que começam jogando contra o time de Hazard, De Bruyne e Lukaku (que, além de falar seis idiomas, conversa com a bola como poucos). As novidades são a volta de um recuperado Marcelo, no lugar de Filipe Luís, e um sempre alerta Fernandinho na vaga do suspenso Casemiro.

A Seleção Brasileira, porém, tem bad vibes no confronto contra os belgas, que possuem o melhor ataque da Copa, com 12 gols. A primeira vibração negativa é a questão dos cartões amarelos. O Brasil possui três jogadores pendurados, sendo dois titulares absolutos, Neymar e Philippe Coutinho – completa a lista o lateral-esquerdo Filipe Luís. Se receberem nova advertência, eles ficam fora no caso de um eventual avanço à semifinal da competição. Entre os belgas, porém, atletas importantes estão ameaçados de desfalcarem a equipe, caso o time elimine o Brasil: De Bruyne, Vertonghen, Meunier, Tielemans e Dendoncker. Ou seja, é bom ficar pianinho…

Danilo, tchau, tchau, tchau
A outra bad vibe na Seleção Brasileira é a contusão do lateral-direito Danilo, que – agora é certo – está fora da Copa. O jogador sofreu uma lesão no tornozelo esquerdo durante o treinamento da Seleção Brasileira desta quinta-feira (5/7), em Kazan, e não poderá atuar mais no Mundial, mesmo que a Seleção supere as quartas de final e a semifinal, e chegue à final… Resta ver como isso vai abalar o moral do time, que terá Miranda como capitão. Se é que vai abalar, oras!

Laurence Griffiths/Getty Images
É preciso, pois, concentração, maturidade, técnica, talento, capacidade mental (o maior desafio na disputa de uma Copa)… e muita oração, meu povo. O jogo contra a Bélgica não será fácil. Muito pelo contrário. E, se o Brasil passar pelos conterrâneos de Tintim (Google, please!), o confronto nas semifinais será contra o vencedor de Uruguai x França. Outra pedreira, conforme dito acima. Do outro lado da chave, quatro europeus: Rússia x Croácia e Suécia x Inglaterra, duelos marcados para sábado (7).

Até que cairia bem uma final América do Sul x Europa, não? De preferência, com o Brasil defendendo os sul-americanos.

Fica a dica, Papai do Céu. Oremos.



 


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