Veterinários dizem quais são os principais sintomas de diabetes canina

Se não tratados corretamente, cachorros com diabetes canina correm risco de sofrer com vômitos, fraqueza, cegueira por catarata e até óbito

atualizado

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Imagem colorida de cão da raça Dachshund (o “salsicha”) - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de cão da raça Dachshund (o “salsicha”) - Metrópoles - Foto: Unsplash

A diabetes é uma condição que comumente atinge humanos, mas que também pode estar presente em nossos animais de estimação. Assim como em nós, a diabetes canina é uma doença metabólica crônica que ocorre quando o corpo do cachorro para de produzir ou faz uso inadequado da insulina. Como resultado, os níveis de glicose no sangue ficam altos.

Por outro lado, diferente dos humanos, o tipo mais comum entre os cães é a diabetes tipo 1, aquela em que o pâncreas produz insulina insuficientemente. Se não tratada, a condição pode causar vômitos, fraqueza, cegueira por catarata e até levar a óbito.   

“A complicação mais grave é a evolução do quadro para cetose diabética (acidificação perigosa do sangue), que pode cursar com vômitos, desidratação, fraqueza intensa, prostração, necessidade de atendimento de urgência e internação”, afirma o professor de medicina veterinária Fernando Resende, do Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac), em Brasília.

Principais sintomas da diabetes canina

  • Aumento da sede e, como consequência, elevação da frequência urinária de cor mais transparente.
  • Perda peso, mesmo com o animal comendo muito ou mesma quantidade de sempre.
  • Fraqueza e indisposição.
  • Problemas oculares, especialmente a catarata (esbranquiçamento do olho).
  • Mau hálito, com cheiro mais adocicado ou parecido com acetona.

Os primeiros sinais da diabetes em cães não são claros e muitas vezes passam despercebidos. “O tutor pode achar que é algo natural do envelhecimento, mas existem mudanças importantes no comportamento que merecem atenção”, aponta a veterinária Kássia Vieira, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Ela afirma que o surgimento da doença costuma ocorrer quando o cão está avançando da fase adulta para idosa, geralmente a partir dos 7 anos de idade.

Fatores de risco para a doença

A ocorrência da diabetes em cães tem mecanismo semelhante à nossa. Para acontecer, há uma soma entre hábitos ruins e predisposição genética. Animais obesos ou com sobrepeso ou que tenham doenças favoráveis à resistência insulínica, como hipotireoidismo e pancreatite, correm mais risco. 

Os que tomam medicamentos propensores da elevação dos níveis de glicose, especialmente corticoides, também têm mais chances de desenvolvimento da diabetes. “Outro perfil clássico que chama atenção é o de fêmeas não castradas, porque fases hormonais específicas podem aumentar a resistência à insulina e precipitar o quadro”, explica Resende.

Entre as raças com mais predisposição genética, devido a suas características e fatores metabólicos, estão o Poodle, Schnauzer, Dachshund (o “salsicha”) e Yorkshire Terrier. 

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Importância do diagnóstico e tratamento

Para detectar a condição, o veterinário se baseia no histórico clínico do animal e exames de sangue e urina. Testes complementares após a confirmação da doença podem ser solicitados, a fim de avaliar a presença de pancreatite ou outras alterações.

“Se houver glicose na urina, a suspeita de diabetes é muito forte, pois isso indica que o nível de açúcar no sangue está elevado. A confirmação ocorre quando a glicose sanguínea também aparece alta no exame”, diz Kássia.

O tratamento ocorre através da administração de insulina – geralmente, uma ou duas vezes ao dia, a depender do caso. Ele dura para a vida toda do pet e o nível de glicose deve ser monitorado com aparelhos específicos.

Se não tratada, a diabetes canina pode gerar fraqueza intensa, falta de ar e descompensação metabólica grave. Além disso, há risco de cegueira e infecções frequentes. Assim, o cachorro fica mais propenso a óbito.

Para evitar a condição, os tutores devem manter a rotina dos cães equilibrada, com alimentação balanceada e exercícios físicos diários. É importante estar atento aos sinais comportamentais, visto que a doença também pode ter caráter genético.

“Levar o animal ao veterinário pelo menos uma vez ao ano para check-up, com exames de sangue, é fundamental — especialmente em cães acima de 7 anos”, recomenda a veterinária.

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