Mapa inédito: rede de fungos da Terra cobriria 10% da Via Láctea. Veja
Descoberta ocorreu após cientistas produzirem um mapa global. Os fungos subterrâneos são essenciais por serem depósitos de carbono (CO2)

Embaixo dos nossos pés existe uma vasta rede subterrânea de fungos e segundo um novo estudo, ela é tão grande que seria capaz de abranger cerca de 10% da Via Láctea. A descoberta ocorreu após os pesquisadores produzirem o primeiro mapa global de onde estão localizados os organismos escondidos.
Em tempos de aquecimento global, os fungos subterrâneos são essenciais como depósito de carbono (CO2) ao atuarem em parceria com as plantas terrestres. A dinâmica funciona assim: os fungos fornecem nitrogênio e fósforo e, em troca, recebem o carbono absorvido por elas.
No estudo também descobriu-se que 40% da biomassa fúngica global está presente em pastagens não perturbadas, o que as torna sumidouros de carbono importantes para frear as mudanças climáticas.
O trabalho foi liderado pela Sociedade para a Proteção de Redes Subterrâneas, uma organização norte-americana voltada para a pesquisa de fungos e a relação deles com plantas. Os resultados foram publicados na revista Science nessa quinta-feira (11/6).
Dados e inteligência artificial: como foi feito o mapeamentos da rede subterrânea de fungos
Apesar de grande, ainda não haviam muitas informações sobre a distribuição dos fungos subterrâneos. Visando a criação do mapa, foram compilados dados de mais de 16 mil amostras de solos recolhidas em 322 estudos. Neles, haviam informações sobre densidade de hifas (filamentos que formam o corpo dos fungos), além de coletas de todos os continentes e nove biomas.
Também foram usados dados sobre clima, química do solo e vegetação. Em seguida, a partir de todas as informações, a inteligência artificial previu a distribuição dos fungos pelo mundo. Através do mapa os pesquisadores identificaram que, caso fossem colocadas em linha reta, as hifas se estenderiam por cerca de 110 quatrilhões de km – cerca de 10% da largura da Via Láctea.
Os campos selvagens correspondem aos locais com maior densidade, enquanto para as florestas tropicais e desertos são necessários mais dados para determinar os valores. Segundo os pesquisadores, o mapa será atualizado no decorrer do tempo.
“Espero que o estudo contribua para o debate sobre a proteção dessas áreas, porque os campos selvagens estão desaparecendo muito rapidamente. São áreas que as pessoas estão devastando, porque é muito mais fácil arrancar a grama do que uma árvore”, alerta o primeiro autor do estudo, Justin Stewart, em entrevista ao portal Live Science.


