Recifes no Pacífico podem ajudar a criar novos medicamentos. Entenda
Estudo em recifes no Pacífico encontra 645 espécies microbianas, a maioria inéditas, com potencial medicinal ou industrial
atualizado
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Saiba que no futuro próximo poderemos nos tratar com medicamentos a partir de substâncias encontradas em recifes de ilhas do Pacífico. A afirmação tem relação com uma nova descoberta de pesquisadores internacionais. Segundo eles, as “florestas tropicais do mar” são repletas de micróbios, até então desconhecidos, que produzem substâncias com alto valor medicinal ou industrial.
Os cientistas apontam que a maioria da biodiversidade capaz de auxiliar na saúde e no funcionamento dos recifes não é possível ser vista a olho nu. Por isso, eles resolveram investigá-los mais a níveis micróspicos.
O trabalho foi liderado por pesquisadores da Universidade de Galway, na Irlanda, em parceria com instituições suíças. O estudo faz parte do consórcio Tara Pacific, responsável por analisar como os oceanos estão respondendo às pressões climáticas. Os resultados foram publicados na revista Nature em meados de fevereiro.
Investigação dos recifes do Pacífico
Foram analisados o microbioma de 99 recifes de coral em 32 ilhas do Pacífico. Em seguida, os dados ajudaram a reconstruir genomas de 645 espécies microbianas. Segundo os pesquisadores, 99% delas nunca haviam sido descritas geneticamente.
Entre os parceiros dos corais em que são hospedeiros, foram descobertos micróbios que produzem compostos bioativos capazes de impactar processos biológicos, com potencial medicinal ou industrial. Além disso, eles possuem diversos agrupamentos de genes biossintéticos, um tipo de instrução genética para produzir compostos naturais.
“O potencial biossintético dos microbiomas dos corais construtores de recifes rivaliza ou supera o de fontes tradicionais de produtos naturais, como as esponjas. Entre as bactérias ricas em biossíntese presentes no microbioma do recife, identificamos microrganismos até então desconhecidos que vivem com os corais e produzem novas enzimas com aplicações biotecnológicas promissoras”, afirma um dos autores do estudo, Olivier Thomas, em comunicado.
De acordo com o estudo, os recifes de coral podem ser definidos como uma “biblioteca molecular”, sendo primordial conservá-los e protegê-los. Além de prejudicar a existência de organismos dependentes deles, a perda atrapalha a descoberta de mais micróbios com potencial medicinal e biotecnológico.
“A pesquisa é um claro apelo à ação para proteger nossos recifes de coral – não apenas por seu valor como um ecossistema único – mas também para preservar a diversidade química singular que possibilitará futuros avanços científicos”, defende Thomas.
