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Ciência

Nancy Grace Roman: a pioneira que revolucionou a astronomia no espaço

Nancy foi a pioneira da Nasa que enfrentou preconceito na academia e ajudou a transformar o telescópio espacial Hubble em realidade

15/09/2026 02:00
Reprodução/Nasa Science
Nancy Grace Roman, a cientista pioneira da Nasa

Antes de o telescópio Hubble revelar ao mundo imagens de galáxias distantes, nebulosas e estrelas em formação, houve uma cientista que precisou convencer pesquisadores, engenheiros e políticos de que observar o Universo a partir do espaço valia o investimento. O nome dela era Nancy Grace Roman, conhecida como a “mãe do Hubble”.

A importância dela voltou aos holofotes com o lançamento do telescópio espacial que leva seu nome. O Nancy Grace Roman Space Telescope foi apresentado ao mundo em 30 de agosto de 2026 e integra a nova geração de observatórios da Nasa. A missão foi batizada em homenagem à cientista justamente por seu papel na criação do programa de astronomia espacial da agência.

Nancy foi a primeira chefe de astronomia da Nasa e a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na agência espacial norte-americana. Sua trajetória foi marcada pelo pioneirismo em uma época em que mulheres ainda enfrentavam grandes barreiras para seguir carreiras científicas.

Do interesse pelas estrelas à astronomia

Nancy Grace Roman nasceu em 16 de maio de 1925, em Nashville, no estado norte-americano do Tennessee. O interesse pelo céu surgiu ainda na infância. Aos 11 anos, criou um clube de astronomia com colegas para estudar as estrelas e, aos 12, já havia decidido que seria astrônoma.

Sustentar a escolha, porém, não foi fácil. Durante sua formação, ela ouviu de educadores que a ciência não seria um caminho adequado para uma mulher. Mesmo assim, estudou astronomia no Swarthmore College, onde se formou em 1946. Em 1949, concluiu o doutorado em astronomia pela Universidade de Chicago.

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Depois, trabalhou no Observatório Yerkes, ligado à universidade, onde estudou estrelas e ajudou a ampliar o conhecimento sobre a estrutura e a evolução da Via Láctea.

A dificuldade para conquistar espaço na carreira acadêmica, entretanto, fez com que Nancy deixasse a universidade. Ela passou a trabalhar no Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, aproximando-se da radioastronomia e de tecnologias que seriam importantes para sua trajetória posterior.

Pioneira da Nasa

Em 1959, poucos meses após a criação da Nasa, a astrônoma entrou para a agência. No ano seguinte, tornou-se chefe de astronomia e relatividade, sendo a primeira mulher a ocupar uma posição executiva na organização.

Sua função ia muito além da pesquisa. Nancy ajudava a definir quais projetos científicos seriam desenvolvidos e fazia a ligação entre astrônomos, engenheiros e autoridades responsáveis pelo financiamento das missões.

Foi nesse contexto que ela passou a trabalhar para viabilizar um grande telescópio espacial. A ideia era colocar um observatório acima da atmosfera terrestre, permitindo observar o Universo com maior precisão.

Ela ajudou a definir os objetivos científicos do projeto, a convencer pesquisadores sobre sua importância e a defender o financiamento da missão diante do congresso norte-americano.

Foram anos de articulação até que o projeto fosse aprovado. O telescópio foi lançado em 1990, quando Nancy já havia deixado a Nasa.

O equipamento recebeu o nome de Hubble e se tornou um dos mais importantes observatórios astronômicos da história. Suas observações contribuíram para estudos sobre a expansão do Universo, a formação de estrelas e galáxias e a chamada energia escura.

O legado da cientista Nancy Grace Roman

A cientista deixou a Nasa em 1979, mas continuou trabalhando com astronomia e educação científica. Ela morreu em 25 de dezembro de 2018, aos 93 anos.

Seu legado, porém, continua presente na exploração espacial. Em 2020, a Nasa anunciou que seu novo telescópio espacial, então chamado WFIRST, receberia o nome de Nancy.

O Nancy Grace Roman Space Telescope foi projetado para investigar questões como a energia escura, a matéria escura e a formação de sistemas planetários. Seu principal instrumento terá um campo de visão muito maior que o do Hubble, permitindo observar grandes regiões do céu de uma só vez.

A homenagem reconhece não apenas a carreira de astrônoma, mas também seu papel na consolidação da astronomia espacial. Décadas antes de os grandes telescópios espaciais transformarem a maneira como a humanidade enxerga o Universo, Nancy ajudou a construir o caminho para que isso fosse possível.