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Entenda o que falta para viabilizar o teletransporte de seres vivos

Físicos discutem os avanços e desafios sobre o teletransporte e a viabilidade ou não de teletransportar seres humanos no futuro

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1 de 1 Foto de ambiente a céu aberto com ondas de luz - Metrópoles - teletransporte - Foto: Reprodução/ Marek Piwnicki/Pexels

O teletransporte sempre foi um tema recorrente em ficções científicas, mas com os avanços recentes da física, o conceito de transferir matéria ou informações de um ponto a outro está sendo cada vez mais discutido.

No início do mês, pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, conseguiram fazer um teletransporte inédito: dois computadores quânticos começaram a trocar informações de forma imediata graças à presença de um mesmo conjunto de fótons que estava armazenado ao mesmo tempo em dois deles.

Para se transportar, é preciso se destruir

Teletransportar dados e coisas físicas, no entanto, são problemas de complexidades muito diferentes e especialistas questionam se o processo para seres vivos seria viável na realidade.

A física Dyana Duarte, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) apoiada pelo Instituto Serrapilheira, explica que, enquanto o teletransporte de informação ocorre se aproveitando de propriedades quânticas da natureza, o transporte de matéria precisaria de uma tecnologia totalmente nova e complexa.

“O teletransporte de matéria não é apenas um transporte instantâneo. Seria preciso transformar um objeto em informação e, posteriormente, transformar a informação captada em uma reprodução em outro lugar usando uma espécie de impressora 3D com todos os átomos disponíveis para gerar suas reações. O processo de transformar o objeto em informação, porém, envolve a destruição dele, então há um dilema ético muito forte de expor um ser vivo a isso para gerar uma cópia que pode não ser perfeita”, explica Dyana.

O que seria um teletransporte de coisas físicas?

Ao contrário do que costumamos pensar, o teletransporte não é se mover instantaneamente, e sim ser codificado e decodificado em dois lugares diferentes. A função de uma máquina de teletransporte, portanto, seria clonar algo que existe ou já existiu a partir de uma leitura de todas as informações do que integrava o objeto.

Basicamente, é imprimir cópias em 3D. Porém, reproduzir a imitação de uma pessoa gera uma série de problemas, incluindo a dificuldade de ter certeza que a pessoa “teletransportada” é exatamente igual e pensa igual à que foi codificada (e destruída).

“Isso levanta questões filosóficas, como a continuidade da identidade ou consciência de um ser que foi reconstruído”, diz Dyana.

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interações entre partículas que são menores que o átomo levaram a resultados imprevisíveis pela física atual
Teletransporte funcionaria de forma semelhante à impressão 3d
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Dougal Main e Beth Nichol, dois dos pesquisadores que atuaram no teletransporte quântico

Divulgação/John Cairns/Universidade de Oxford
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interações entre partículas que são menores que o átomo levaram a resultados imprevisíveis pela física atual

Getty Images
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Teletransporte funcionaria de forma semelhante à impressão 3d

Cavan Images/Getty Images

Um custo inimaginável

Segundo o físico José Rafael Bordin, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC), não é possível imaginar ainda se ou quando o teletransporte de matéria, como é mostrado na ficção científica, será possível.

“A quantidade de informações necessárias para mapear e reconstruir um ser humano, por exemplo, é astronômica. Temos trilhões de células no corpo, com uma quantidade gigante de átomos que teriam que ser reproduzidos de forma totalmente simétrica. Mesmo que a teoria permita a possibilidade, a tecnologia atual está longe de conseguir realizar tal feito”, explica Bordin.

Para teletransportar um ser humano, por exemplo, uma análise feita em 2012 por pesquisadores da Universidade de Leicester, no Reino Unido, estimou que seria necessário acumular aproximadamente 2,6 × 10⁴² bits, mais informação do que todos os computadores do mundo atualmente são capazes de armazenar. Em seguida, seria preciso rearranjar todos os átomos, célula por célula, do organismo em um processo que levaria, segundo a estimativa, 350 mil vezes mais tempo do que o Universo conhecido tem de idade (14 bilhões de anos).

Na opinião de Bordin e Dyana, o teletransporte de matéria exigiria uma capacidade de gerir recurso, tempo e uma precisão infalível na manipulação atômica e molecular que o fazem continuar, por muito e muito tempo, apenas no território da ficção. “É simplesmente impossível e se um dia conseguirmos, seria absurdamente caro”, conclui o físico.

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